Categoria: resenha

  • Contato de Emergência – Mary H.K. Choi

    Contato de Emergência – Mary H.K. Choi

    Essa é a história de Penny e Sam.

    Ela tem dezoito anos e acabou de sair de casa rumo à universidade. Longe da mãe expansiva e do namorado sem graça, vai finalmente se dedicar ao sonho de ser escritora. Só não contava que essa nova vida traria também novos obstáculos: pessoas, o maior pesadelo de qualquer introvertido.

    Ele, por sua vez, está perdido na vida. Em todos os níveis. Aos vinte e um anos, os poucos dólares na conta, a mãe alcoólatra e a ex-namorada complicada não o ajudam a se manter são. Só lhe resta fazer os doces mais mirabolantes para o café onde trabalha (e mora), concluir sua faculdade a distância e tentar (sem muito sucesso) não surtar.

    Por um acaso do destino — também conhecido como um ataque de pânico no meio da rua —, eles passam a trocar mensagens de texto inofensivas. Mas o que começa como um simples contato de emergência salvo no celular se torna a conexão mais importante da vida deles.

    Aos poucos, esses jovens introvertidos e problemáticos se tornam dois amigos dividindo angústias, sonhos, piadas e inspirações. Duas pessoas que quase nunca se veem, mas que estão juntas o tempo inteiro. Dois solitários que, finalmente, não estão mais sozinhos.

    Com perspicácia, humor e grande sensibilidade, a estreante Mary H. K. Choi traça o retrato de uma geração cujos relacionamentos se entrelaçam à evolução tecnológica. Uma história capaz de causar nos leitores o frio na barriga que só as melhores comédias românticas podem proporcionar.


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  • Recursão – Blake Crouch

    Recursão – Blake Crouch

    (Esta sinopse deveria ser maior mas eu escolhi não mostrar ela completa aqui. Eu não quero ser a pessoa responsável por insinuar muitas informações da trama. A resenha já vai ser um “desserviço” suficiente pra isso)

    Em Recursão, Blake Crouch constrói uma jornada desnorteante, com personagens complexos, que nos fazem refletir sobre nossa existência e nossa identidade. Uma trama intrincada, ágil, e sem dúvidas emocionante, que mostra o poder que cerca a tecnologia ao manipular algo tão definidor como a memória e as consequências de um progresso a qualquer custo para os indivíduos e a sociedade.

    Design

    Eu já fiz uma análise geral do projeto da Intrínsecos no primeiro livro do clube da Intrínseca que li. Então, para uma análise geral você pode dar um pulinho lá.

    De exclusivo aqui em Recursão temos esse amarelo maravilhoso. Não. Eu não gosto de amarelo. É uma cor que me incomoda até. Mas aqui, nessa capa específica, eu achei tremendamente lindo.

    E de miolo, eu posso comentar que a forma como é feita a alternância visual entre os protagonistas, e a marcação das datas é bem bonita também.

    Vale comentar também que eu acharia um deleite que a Intrínseca enviasse para seus assinantes uma jaqueta com a capa comercial que foi produzida pro livro. Pelo que eu pude entender, a capa brasileira vai ser uma adaptação da estrangeira, e ela é bem bonita também (na abertura do post é a capa lá de fora)!


    História

    E eu estava lendo Recursão e me sentindo assim…

    … e assim…

    GIF mind blow

    … e depois assim…

    GIF mind blow

    … e aí ele terminou e eu fiquei assim…

    … com a vontade de fazer com que todo mundo…

    GIF - read the book

    E é isso. Leia Recursão, só tou pedindo isso.

    .

    .

    .

    .

    .

    Uhn… você ainda tá aqui. Meus gifs não foram o suficiente pra convencer que você PRECISA LER RECURSÃO

    GIF thinking

    Você me deixou com um baita problema na mão, porque fazer uma resenha sobre Recursão é basicamente pisar em ovos para não estragar a experiência de quem for ler. Eu passei por algo semelhante recentemente com o livro Estou pensando em acabar com tudo, mas acho que Recursão permite um pouco mais de jogo de cintura pra falar sobre ele… #challengeAccepted

    Conheci Blake Crouch com Matéria Escura e meio que foi um amor à primeira lida. Crouch é daqueles autores que, quando você gosta do estilo, ritmo e narrativa, você vai ficar de olho para outras obras.

