resenha

Um milhão de mundos com você – Claudia Gray

11 jul 2017
Informações

Um milhão de mundos com você

Claudia Gray

HarperCollins Brasil

série Firebird #3

320 páginas | 2017

3.25

Design 4.5

História 2

14

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O destino do multiverso está nas mãos de Marguerite Caine. Ela está no âmago de uma disputa multidimensional desde que viajou pela primeira vez com o Firebird, a invenção revolucionária dos seus pais.

Paul Markov sempre esteve ao lado de Marguerite em suas viagens dimensionais, mas o último golpe da perversa Triad deixou sequelas. Cabe a Marguerite enfrentar a Triad e evitar a destruição dos multiversos… sozinha. Bilhões de vidas estão em perigo. Os riscos nunca foram tão altos.

Nesta épica conclusão da trilogia Firebird, todas as certezas serão questionadas: destino, família, amor… e o multiverso será transformado para sempre.

Design

Uma coisa me chamou muito a atenção nesse último livro e eu fiquei sem saber o que aconteceu.

Desde Mil pedaços de você existe um remédio que foi chamado de Furtanoite, e permitia que um viajante ficasse mais tempo em uma outra dimensão sem utilizar os lembretes do Firebird (ou pelo menos foi o que eu entendi). Esse foi o nome utilizado nos dois primeiros livros da série.

Acontece que agora em Um milhão de mundos com você o nome do remédio foi utilizado no idioma original e chamado de Nighthief. Fui conferir se tinham mudado o tradutor, porque sei lá, outra pessoa poderia ter sugerido uma outra abordagem.

Só que não, era a mesma tradutora dos livros anteriores, então não fez nenhum sentido agora no terceiro mudar o nome do remédio. ¯\_(ツ)_/¯

De resto, já falei do projeto gráfico da série no primeiro livro, você pode dar uma olhada lá para ver minha opinião.


História

Nossa, como eu procrastinei para escrever essa resenha. Acho que fiquei tão decepcionada com o resultado final da história de Marguerite & Cia que eu simplesmente não queria sentar e escrever. (Ou pode ser também culpa de um momento estranho que eu ando passando, mas né, nunca saberemos)

Acho que o problema todo aqui é que desde o começo eu coloquei muitas expectativas na autora. Como eu falei nas duas resenhas anteriores, eu já tinha uma experiência positiva com a Claudia Gray, e isso me deixou naquela “certeza” de que “coisas boas virão”. Só que no fim das contas, não foi bem assim.

Vou tentar ser o mais sincerona sobre meus sentimentos sobre esse livro, então, já sabem, spoilers daqui em diante.

O amor de Marguerite não convence
Acho que posso começar falando que o amor de Marguerite por Paul não convence. Desculpa, Pessoa, mas não convence. Ela passa os três livros dizendo que ele é o amor da vida dela, que eles estão destinados a ficar juntos, mas é isso. Ela fala pra gente. O leitor não vê de verdade o amor deles acontecendo.

O único momento em que a gente acompanhou realmente ela se apaixonando e se entregando a essa paixão foi no primeiro livro, enquanto ela estava presa no Russiaverso. Nos três livros eu acredito que Marguerite só amou de verdade o Tenente Markov, e ela sempre se lembra dele com muito carinho e saudade.

Depois disso, a gente tem que acreditar que ela e Paul se amam porque Marguerite diz isso pro leitor. Ela diz através de flashbacks, mas que na maior parte do tempo não são para mostrar como eles estão se amando enlouquecidamente.

Não, eles servem para contextualizar alguma informação ou infodump que Marguerite quer enfiar na nossa goela, e ela envolve tudo em alguma cena junto com Paul, para que ele tenha a responsabilidade de trazer e explicar a ciência e a tecnologia. Mas amor mesmo? Só se for porque eles se beijaram depois de alguma consideração filosófica sobre árvores e o multiverso.

O que nos leva para…

Paul é quase “inútil”
Sim, para o desenvolvimento da história em Um milhão de mundos com você, Paul praticamente não faz diferença nenhuma. Ele poderia ser o catalisador no segundo livro, mas aqui, ele ainda está tão desconcertado pela fragmentação que a presença dele não fez muito pra me interessar.

