resenha

Em Nossa Próxima Vida – Lauren James

16 nov 2016
Informações

Em nossa próxima vida

Lauren James

harpercollins

série Em nossa próxima vida #1

288 páginas | 2016

4

Design 5

História 3

14

Compre! Amazon

Katherine e Matthew não são um casal comum. Por trás do amor dos dois estão muitas e muitas vidas, repetidas século após século. A cada vez que renascem, a presença deles muda a história para melhor, e embora a paixão entre os dois seja sempre avassaladora, a tragédia também os segue, não importa a época.

Em linhas temporais que vão do século XVIII a um futuro próximo, não tão diferente do nosso presente, Katherine e Matthew sempre se veem sacrificando suas vidas para salvar o mundo. Mas por que eles continuam voltando? Em uma jornada contra o tempo e o destino, Katherine e Matthew precisam desvendar os mistérios que envolvem seu amor antes que seja tarde demais. O que mais eles devem fazer para conseguir viver e amar em paz?

Uma estreia inesquecível, poderosa e épica, Em nossa próxima vida é um romance único, que explora a atemporalidade do primeiro amor utilizando elementos como cartas, diários, recortes de jornal e artigos de internet. A trama, ao mesmo tempo apaixonante e misteriosa, vai cativar os mais diferentes leitores, desde os de romance até os de ficção científica e história.

DESIGN

Achei esse um dos livros mais bonitos do ano. Preciso urgentemente começar a fazer a lista “oficial” para não esquecer ninguém, ou pelo menos para ter certeza que quem está na lista merece mesmo.

Para começar tem a capa impressionante, toda feita em camadas sobrepostas de imagens que, de certa forma, montam um tipo de cenário único. O efeito é tão forte que parece de verdade que a capa tem volume! Ajuda também que o título é aplicado de forma a fortalecer a sensação tridimensional.

Além disso, cada camada de imagem representa um estilo diferente de “arte” indo da metalogravura na imagem mais à esquerda (lembra os desenhos de Dürer!), passando por algo meio impressionista, até chegar em uma fotografia onde tem o casal, mais à direita.

A ocupação do título é feita em todo o centro da capa, com uma fonte sans-serif que tem os Ms e As bastante pontudos e uma altura das barras horizontais e encontros de algumas letras mais baixos, como no E, A e no P e R. Isso dá uma sensação de uma letra mais “gordinha” e mais “equilibrada”. Eu gostei MUITO dessa fonte no título!

O legal é que os outros elementos são bem menos presentes na capa, dando a oportunidade de a arte e o título realmente serem os pontos chave do livro.

A proposta da capa das camadas de imagens também está na quarta capa, mas com uma nova arrumação de cada uma das fotos, dando protagonismo para outras colunas que não estavam tão presentes na capa. A micro sinopse também se apodera de uma característica do miolo, de utilizar diferentes fontes para representar informações e tempos diferentes. O único problema aqui pra mim é o enorme retângulo branco para definir a área de informação da editora e do código de barra. O box poderia ao menos ter a largura encaixando entre as camadas de imagens…

Muito bem, vamos falar de um dos miolos com o projeto gráfico mais bem trabalhados e executados do ano. Tudo começa com uma adaptação do conceito de camadas logo na falsa folha de rosto e na folha de rosto, com organizações diferentes para as colunas de sobreposições. E elas vão se esparsando até chegar ao prólogo e o início formal da parte textual do livro.

A proposta da história é que você acompanha quatro tempos históricos distintos. Para conseguir que o leitor fosse impactado por isso, mais do que colocar o ano do trecho que você vai ler, o projeto gráfico foi pensado de forma que cada um tem sua fonte característica, o que identifica e individualiza aquele momento do tempo.

