resenha

O Herói das Eras – Brandon Sanderson

23 maio 2017
Informações

O Herói das Eras

Brandon Sanderson

LeYa

série Mistborn: Nascidos da Bruma #3

688 páginas | 2016

4.5

Design 4

História 5

14

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O capítulo final da trilogia Mistborn, de Brandon Sanderson Após subverter a lógica dos livros de fantasia tradicional e arrebatar uma quantidade incrível de admiradores, entre eles George R. R. Martin em pessoa, Brandon Sanderson encerra a trilogia fantástica Mistborn de forma no mínimo surpreendente. Para acabar com o Império Final e restaurar a liberdade, Vin matou Lord Ruler. Mas, em consequência, poderosos terremotos causaram o retorno das trevas, e a humanidade parece estar definitivamente condenada. Resta saber como Vin poderá se livrar da culpa e reverter este cenário. A conclusão da série promete não decepcionar os leitores dos dois primeiros volumes, já que está repleta de revelações e reviravoltas, dignas dos leitores mais exigentes.

Design

Finalmente a trilogia está completa e eu posso ter em casa o panorama desenhado pelo Simonetti em casa! <3 Essa é a última vez que publico a imagem que as capas colocadas lado a lado devem formar.

Mistborn - Marc Simonetti

Eu já falei bastante do projeto gráfico da série lá em O Império Final, então você pode dar uma olhada lá para saber. De novidade aqui só os mapas de duas cidades e o Ars Arcanum que está muito mais completo.


História

Sabe quando um livro termina não necessariamente da forma como você gostaria, mas de um jeito que te deixa feliz e satisfeito com o que o autor resolveu fazer? Pois é. O Herói das Eras foi um desses livros pra mim. Apesar de que minha experiência com O Poço da Ascensão não ter sido tão maravilhosa, Sanderson conseguiu me envolver totalmente nas 688 páginas de O Herói das Eras.

Foi uma forma de fechar a primeira trilogia Mistborn que resolveu praticamente todas as pendências que Sanderson veio deixando ao longo dos livros anteriores. E o melhor de tudo é que as coisas realmente fazem sentido!

Uma das principais características do Sanderson é que ele escreve muito (ou enrola muito, se você não tiver muita paciência), em um estilo muito reflexivo e contemplativo, mas invariavelmente são as pequenas minúcias que você deixa passar que acabam sendo importantes no plano maior da construção da história.

Ele realmente cria situações que desenvolvem os personagens que ele resolver utilizar na história. Ele dá a eles propósito e intenção, mesmo que isso faça com que a história principal se estenda um pouco mais. Porque no fim das contas, tudo pelo que o personagem vai passar vai servir de conhecimento e aprendizado para a solução final das pendências e questões que ficaram nos livros.

Existem muitos segredos que são “arrastados” por toda a evolução da história, mas depois eles vão um de cada vez sendo desvendados e explicados pro leitor e você fica com aquela sensação de “como não percebi isso antes!”.

GIF - OMG

Fiquei pensando se eu tivesse lido os três livros com menos espaço entre eles, algumas coisas não teriam sido mais “óbvias” em O Herói das Eras. Mas assim, eu não costumo ficar tentando desvendar os mistérios da história antes da revelação do próprio autor (a não ser que seja um livro com algum problema de construção e que já fica na sua cara tudo o que vai acontecer. Aí não é culpa minha, não é mesmo?). Eu gosto de me sentir surpreendida. Gosto dessa sensação de descobrir junto com os personagens as soluções para os problemas.

O engraçado é que a forma como Sanderson conta a história em O Herói das Eras você fica com sensação de que é realmente o povo se preparando para o fim. Ou pelo menos tentando encontrar uma forma de evitá-lo.

Agora, não tenho como falar do livro sem de alguma forma dar spoilers dos livros anteriores, então, se você não quer perder a surpresa, tem várias resenhas no blog de outros livros de fantasia, é só dar um procuradinha. ^.~

Dois anos depois de todos os acontecimentos e batalhas que aconteceram em Luthadel e principalmente da libertação de Ruína, O Herói das Eras continua a história de Vin, Elend e dos remanescentes do bando de Kelsier.

A história é basicamente contada pelo ponto de vista de Vin, Elend, Sazed, Fantasma, e pelo kandra TenSoon, com alguns capítulos do Inquisidor Marsh, que é quando “ouvimos” um pouco da voz de Ruína também.

