resenha

Corte de Névoa e Fúria – Sarah J. Maas

31 maio 2017
Informações

Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas

Galera Record

série Corte de Espinhos e Rosas #2

658 páginas | 2016

4

Design 3

História 5

16

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O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

Design

a court of mist and fury - sarah j. maasEu já falei sobre minha opinião sobre o projeto gráfico dessa série em Corte de Espinhos e Rosas. E sim, continuo achando a capa bem ruim em comparação com a arte original.

Sei lá… tenho um preconceitinho com capas de livros de fantasia que não tem algum tipo de ilustração alucinante como arte. Principalmente quando a arte pode ser algo como a Charlie Bowater faz (ela é super fangirl dessa série).

Um fato interessante sobre a capa de Corte de Névoa e Fúria. Eu só fui reparar que existe a silhueta de um casal no fundo muito tempo depois, quando já tinha terminado a leitura e estava debruçada sobre ele escrevendo esta resenha. Na imagem digital até dá para notar mais facilmente, mas na capa impressa eu acho que se perdeu um pouco na arte como um todo.


História

Corte de Névoa e Fúria estava ali, na minha pilha de livros comprados (mas que normalmente não tenho espaço para ler). Me olhando, me tentando. Até um fim de semana em que eu disse:

“Basta! É você que eu quero ler. Me leve de volta para Prythian”.

E nesse dia eu li 36% do livro. Me perdi nos personagens, me perdi na história, me perdi em toda a trama. E me odiei por ter feito isso comigo em um domingo, tendo a semana inteira pela frente e nenhuma possibilidade de levar um livro tão pesado na mochila.

Como organizar o pensamento para dizer o quão MARAVILHOSA é essa história? Como falar que Feyre é uma personagem impressionante e forte, diferente e ainda melhor do que foi mostrado em Corte de Espinhos e Rosas? Como falar que Sarah J. Maas fugiu completamente da maldição do segundo livro? Como falar sobre o amor que esse livro gera na gente e faz com que a necessidade do próximo seja tão pungente?!

Bem, vamos lá, spoilers à frente, e não, não vou evitar. Preciso ventilar todo o sentimento que essa história trouxe pra mim.

Primeiro, se em Corte de Espinhos e Rosas tínhamos algo de a Bela e a Fera, aqui tem um pouco do mito de Hades e Perséfone. Quando Rhys, o Grão-Senhor da Corte da Noite vem cobrar sua parte na barganha com Feyre, ele está levando a dama da primavera para a corte que é considerada a mais sádica e doente, que inspirou Amarantha na construção de Sob a Montanha. Me lembrou bastante de Hades levando Perséfone, filha de Deméter, para o hades.

Na minha resenha de Corte de Espinhos e Rosas eu comentei como alguma coisa no relacionamento de Feyre e Tamlin não era muito saudável. Por mais romântico e suspiros que o romance entre eles pudesse causar, existia alguma coisa um tanto estranha na forma como o Grão-Feérico se comportava em relação à humana. E fica tudo claro aqui. O melhor de tudo é que a própria Feyre que percebe isso. Sozinha.

Acho que isso foi o que mais me emocionou e envolveu ao longo do livro. Feyre percebendo como vive um amor que passou a ser uma prisão, uma ilusão. Como seu relacionamento com Tamlin, depois de Sob a Montanha e de tudo que sofreram nas mãos de Amarantha (e até mesmo antes disso), era abusivo. Como ele não era capaz de enxergar ela definhando dentro da casa na Corte Primaveril, se destruindo de tristeza e de falta de amor próprio.

Tamlin resolvia as questões que tinha com Feyre, seja por sua intromissão na forma como conduzia sua corte, seja pela forma de fazer as pazes depois de uma discussão, sempre de forma física com sexo. Ele não se importava que ela não dormia mais à noite direito, por conta dos pesadelos paralisantes que a acordavam e a mantinham presa no banheiro vomitando tudo que tivesse dentro do corpo.

