A capital está em ruínas. O Darkling governa Ravka de seu trono de sombras. O destino da nação parece estar nas mãos de uma Conjuradora do Sol enfraquecida, de um rastreador sem forças e do que resta do que outrora foi um grande exército mágico.
Oculta nas profundezas de uma antiga rede de túneis e cavernas, Alina está fragilizada e deve se submeter à duvidosa proteção do Apparat e de fanáticos que a adoram como uma santa. No entanto, sua esperança está em outro lugar e seus planos exigem que ela recupere as forças para sair dali o mais rápido possível. Para isso, terá de forjar novas alianças e deixar de lado as velhas rivalidades como Maly para encontrar o último dos amplificadores de Morozova.
Porém, quando começa a desvendar os segredos do Darkling, ela descobrirá um passado que vai alterar para sempre a sua compreensão do vínculo que eles compartilham. O pássaro de fogo é a única coisa que separa Ravka da destruição, mas ele pode custar à Alina o próprio futuro pelo qual ela sempre lutou.
Design
Não vou entrar em muitas minúcias sobre o projeto gráfico da série Grisha, mas eu quero dizer duas coisinhas.
Eu amo as capas da trilogia. Eu acho que toda a ambientação que você precisa para saber que está em um universo baseado em “esteriótipos” russos estão nessas capas. Os prédios com essas cúpulas de sorvete que relembram o Kremlin russo são bastante icônicos.
Além disso, eu gosto bastante do padrão cromático que vai “aquecendo” ao longo dos livros. Começa em tons de cinza, passa por uma coisa meio azulada e chega aqui, em Ascensão e Ruína, com um fundo vermelho sangue bastante chamativo.
Outra coisa que é bastante relevante pra série é o mapa que acompanha e se expande ao longo da história.
Eu sempre reforço que um bom livro de fantasia precisa de um bom mapa para acompanhar a história. A trilogia Grisha não deixa a desejar na qualidade, por mais que eu ache que tenham informações irrelevantes pra história, e outras informações que seriam importante e nem aparecem…
História
Tá, eu quero conversar sobre a Trilogia Grisha e já quero adiantar que essa é uma resenha mais questionadora do que difamadora, eu espero. E vai ter spoilers, não estou realmente me importando muito em tomar cuidado, então se você tem interesse em ler os livros, não leia esse post.
Outra coisa, eu não escrevi nada sobre os dois livros anteriores. Não tive muita paciência porque eu não estava gostando do que lia, e ficar me esforçando para escrever hate já é pedir demais. Só que com Ruína e Ascensão eu meio que fecho a trilogia, então talvez valha a pena fazer um apanhadão do que foi ler os livros da Bardugo.
Sempre fui uma pessoa altamente influenciável em diversos sentidos. Acumulei ao longo dos anos diversas séries de YAs que foram extremamente hypadas em suas “épocas”. Ano passado consegui “zerar” (e me arrepender tremendamente) a trilogia Seleção (fiz resenha do primeiro livro aqui no blog). Esse ano, decidi investir na trilogia Grisha e em qualquer outra que eu tiver fazendo poeira por aqui.
E assim, eu ainda não consegui entender muito bem qual é a da história da Leigh Bardugo.
Uma coisa eu não posso negar: o universo que ela criou é muito rico e interessante. Isso eu tenho que dar o devido valor e reconhecimento.
Agora, a história que ela criou nesse universo e os personagens que povoam eu fiquei meio que: pra quê? Nada na história de Alina Starkov me convence. NADA. E olha que ela teve TRÊS livros para tentar me vender alguma coisa de desenvolvimento ou evolução.
Tem três coisas principais que eu queria conversar nessa resenha: o universo Grisha, o Darkling e Alina.
Começando pelo universo Grisha em si
Eu achei muito maneiro toda a ambientação russa que Bardugo usou para criar Ravka. Mas sendo muito sincera, ainda assim, toda estrutura monárquica não faz sentido nenhum pra mim.
Ravka é uma nação basicamente militar. Ela tem a monarquia Lantsov, altamente corrupta e espalhafatosa, que mora nOs Alta. E você tem os dois principais exércitos que tão aí pra lutar uma guerra que em nenhum momento é realmente relevante pra história.
O primeiro exército é formado por soldados “normais”, pessoas comuns que são alistadas e não tem nenhum poder Grisha. São os pés rapados, os camisas vermelhas que provavelmente morrem primeiro em qualquer ataque.
O segundo exército é todo de Grishas. Eles sim, a elite dos soldados, com poderes surpreendentes, e que passaram a vida em uma escola voltada para que estudassem e aprimorassem seus dons. Eles são pedantes, egocêntricos, metidos, insuportáveis. Sempre tiveram regalias e são tratados como “pequenas divindades”.
O leitor sabe que Ravka tá aí fazendo guerra mas em nenhum momento eu senti a tensão ou o medo que os países vizinhos poderiam trazer.
Sabe o que realmente seria interessante? A tensão entre Grishas e humanos normais. Por que Grishas aceitam ser governados por uma monarquia sem poderes? Por que os humanos deixariam que os Grishas os tratassem como servos? Sabe aquele plot básico dos X-men dos humanos x mutantes? Pois é.
Eu sempre acho complicado quando você tem um universo onde uma parcela da população é extraordinária e a outra não. Que conflitos podem surgir daí? Ou por que as pessoas estariam de boas com o status quo do jeito que está?