Luthadel agora é a cidade do imperador Elend, transformado em nascido das brumas pelas ações de Vin no final de O Poço da Ascensão. Com a libertação de Ruína o mundo está cada vez mais caótico, com as brumas aparecendo de manhã e matando pessoas. Esse é um dos mistérios da história: por que agora as brumas matam algumas pessoas que entram em contato com elas?

Os personagens estão separados em duas frentes diferentes de “conquistas”. Vin e Elend foram para Fadrex, uma das últimas cidades que ainda não fazem parte do império criado pelo jovem imperador. Enquanto Sazed e Brisa vão para Urteau, antiga cidade da família Venture, e que foi conquistada por um skaa. Lá eles precisam encontrar Fantasma, que estava investigando as ações desse novo governo.

O último pilar da história é desenvolvida por Sazed, o Guardador terrisano que perdeu sua fé desde os acontecimentos de Luthadel e se sente perdido sobre seu futuro. As partes em que a gente acompanha Sazed são bem emotivas porque dá para sentir a profunda tristeza e depressão que o personagem está passando. Suas dúvidas sobre a existência de “deus”, seu estudo sobre as diversas religiões que tem catalogadas, sua busca por uma justificativa para a morte das pessoas que amava.

Ao mesmo tempo, Sazed é o responsável pelas descobertas sobre o mito do Herói das Eras, e ele acredita que Vin é esse herói. Vin tem um pouco de dificuldade de entender/aceitar o seu papel como herói, mas finalmente consegue conciliar quem ela realmente é: uma nascida da bruma extremamente poderosa, nobre, imperatriz.

Acho que as questões de Elend, as decisões que precisa tomar para dar prosseguimento ao processo de salvar a todos, suas dúvidas sobre a posição do Senhor Soberano e se está se tornando um tirano como o ele, são muito interessantes de acompanhar.

Descobrir mais sobre a hemalurgia, mais uma forma de magia com metais além da alomancia e feruquemia, e que explica a existência dos kandra, inquisidores e koloss foi muito maneiro. O assunto da magia cruel e agressiva da hemalurgia era explicada tanto no desenvolvimento da história quanto nas entradas de capítulo que contam um trecho de diário.

Falar dele, finalmente descobrimos quem é o autor desses trechos, e olha, é bastante impressionante. Porque quando ele é apresentado, faz todo o sentido.

GIF - raava vs vaatu

O embate entre Preservação e Ruína também é muito envolvente. Mesmo que não se explique realmente de onde eles vieram ou como surgiram, a gente descobre o quanto são importantes para a formação desse universo. Como Ruína controla e faz mind tricks com as pessoas. E eu me lembrei o tempo todo de A Lenda de Korra, e da batalha entre as forças antagônicas de Raava e Vaatu.

Mas o que mais gostei foi o desenvolvimento de Vin. Apesar de ela ser a única mulher protagonista da história, eu fiquei MUITO FELIZ por toda a importância que ela tem. A forma como o relacionamento com Elend está maduro e evoluído, como há confiança e segurança entre os dois. Como são “dependentes” e independentes ao mesmo tempo um do outro.

Toda a explicação para ela ser quem é, ter os poderes que tem, TUDO faz sentido e você percebe todas as dicas que simplesmente deixou passar porque tudo era tão importante que não foi possível guardar uma pequena informação.

Sim, eu fiquei triste no final, porque não foi o happy ending pelo que eu estava torcendo. Mas olha, a jornada valeu a pena. E às vezes isso é tão ou mais importante do que nossos desejos pros personagens.

Se você gosta da forma como Sanderson descreve e constrói suas cenas de batalha vai ficar feliz em saber que o livro está recheado delas e as mais impressionantes, com certeza, são as que envolvem os koloss. Fico imaginando que o Sanderson deve encenar todos os movimentos em casa. Daria tudo por um vídeo dele se jogando e saltando e lançando moedas. XD

Não é uma série que eu recomendaria se você nunca leu nada de fantasia (porque você pode achar que todos são assim e tomar raivinha :P). São livros muito densos, lentos, cheios de informações, de construção de mundinho, de personagens profundos, intrincados, e cheios de camadas.

Mas se você gosta de uma trama mais “adulta”, com muitos meandros e viradas interessantes e surpreendentes, vale MUITO A PENA ler os livros de Sanderson.

E se você já é fã do autor e da série Mistborn, no final do ano a LeYa vai lançar a segunda trilogia! Ela se passa centenas de anos no futuro, mas dentro do mesmo mundinho dos alomânticos. Já quero. <3


Outras resenhas da série

  • o império final - brandon sanderson
  • o poço da ascensão - brandon sanderson

Até a próxima! o/

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