Quando estamos em 2039, o futuro, o miolo é todo escrito em uma fonte sans-serif, e ouso chutar que é a Futura. Uma fonte bastante regular e “redonda”, com uma ótima ocupação horizontal, mas que é um pouco cansativa de ler por não ter as ligações entre as letras que criam a fluidez da leitura.

miolo em nossa próxima vidana página da direita, um pouquinho de 1745, da fonte de computador e a sans-serif de 2039

Em 1745, o passado mais antigo que visitamos, a fonte é serifada, com uma altura do corpo um pouco mais baixa, todos os arcos são mais apertados, e a fonte em si parece inclusive mais bold e escura na página. Ela me lembra um pouco aqueles jornais mega antigos que tinham uma ocupação super apertada nas folhas e fazia que o texto ficasse muito blocado e pesado.

miolo em nosso próxima vidana página da esquerda, 1854, e na da direita, 1745

Já em 1854 a fonte também é serifada mas é nitidamente diferente da de 1745. Ela é verticalmente mais alongada e mais alta, dá até a sensação de certo condensado nas letras. Ela tem os arcos mais abertos, dando uma arejada na fonte e permitindo que as letras fiquem visualmente mais leves. Isso passa também uma certa noção de mais modernidade. Quando você vir uma página com os dois anos dividindo a mancha gráfica vai ficar visível a diferença.

Por último, as informações que são de 2019 tem uma grande variação no projeto gráfico, porque elas apresentam anotações dos personagens e tem letras cursivas para representar o que eles escreveram. Além dos recados, existe uma gama muito variada de tipos de conteúdos apresentados ao longo da história que tem características específicas, e foram perfeitamente criados para marcar um bate-papo digital, um e-mail, uma cópia de um jornal…

Fora isso, ainda existem as interferências do “computador” ao longo dos capítulos, que ainda tem sua marcação própria, com uma fonte que lembra as letras de um terminal de sistema de programação.

Se você acha que acabou, ainda falta comentar sobre o cabeçalho e rodapé. Aqui o projeto gráfico abriu mão de colocar o título/autor no cabeçalho para inserir um elemento muito mais interessante para ilustrar a área. Todas as páginas possuem uma linha do tempo, que vai de 1600 a 2200, e dependendo de em que ano você está lendo no momento, existe um marcador no cabeçalho, localizando você nessa linha do tempo! Esse sempre leva em consideração qual o ano está na página esquerda, e o representa lá no topo da página para você.

Sério! Muito amor envolvido nesse projeto como um todo. Se foi uma adaptação, foi muito bem feita, e os designers estão de parabéns por essa maravilha. <3


HISTÓRIA

Depois de mais de duas semanas de leitura eu ainda estou aqui, coçando a cabeça, tentando entender o que foi o final de Em Nossa Próxima Vida.

Uma das coisas mais interessantes do livro é acompanhar quatro casais diferentes, que são as “mesmas pessoas”, em períodos históricos completamente distintos, mas sempre ali na Inglaterra/Escócia.

Katherine e Matthew sempre se encontram em algum momento de suas vidas e sempre se apaixonam. Todos os seus encontros acontecem em períodos importantes para a evolução da história da civilização moderna, e eles sempre acabam se relacionando com os acontecimentos de alguma forma.

Quando comecei a leitura, que é fragmentada porque você alterna o tempo todo entre os períodos de tempo, eu fiquei um pouco decepcionada com o punch do livro. Logo na capa você já tem o “spoiler” de que todos os casais de Katherines e Matthews vão acabar morrendo/se separando (o que dá na mesma de morrer) e a sensação de ter sido “roubada” da experiência de ver isso acontecer acabou me deixando um pouco decepcionada.

Principalmente porque você meio que lê praticamente 2/3 da história e é basicamente a evolução e contratempos para o relacionamento dos diferentes casais em seus respectivos períodos históricos. O único casal que não vemos é o que só acompanhamos as trocas de emails e bilhetes de geladeira, e eles são um dos maiores mistérios do livro. E eu ficava “é agora que eles vão se separar!”, “é agora que vai dar ruim!”, e nada…

De certa forma, 1745 e 1854 servem para construir a ideia de que o mesmo casal precisa enfrentar desafios para ficar juntos, inclusive de confiança um no outro. 2019 e 2039 têm uma distância muito curta entre os anos, são os períodos onde acontecem o “verdadeiro” desenvolvimento da história, e fica até estranho como uma “reencarnação” pode ter acontecido tão rápido.