Paul passa meio livro dizendo para Marguerite se afastar porque ele não tem controle dos próprios atos. Ele pode ser violento e agressivo porque sim, porque ele experimentou isso em outros Pauls. Aí ela fala “então, tá”, e a história segue, sem Paul ter feito praticamente nenhuma contribuição real. Theo é muito mais presente em toda a aventura do que Paul, o amor da vida de Marguerite.

A redenção de Theo
Ao mesmo tempo, várias versões de Theo continuam sendo más. O rapaz parece que não consegue se livrar desse estigma de ser o “capacho de vilão” na vida de Marguerite. E eu não consegui entender direito toda essa motivação do Theo.

É como se ser “bad boy” pressupõem que você tenha tendências cruéis? No fim das contas, ele só parece ser um homem amargurado porque, aparentemente, a menina que ele gosta nunca vai ficar com ele. Então ele tem inveja de Paul e prefere ser mau. Sei lá.

No Egitoverso Theo do Tríadeverso realmente mostra o seu lado cruel ao matar Marguerite a sangue frio, e eu quase tive pena dela. Mas ao mesmo tempo fica claro que Theo não ama Marguerite, mas não necessariamente a gente entende qual é a dele (ou eu não consegui pescar ao longo da história).

Teve momentos que eu até preferia que a Marguerite ficasse com o Theo no fim das contas. Ele parecia ser mais simples de entender e fácil de gostar, independente do que realmente acontece na história. Pelo menos, um dos Theos se deu bem, e um teve direito a redenção. Dos três personagens principais, definitivamente Theo é o mais interessante e com mais desdobramentos ao longo da história.

Marguerite é/ficou chata…
…e metade das coisas que ela fala são infodumps de coisas que já foram contadas nos livros anteriores, ou informações pra contextualizar coisas “tiradas da cartola” novas nessa história.

E ela reclama. Nossa como ela reclama.

 

GIF - facepalm

Reclama da indecisão sobre seu amor por Paul, sobre talvez não serem destinados a ficar juntos, sobre ele estar perdido entre os efeitos colaterais da fragmentação, sobre ter que correr atrás da Do Mal, sobre seus pais, sobre ter usado o corpo das outras Marguerites, sobre o Paul do Russiaverso que morreu…

E ela toma decisões erradas ao longo da história o tempo todo. Ela tem pais super inteligentes e super preparados, então porque ela que tem que tomar decisões sobre o que fazer?! Ela só tem 17 anos pelamordedelz!

Acho que dos três esse foi o livro mais difícil de acompanhar a narração em primeira pessoa na voz dela.

Josie é o pivô da história e nem aparece
Isso foi uma coisa que me incomodou muito desde que rolou o plot twist em Dez mil céus sobre você. O Escritório Central, a dimensão que está causando todos os problemas, perdeu sua Josie. A intenção é destruir todas as dimensões onde ela viajou, destruí-las para permitir que sua alma seja reconstruída e ela “reviva”.

Só que Josie, independente de qual universo, é uma das personagens mais secundárias da história. Ela não tem participação ou presença e inclusive ela não existe no Russiaverso (o que é maluco se você pensar direito, porque Josie é a filha mais velha. Se Marguerite nasceu do relacionamento proibido da rainha com o professor, Josie deveria ter nascido primeiro… O.O #explodindocabeça). Nesse universo Marguerite acaba descobrindo outros irmãos e ao longo da história parece sentir mais falta deles do que de Josie! Então a gente pouco se importa com a personagem, e eu acho isso tão errado.

Josie deveria ser um dos principais pilares da história e ter participação ativa em tudo que acontece!

O encontro dos clones
Uma das situações mais forçadas para que a trama desse certo foi o universo em que os pais de Marguerite não são físicos, mas biólogos/biomédicos. Aqui, o estudo deles não foi o Firebird, mas uma forma de clonagem e Marguerite tem trocentas irmãs clones.

Nada mais adequado para juntar todas as Marguerites em um mesmo universo, de forma que a Marguerite “original” pudesse pedir desculpas, levar broncas, e organizar toda a rebelião das dimensões participantes.

O engraçado é que eu achei que as Marguerites das outras dimensões pegaram bastante leve com o fato de terem sido usadas e perdido o livre arbítrio enquanto a Marguerite estava em seus corpos. Pra mim, a grã-duquesa tinha que ter “quebrado o barraco” por todas as decisões que foram roubadas dela, mas no fim ela agradece porque nunca faria nada do que Marguerite acabou fazendo.