    Bem, quando vi que a Intrínseca ia lançar Recursão fiquei parecendo pinto no lixo, toda felicidade e expectativa. A coisa linda foi que acabei recebendo como livro do Intrínsecos (você já conhece o clube de assinatura da Intrínseca?!) e pude ler alguns meses antes do que todo mundo. <3 #malAí

    Pra começo de conversa, eu fui atrás pra tentar entender o que significa recursão. Confesso que o resultado do Google não me ajudou muito porque as primeiras respostas estavam ligadas com questões matemáticas complexas e né… somos de humanas. :P

    Ainda bem que o clube Intrínsecos sempre envia um livreto que é quase uma leitura de apoio sobre o livro/autor/tema e fez TODA A DIFERENÇA pra eu entender o significado da palavra.

    recursão em espelhos

    Sabe aquelas casas de espelhos que são como labirintos e você precisa encontrar a saída. Sua imagem sendo repetida por espelhos que refletem outros espelhos criando uma ilusão de infinito?

    Isso é recursão.

    Sendo ainda mais explícita, essa foi a explicação que me ajudou a entender melhor:

    Uma pessoa parada entre dois espelhos vê a própria imagem se repetir infinitamente – isso porque o reflexo do primeiro espelho se torna o objeto a ser refletido no outro, que volta para o primeiro, e volta para o outro, assim sucessivamente. Recursivamente. (do livreto do Intrínsecos)

    Acho que por conta desse contexto “físico” da parada, você pode até considerar que Recursão esbarra fortemente em um hard sci-fi. Em muitos momentos Blake Crouch tenta explicar a “ciência” por trás do que está acontecendo na história.

    E por mais que isso seja trabalhoso às vezes para entender, dá uma profundidade e uma veracidade ainda mais interessante pra história.

    Basicamente, o principal motor da história são as memórias.

    – Porque memória… é tudo. Fisicamente, uma lembrança não passa de impulsos nervosos, uma sinfonia de atividade cerebral. (…) Achamos que apreendemos o mundo direta e imediatamente, mas todas as nossas experiências são essas reconstruções tardias e cuidadosamente editadas. p.43

    Helena se envolver com memórias porque sua mãe sofre de alzheimer, e na experiência dela, ver tudo o que sua mãe passou ser perdido e ela não poder fazer nada para impedir é o maior sofrimento.

    Já Barry sofre com as memórias que não consegue esquecer. A perda da sua filha adolescente marcou sua vida, destruiu seu casamento, e o tornou uma pessoa triste e amargurada.

    No entanto, numa noite como esta, com a mente inquieta e sonhos com fantasmas, o tempo parece secundário em relação à verdadeira força motora: a memória. Talvez a memória seja a matéria fundamental, aquela da qual o tempo emerge. p.297

    O livro vai seguir os dois protagonistas contando como se esforçam para prosseguir com suas vidas, alternando de quem é a vez de dividir com a gente o que está acontecendo.

    E sério, eu só vou até aqui para contar pra vocês sobre o que é Recursão. Porque qualquer outro comentário que eu fizer: sobre a pesquisa da Helena; sobre a investigação de Barry; sobre a síndrome de falsas memórias; qualquer coisa vai interferir no seu envolvimento e progressão da história.

    O gostoso de Recursão é ir entendendo, junto com os personagens, tudo o que está acontecendo. Construir o conhecimento na mesma velocidade que Barry e Helena é a melhor experiência que Blake Crouch já escreveu (aquela que só leu dois livros e acha que é toda essa Coca-Cola. Acho mesmo!).

    Viver com um macete não é viver. Nossa existência não é algo a ser arquitetado ou otimizado para evitar a dor. É nisso que consiste ser humano: a beleza e a dor, por uma não tem significado sem a outra. p.306

    Coisas que valem mencionar:

    1. Em dado momento da história Blake Crouch descreve um ataque nuclear e foi a coisa mais angustiante e aterrorizante que eu li.

    2. Quando terminei o livro eu estava literalmente quicando de empolgação (fazendo o uso correto de literalmente, eu espero). Eu PRECISAVA conversar com alguém, então “vomitei” toda a experiência no meu marido. Ficamos algum tempo tentando encontrar furos e problemas na história do Crouch. Tem umas paradas um pouco confusa, mas a culpa é toda minha por não conseguir explicar ou lembrar direito. De qualquer forma, o principal comentário do meu marido foi: “quando sai filme?”.

    Definitivamente, hoje, Recursão é o melhor livro que li em 2019. Tudo bem que ainda tem dezembro pela frente, e pelo menos mais uns 4 livros até o ano acabar mesmo. Mas tenho minhas dúvidas se algum dos próximos vai conseguir ser tão bom quanto Recursão.

    Sério.

    Leia!


