Vamos fazer algo diferente? Pensei em fazer um post blogueirinha, dos tempo de internet de várzea, internet moleque. Hoje eu acho que quero simplesmente escrever sobre algo que tem me angustiado ao longo do tempo.
A quantidade de vezes em que gero expectativas sobre coisas que me comprometo a (ou quero muito) fazer e simplesmente falho miseravelmente.
Você sabe o que é isso? Passa ou já passou por isso?
Há 8 anos eu criei o Parafraseando Livros como uma porta para conhecer pessoas. Na época em que tudo isso aqui era mato, eu achava que pessoas que gostavam de ler de alguma forma mágica iriam encontrar o blog e PÁ!, eu ia ficar cheia de amigxs para conversar sobre livros.
Minhas resenhas iam ser legais. Eu ia ter pessoas comentando com frequência e acompanhando o blog. Eu seria reconhecida!
Eu ia estudar sobre estruturas narrativas, tropes, gêneros literários. Eu ia saber fazer considerações inteligentes e paralelos entre diversas obras fundamentais de leitura. Eu ia ler os CLÁRGHSSICOS!

Mas né… as coisas não foram bem assim. Ao longo de 8 anos, eu conheci pessoas que gostam de livros, mas eu não sou naturalmente “a people’s person”, e não sei cultivar ou alimentar o interesse dos outros. Eu não sou expansiva, não sou extrovertida, e não saio gritando aos 4 ventos de qual fandom eu faço parte, muito menos xingo muito no twitter se alguém fala mal de algum personagem que eu não gosto.
Não causo nem gero assuntos bombantes. Sou uma mulher de 37 anos que foge de qualquer tipo de “escândalo” da internet ou da blogosfera. No fim das contas, eu não sou uma pessoa agregadora; eu sou muito mais uma pessoa espectadora.
Então, não. O blog não foi um degrau na construção de uma super network de amigos leitores. E, apesar de eu adorar isso aqui, o blog foi sim uma forma de me gerar uma montanha de angústia e culpa.
Mesmo não sendo nem de perto dedicada como muitxs blogueirxs ou vlogueirxs da blogosfera, eu me sentia (e sinto) angustiada em não ter posts frequentes no blog, por não ter uma agenda ou calendário de “colunas” ou postagens, por não ter migrado pro youtube, por não ter um podcast. Eu me sinto angustiada simplesmente por não ser uma pessoa muito legal. ^-^’
E a culpa acompanha muito disso. Porque hoje eu ainda tenho duas editoras parceiras no blog, e nunca vou entender como a Intrínseca e a Faro consideraram que era válido para elas ter o Parafraseando como parceiro.
A culpa também está envolvida com a qualidade das resenhas que entrego para as editoras. Poderiam ser melhores, mais aprofundadas, com mais referências, mais frequentes. Eu poderia fazer projetos, semanas especiais, entrevistas.
Eu poderia tanta coisa!
Mas ao mesmo tempo eu não estou podendo.
Tem dias que sinto como se tivesse perdido a mão do blog. Eu não consigo sentar e escrever uma linha que seja. Acho que só estou com o rabo na cadeira e escrevendo esse monte de mimimi infinito porque o livro A Sutil arte de ligar o f*da-se deve ter me motivado de alguma forma. E eu meio que estou cansada de pedir desculpas para ninguém. Ou pra mim mesma.
Porque na maior parte do tempo a sensação que eu tenho é que estou sozinha aqui. E tipo, isso não é um problema. A leitura é uma atividade bastante e primariamente solitária. E, talvez, eu só precise do alto da minha arrogância, jogar palavras aleatórias na tela para alimentar meu ego e diminuir o peso da culpa e da angústia por não ser aquilo que eu gostaria.
Se tem alguém lendo isso tudo até aqui, obrigada por me acompanhar nesse mergulho ao “fundo do poço”. Acho que a catarse é importante pra me ajudar a perceber minhas prioridades, do tipo: não quero e não pretendo abandonar o blog. Como eu disse, sou muito arrogante para desistir de falar pra mim mesma. Só estou me questionando recentemente para quem eu estou escrevendo e, como é prioritariamente pra mim, talvez eu não devesse assumir responsabilidades que não tenho mais condições de manter.
E talvez eu devesse simplesmente parar de me preocupar e de me culpar por não conseguir atingir metas e sonhos que eu não me esforcei tanto assim para alcançar. Talvez eu simplesmente possa ser feliz por ter a capacidade de ler pra cacete e ainda conseguir juntar frases com sentido pra dar minha opinião de bosta sobre o que li.
E, por fim, talvez, quem sabe um bom talvez, eu fosse mais realizada assim. :)

P.s.: ainda estou lendo e acumulando resenhas para postar aqui. Um dia, em breve, tão logo Júpiter alinhe com Marte, elas aparecem!
(direitos da foto de capa do post: KatarzynaBialasiewicz/iStock)

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