Aqui na trilogia Grisha eu não consegui perceber nenhuma tensão que realmente fosse interessante ou relevante.
O Darkling
Não, sério, alguém me explica qual é a do Darkling? Porque a sensação que eu tive é que ele era simplesmente um plot de “personagem mau” que existe para a trama acontecer.
Motivação? Juro, eu não consegui entender qual era.
O Darkling tá aí a milênios e nunca antes pensou em usurpar o poder pros Grishas? Sempre ficou de boa sendo o chefe do segundo exército e servindo aos reis “comuns”?
E por que ele criou a dobra, o mar de escuridão lá? Só por que podia? Porque era uma quarta-feira e ele tava sem ter o que fazer? Qual a real tensão e comprometimento que ter o mar de escuridão cria pra história além de ser um lugar inacessível?
Aí ele resolve que depois de mil anos, ele cansou de ser bonzinho e AGORA vamos tocar o rebu, porque surgiu uma menina que tem o poder oposto ao seu? Partiu conseguiu uns amplificadores pra ela porque, sei lá, hoje é sexta e acabou o bolinho.
Por que os amplificadores não são pra ele? Ele tá tão de boas e se acha tão inalcançável que pode se dar ao luxo de criar um contraponto de poder só pra se divertir?
Sério, é tão qualquer coisa que quanto mais me questiono mas tipo PRA QUÊ eu fico.
Aliás, os amplificadores serem só pra Alina é outra coisa bizarra. No primeiro livro, se eu não estou viajando pra caramba, alguns Grishas se gabam de terem amplificadores. Mas depois isso se perde tanto na história que parece que só existem os que a Alina está procurando.
Outra, POR QUE um ser milenar, poderoso e experiente se interessaria romanticamente por uma menina de 17 anos?! Eu não consigo comprar muito essa coisa da “efervescência da juventude”, me perdoe.
No fim, fica parecendo que o Darkling só é mau porque a história tem que ser maniqueísta ao ponto de ser um confronto entre o bem e o mal.
Por fim, Alina, a conjuradora do “eu não tenho saco pra isso”
Sério, eu não consigo com a Alina. Na verdade, eu não consigo com nenhum tipo de personagem que é construído da forma como Alina Starkov foi.
Ela é uma personagem terrível para conduzir a história. Fraca, sem substância, sem profundidade. Ela é praticamente conduzida pelas situações ao longo de todos os três livros e eu não consegui ver, de verdade, nenhuma evolução em seu caráter ou em suas ações.
NENHUMA.
No começo ela acha que é só uma humana normal e sem nenhum tipo de atrativo. Aí se descobre a única conjuradora do sol a surgir em milênios. Vai pra escola dos Grishas e lá as coisas continuam tão sacais, porque é praticamente um colégio de YA contemporâneo, cheio de angústia, panelinhas, competição de quem cospe mais longe, intrigas, AI QUE CANSEIRA, e ela não quer estudar, ela não quer comer, ela não quer amigos, SOCORRO.
Aí obviamente ela é alvo de todas as atenções masculinas, todos querem Alina, ela está dividida, ela quer todo mundo, ela quer Maly, ela tá doidona pelo Darkling, ela não quer ser usada, ela quer ser usada. ARGH. ESTOI CANSADITO.
Aqui em Ruína e Ascensão ela até tenta tomar mais atitudes de “liderança”, mas é tão qualquer coisa que não passa de tentativa de mudar a “voz” da personagem para provar que ela cresceu, quando você não conseguiu ver esse crescimento realmente acontecendo. Ela não conquista as coisas que a autora diz que conquistou.
Eu não sentia nada por ela. Eu só girava os olhinhos e passava as páginas, para ter a sensação de dever cumprido com mais um hype.
E os outros personagens, são tão esquecíveis e qualquer coisa que também se morrem ou se machucam não dá pra sentir nada além de um “ah, tá”.
Os mistérios de Morozova? Qualquer coisa.
Maly ser o último amplificador? Qualquer coisa pra gerar tensão porque ele vai ter que morrer, e sério, quem se importa?!
Alina perder os poderes no fim? Qualquer coisa, porque se as trevas vão ter que morrer com o Darkling, obviamente você não pode manter a luz em um conjurador. Previsível.
E o final “feliz” é qualquer coisa que eu realmente não me importei. Eu não estava torcendo por Alina e Maly ficarem juntos. Pra mim, eles poderiam ter morrido no conflito final que TALVEZ teria sido mais interessante.
Sério. TANTO POTENCIAL “desperdiçado” em angústia adolescente e maniqueísmo.
Uma coisa que a trilogia Grisha me fez sim pensar é: eu tenho algumas séries dos idos de 2013-2017 que eu ainda nem comecei a ler. Todas elas com personagens jovens. Algumas com esse viés de fantasia ou sobrenatural. O quanto eu não vou odiar TODAS ELAS porque eu simplesmente não tenho mais a idade dos leitores pra quem elas foram escritas?
Eu realmente estou com medo de investir meu tempo nessas séries hypadas e simplesmente me sentir uma merda por não gostar do que todo mundo achou (ou ainda acha) o último salgadinho do pacote.
A trilogia Grisha me deixou com medo de ler. #fatalista
Até a próxima! o/
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