Ele não percebia a tristeza que a consumia. Ele não permitia que ela tomasse decisões próprias. Ele não permitia que Feyre saísse da propriedade da Corte Primaveril. Para sua própria proteção, e para manter a consciência de Tamlin tranquila.

Gente! GENTE! Como eu sofri com Feyre durante esses capítulos. Sentir a escuridão que abraçava sua alma, agora imortal. Sentir a vontade de morrer por tudo que ela se culpava de ter feito e sofrido Sob a Montanha.

Deixo aqui meu muito obrigada a Sarah J. Maas por Rhysand. Um dos melhores personagens masculinos que eu já li em algum tempo. Acho que ele entra para o rol dos meus favoritos DA VIDA, junto com Rafe de The Heart of Betrayal (essa é outra série de fantasia que vocês precisam ler!).

Sim, eu fiquei com medo da autora forçar um triângulo amoroso aqui, mas porque eu não tinha ideia do que ela faria com o relacionamento de Feyre e Tamlin. NUNCA poderia ser um triângulo. Não da forma como tudo se desenvolveu entre os dois.

E Feyre perceber por conta própria que sim, ela amou Tamlin durante um momento de sua vida. Quando ela era a humana indefesa, faminta, solitária, desejosa de proteção e amor. Mas que agora, grã-feérica, imortal, empoderada e poderosa, tudo isso a sufoca, e mais do que uma gaiola dourada, o que mais deseja é liberdade… É LINDO!

É lindo ver como a autora desconstruiu todo o romance idealizado que ela colocou em Corte de Espinhos e Rosas. É lindo ver como ela mostra para o leitor que era um relacionamento ruim para a Feyre de agora. É lindo ela mostrar como deveria ser um relacionamento de amor, confiança, liberdade e parceria. É simplesmente lindo!

E é também angustiante. Porque ela cria diversas situações entre Rhys e Feyre que deixam a gente simplesmente frustrado por não se concretizar. A gente fica ali, desejando, “é agora!”, “agora vai!”, e nada. E NADA! Acho que isso também é delicioso ao longo das 650+ páginas.

Porque é um romance que vai crescendo e esquentando conforme os personagens começam a testar os limites. Você acompanhar o coração de Feyre se curando, se fortalecendo, para se permitir entregar, desejar, flertar, e amar como ela realmente deseja e merece. Fiquei MORTA!

Um aviso. Se você acha que pelo livro ter saído pela Galera ele é YA não se engane. Ele é definitivamente um 16+. Corte de Névoa e Fúria é mais explícito do que Corte de Espinhos e Rosas, com direito a descrição do ato sexual dos personagens. Mais de uma vez. Então se você é sensível a esse tipo de assunto, talvez a série não seja para você (mas provavelmente você já teria se sentido incomodada/o no primeiro livro…). Fim do aviso. ^.~

Fora a recuperação e desenvolvimento de Feyre, a história gira em torno de uma ameaça muito pior do que Amarantha, e que está cada vez mais próxima de destruir tudo que Prythian representa. Tem muitas páginas explicando sobre a política e a trama toda que a Corte da Noite de Rhysand está desenvolvendo para tentar salvar todas as outras.

A apresentação dos personagens secundários e companheiros de Rhysand e que são muito importantes no crescimento de Feyre. Ela aprender a acessar os poderes que recebeu de cada Grã-Senhor ao ser Refeita. A história do passado de Rhysand e como ele se entremeia com a história da própria Feyre (que passagem linda e emotiva <3). A vingança de Tamlin. E sofrimento. MUITO sofrimento.

Terminei o livro me odiando pela ideia de ter pego sem ter o próximo ainda para continuar a leitura. Terminei esse livro acreditando que se alguém pode escrever sobre um amor tão profundo como o de Feyre e Rhys, é porque ele realmente existe (eu sei, porque já achei o meu). Terminei esse livro com muitos sentimentos misturados, e desejando ter lido um pouco mais devagar para que ele durasse mais. Terminei esse livro sabendo que ele tinha se tornado um dos meus favoritos e amando Sarah J. Maas, só porque ela existe.

E amando Charlie Bowater por coisas lindas como essa. De nada.


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Até a próxima! o/

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