Mas, para variar, os heróis nunca estão preparados para todas as artimanhas que os vilões tem preparadas e obviamente perdem a vantagem que conseguiram nessa dimensão…

A solução de entrar em um corpo que não está sendo usado
A gente passa os três livros ouvindo Marguerite se desmerecer como a pessoa que é de Humanas na família. Ela não entende nada direito de física, saltos dimensionais e o funcionamento do Firebird. E ela afirma isso diversas vezes, sempre relembrando o leitor que “vou vender minha arte em Búzios”.

Aí você precisa entender que fica difícil de acreditar que a super ideia de que: se uma versão “abandonou” seu corpo para ir para outra dimensão, ele está disponível para ser utilizado por um outro viajante que chegar nesta dimensão, partiu de Marguerite.

O pior de tudo é que não é um poder especial de um viajante perfeito como a Marguerite. Aparentemente qualquer viajante com um Firebird poderia fazer esse tipo de coisa. Essa super sacada faz com que o final do segundo livro passe a ser completamente sem sentido. A do Mal ficou esperando Marguerite retornar ao seu corpo original para usá-lo, através do Furtanoite. Com essa solução tirada da cartola do terceiro livro, a do Mal podia simplesmente ter ido pra dimensão de Marguerite e aprontado altas confusões.

O melhor de tudo? Ela faz exatamente isso no final de Um milhão de mundos com você, enquanto Marguerite está usando o corpo da do Mal… Então como ela descobriu que poderia fazer algo do tipo se Marguerite não comenta nada?! Por tentativa e erro?

O clímax que é feito na base da conversinha “sintam-se mal por serem maus”
Quando Marguerite descobre que todas essas andanças no multiverso são para tentar destruir aqueles que foram visitados pela Josie do Escritório Central, ela tenta convencer esses pais que não é uma ideia muito boa, mas eles ignoram solenemente e trama que segue.

Mas agora, depois que ela vê e vivencia a morte de um universo, ela volta a conversar com a versão megalomaníaca dos pais e diz que Josie ficaria muito triste com tudo o que estão fazendo. E eles concordam! Eles. Concordam.

GIF say what, excuse, WTF

Sério… uma conversinha dizendo que vocês foram muito maus e estão decepcionando a sua filha, e eles ficam de boas. Perdão pelo vacilo. Vamos isolar nossa dimensão e conviver com o luto…

Vocês não estão vendo, mas eu estou aqui, do outro lado do monitor, girando meus olhos.

O epílogo Senhor do Anéis cheio de fade in/fade out
Por fim temos o epílogo! E assim, ele ficou parecendo o final de O Retorno do Rei, com aquele monte de fade in/fade out para mostrar o que aconteceu com os diversos personagens. E eu continuei sem acreditar no romance de Marguerite/Paul ou na amizade entre ela e Josie.

No fim das contas, o melhor foi a destruição de um universo
Foi a melhor parte de toda a história, quando Marguerite vivencia e descreve o fim do Romaverso. É assustador, angustiante, e eu quase acreditei que ia dar muito ruim. Fiquei imaginando se algo do gênero realmente acontecesse com a nossa realidade, ia ser psicologicamente inalcançável. Acho que eu senti falta de mais momentos aterrorizantes como este.

<suspiro>

GIF sigh, oh god, aff

Fiquei bem triste que o resultado final não foi tão positivo quanto eu gostaria que fosse. Fiquei triste que acabei descobrindo algumas coisas que pareceram inconsistências na história. Queria ter comprado o romance, queria ter comprado melhor o motivo para quererem destruir os universos, queria que os personagens fossem mais interessantes.

Talvez eu também tenha muita culpa nessa resenha tão negativa e GI-GAN-TE. Talvez eu não esteja mais “preparada” para ler um YA com olhos tão “ingênuos” que simplesmente deixe passar coisas que me incomodam. Ou talvez eu estivesse no momento errado para realmente curtir a história de Marguerite.

Não vou desistir de Claudia Gray. Ainda tem um livro dela no universo Star Wars que eu queria ler. Vai que quando ela deriva uma história dentro de um universo já definido, ela manda melhor do que aqui na série Firebird?


Outras resenhas da série


Até a próxima!

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(Este livro foi cedido pela editora HarperCollins Brasil para resenha e divulgação no blog)

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