Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens-mulheres: bem-nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado.
Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres descobrindo e desenvolvendo seus talentos.
O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir doze homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável.
Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.
Design
Eu só tenho realmente uma coisa para dizer sobre o livro: mulheres sem cabeça na capa. Se você me acompanha aqui no blog, vai entender toda a minha insatisfação com esse tipo de apresentação. É só procurar por resenhas de outros romances de época.
História
É ISSO! É isso que eu sempre espero de um livro de romance de época. Isso! Tessa Dare, onde você esteve esses anos todos?! (Eu te digo onde ela esteve… na pilha de livros pra ler que eu comprei na bienal de 2015 ^.^’)

Acho que só tive tanta diversão com Sarah Maclean (resenha aqui e aqui) e Eloisa James (resenha aqui). Agora, descobri mais uma autora maravilhosa que eu quero ler TUDO que saiu por aqui.
Sei lá, nada contra Julia Quinn, que eu gosto também, mas eu tenho a sensação de que suas histórias são sempre as mesmas, os personagens, variações de um mesmo molde.
Aqui em Uma noite para se entregar eu encontrei personagens fortes e com certa profundidade, não só no casal principal, mas também no elenco de apoio.
Susanna e Bram são MARAVILHOSOS! Fortes, autênticos e independentes, mas ao mesmo tempo com aquele segredo da necessidade de carinho, aquela carência por atenção e amor. Eles tem aquele interesse romântico que não é bem o do “ódio que vira amor”, mas esbarra um pouco nesse “clichê”.
Susanna está confortável com sua vida de solteira aos 25 anos. Ela sabe que não vai se casar e tá tranquila com essa decisão. Ela cria em Spindle Cove, um balneário na costa da Inglaterra, uma comunidade que aceita e recebe jovens “problemáticas” que não se encaixam nos padrões requisitados pela sociedade. Ali elas podem se encontrar como mulheres, descobrir seus pontos fortes, trabalhar suas fraquezas, sem a cobrança da família ou da sociedade.
É um lugar seguro para todas as mulheres que precisam de “ajuda”. Por isso, a vila é praticamente toda feminina, com uma líder extremamente feminista. Em diversos momentos da história, Susanna tem um discurso empoderador sobre e para as mulheres, o quanto elas são tolhidas pelas necessidades masculinas, que são sempre colocadas acima das das mulheres.
Entra em cena o tenente-coronel Victor “Bram” Bramwell. Ele está se recuperando de um tiro que tomou durante a guerra contra Napoleão e que praticamente destroçou os ligamentos do seu joelho. Ele está sofrendo silenciosamente pela perda do seu cargo militar e quer provar que pode voltar ao seu posto de comando.
Bram tem uma questão muito forte sobre a necessidade de controle e de liderar. Ele precisa se provar como um soldado e comandante capaz o tempo todo, provar que o tiro não o “emasculou” de alguma forma. Só que Susanna entra na sua vida, e ele vai passar por uma transformação e desenvolvimento muito legal de acompanhar.
Não só ele, mas como Susanna e outros personagens que participam do romance dos dois.
Fora as cenas românticas e sensuais entre os dois, são as conversas que eles têm sobre as responsabilidades de cada um, sobre as expectativas de gênero, sobre seus passados conturbados que mais conquistam ao longo do livro. Eles se desafiam física e verbalmente. E para variar é legal ver a mulher sendo mais ativa sexualmente também.
Juntando tudo isso existe o texto e o estilo de Tessa Dare. Jovial, engraçado, sarcástico e ágil, a história vai num crescendo de diversão, sensualidade e desenvolvimento dos personagens que você simplesmente não quer que acabe. E quando acaba, você está tão satisfeito que só quer pegar o próximo livro para continuar naquele mundinho maravilhoso.
De novo, fico me perguntando porque demorei tanto para descobrir Tessa Dare. Agora é ficar de olho em promoções (me perdoe editoras tudo) e completar a série de Spindle Cove.
Até a próxima! o/
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