    Outros livros do autor


    Até a próxima! o/

    banner parceria editora Intrínseca 2019

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  • Boneco de Pano – Daniel Cole

    Boneco de Pano – Daniel Cole

    O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.

    Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.

    Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.

    Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.

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  • Predestinados – Josephine Angelini

    Predestinados – Josephine Angelini

    Helen Hamilton passou a vida inteira tentando disfarçar o fato de que é uma garota diferente, mas agora, aos dezesseis anos, isto está cada vez mais difícil. Não apenas por causa de sua força sobre-humana ou porque, sem motivo aparente, pessoas estranhas simplesmente a atacam, mas também porque ela teme que esteja perdendo o juízo. Pesadelos recorrentes com uma estranha viagem pelo deserto e visões de três mulheres derramando lágrimas de sangue a têm atormentado noite e dia. Ao mesmo tempo, um impulso inexplicável passa a dominar seus pensamentos: Helen quer matar Lucas, um dos rapazes da glamorosa e misteriosa família Delos. À medida que descobre mais sobre sua verdadeira origem, ela percebe que a relação dos dois está submetida não só à sua vontade, mas a forças muito antigas.

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  • Inspeção – Josh Malerman

    Inspeção – Josh Malerman

    Rapazes e garotas estão sendo criados em escolas especiais. Um grupo não sabe da existência do outro — até agora. No alto de uma torre embrenhada em uma floresta e isolada do restante do mundo, temos J. Ele é um dos vinte e seis rapazes de um internato que tem como objetivo formar prodígios em artes, ciências e atletismo.

    Até hoje J só teve contato com as outras pessoas que vivem ali: os colegas são sua única família e todos acreditam ser filhos do fundador da escola. A vida acadêmica é tudo o que conhecem — e tudo o que lhes é permitido conhecer. Mas J suspeita da existência de algo mais fora dali, para além da Torre em que vive, algo que não querem que ele veja. É então que começa a questionar. Qual o verdadeiro propósito daquele lugar? Por que os alunos não podem sair? E que segredos o pai está escondendo deles? Enquanto isso, do outro lado da floresta, em um internato muito parecido com o de J, uma jovem chamada K vem se fazendo as mesmas perguntas.

    Ao investigar os mistérios por trás de suas estranhas escolas, talvez os dois acabem descobrindo algo… que não deveriam.

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  • Serpentário – Felipe Castilho

    Serpentário – Felipe Castilho

    Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.

    Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.

    Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior… e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.

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  • O que aconteceu com Annie – C.J. Tudor

    O que aconteceu com Annie – C.J. Tudor

    Quando Joe Thorne era adolescente, sua irmã mais nova desapareceu. Vinte e cinco anos depois, um e-mail anônimo o leva mais uma vez ao passado: “Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo.”

    Atolado em dívidas e bem longe do vilarejo onde cresceu, Joe precisa escapar das pessoas perigosas que estão atrás dele, mas também vê a oportunidade de resolver o que arrasta consigo há mais de duas décadas. Retornar a Arnhill parece a única opção.

    Mas voltar também significa abrir velhas feridas e reencontrar pessoas e lugares que ele nunca mais pensou que veria. Afinal, alguns segredos são grandes demais — e Joe não faz ideia de onde está se metendo.

    Neste suspense de ares sobrenaturais, o leitor é carregado por reviravoltas sombrias que o deixam na expectativa até o fim. O que aconteceu com Annie é uma viagem ao lugar mais escuro de um passado que precisa ser esquecido.

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  • Areia Movediça – Malin Persson Giolito

    Areia Movediça – Malin Persson Giolito

    A vida de Maja Norberg parecia incrível: ela era jovem, bonita, inteligente e popular. Nada iria dar errado. Até que houve o tiroteio na escola: seu namorado e sua melhor amiga estão mortos e ela é a única acusada dos crimes. Maja não consegue refazer mentalmente os caminhos que a colocaram nessa situação, mas uma coisa é certa: ela é a adolescente mais odiada da Suécia.

    Após nove meses na prisão, é hora do julgamento. Os advogados estão usando todos os recursos possíveis para provar sua inocência, mas a promotoria, a mídia e os olhares de todos à sua volta nitidamente desejam o oposto.

    Narrado do ponto de vista de Maja, que trata o leitor como um confidente, Areia movediça entrelaça as memórias da garota a um cenário de tensão racial e econômica que, aos poucos, ajuda a revelar as peças de um surpreendente quebra-cabeças. Panorama perspicaz de uma juventude desmoronando, o livro toca em temas como imigração, conflito de classes e o isolamento adolescente, embalados por uma ótima narrativa de crime e tribunal.

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