Engraçado que o casal que eu achei menos interessante, e que eu não fazia tanta questão de acompanhar, foi o mais recente. Por algum motivo, a Katherine e o Matthew do “futuro” são os mais chatinhos, porque o papel deles é tentar descobrir o que aconteceu com seus homônimos mais recentes. E todo o relacionamento dos dois não tinha a tensão do desenvolvimento, eles foram os que mais sofreram do “fatalismo” de terem que se apaixonar.

Uma coisa muito intrigante que acompanha o leitor a cada final de capítulo/sessão histórica é um comentário com cara de relatório de computador, sobre o status de evolução do relacionamento de Katherine e Matthew. E como você não vê em nenhum momento algum tipo de explicação aparecer ao longo da história, aquilo ali é a coisa mais perturbadora ao longo da leitura. Acho que fora os casais do passado, tentar entender o que eram essas instruções foi o que mais me envolveu durante o livro.

Os personagens individualmente são fofinhos. Katherine sempre é um pouco sarcástica, impulsiva e forte em todas as suas encarnações. É ela que agita a vida de Matthew, que o envolve nas situações. Apesar de contada em terceira pessoa, é visível que Katherine é o personagem principal da história, somos impactados muito mais por seus pensamentos e sua “visão” do que pela de Matthew. Ele é o cara certinho, tem aquele cheirinho de herói que quer salvar a donzela indefesa.

Não sei bem porquê, mas em alguns períodos o romance dos dois é mais crível do que em outros. É como se a época de alguma forma interferisse em se a gente consegue acreditar que existe amor, fogo e paixão acontecendo ali… Estou olhando para vocês, casal 2039!

Mas, apesar de ter um plot interessante e personagens relativamente envolventes que se repetem ao longo do tempo, o livro deixou um pouco a desejar na explicação de porque Katherine e Matthew sempre se reencontram ao longo dos anos. Ou pelo menos eu não entendi se houve alguma explicação. As informações de “computador” que aparecem no encerramento de cada capítulo só te deixam com mais curiosidade que não é muito explicada.

Quando as memórias dos diversos Katherines e Matthews começam a se fundir e eles começam a perceber que tem muito mais história acontecendo ali, o que funde de verdade é a cabeça do leitor. E quando chega o final de verdade, é meio que uma explosão de cabeça porque não chega nem perto de ser o suficiente para você se sentir satisfeito.

GIF - mind blow

Na verdade, é quase como um “gerador automático de teorias”. Quem está controlando a vida de Katherine e Matthew? Quem está por trás dos códigos de computador? Por que eles sempre renascem e se apaixonam? Apesar do final corrido e da leve frustração de não ter respostas, foi muito bom descobrir que tem um segundo livro já publicado lá fora que, em tese, deve responder todas as dúvidas. Sinto cheiro de Fringe…

Gostei muito do estilo narrativo de Lauren James que é bastante envolvente. Achei interessante ela trabalhar a história de um jeito que a Katherine de 2039 tem avós homossexuais, e é bastante natural a sua inserção durante a leitura.

No fim das contas, a experiência com Em Nossa Próxima Vida foi um misto de interessante e frustrante. Espero que a autora tenha conseguido fechar sua “duologia” de forma adequada.


Até a próxima! o/

Onde comprar: Amazon (compras feitas através do link geram uma pequena comissão ao blog ^.~)

Este livro foi cedido pela editora HarperCollins para resenha e divulgação no blog

Você também vai gostar

1 comentário

  • Responder Bruno Steians 6 mar 2017 at 14:47

    Amei a resenha! Maravilhoso!

  • Deixe uma resposta