resenha

Zac & Mia – A.J. Betts

19 fev 2016
Informações

zac&mia

a.j. betts

novo conceito

série ---

288 páginas | 2015

3.25

Design 3.5

História 3

A última pessoa que Zac esperava encontrar em seu quarto de hospital era uma garota como Mia – bonita, irritante, mal-humorada e com um gosto musical duvidoso.

No mundo real, ele nunca poderia ser amigo de uma pessoa como ela.

Mas no hospital as regras são diferentes. Uma batida na parede do seu quarto se transforma em uma amizade surpreendente.

Será que Mia precisa de Zac? Será que Zac precisa de Mia? Será que eles precisam tanto um do outro?

Contada sob a perspectiva de ambos, Zac e Mia é a história tocante de dois adolescentes comuns em circunstâncias extraordinárias.

Design

Acho que me falta a sensibilidade ou a inteligência para entender a metáfora escondida na ilustração da capa de Zac & Mia. Acho esse olho desfolhado meio assustador ou perturbador, não consigo escolher qual sentimento representa melhor minha inquietação.

Em uma primeira vista não acho que a capa me chamaria muito a atenção. Esse amarelo pálido no fundo do olho perturbador não vibra, não tem presença. A única coisa que eu realmente gosto é a fonte cursiva e nervosa no título e no nome da autora.

Engraçado que o olho bizarro tem tanta força e presença na arte que eu tendo a considerar que ele é o título, por mais esdrúxulo que isso possa parecer. O.o

É interessante também que na lombada o olho está careca! XD E uma única pétala aparece na quarta-capa, acompanhando não uma sinopse, mas um trecho relativamente longo da história de Zac, em uma mistura meio doida de fontes serif e sans serif em preto, tijolo e mostarda (porque sou sinestésica :P #mentira).

O projeto gráfico do miolo é divido em três partes: 1) Zac, 2) &, e 3) Mia, estruturalmente todas são iguais e altamente ricas em elementos gráficos.

As aberturas das partes tem as pétalas do olho bizarro e o texto do número da parte e o personagem chave na fonte do título.

As aberturas de capítulo sempre tem as pétalas, o número do capítulo e o nome do personagem responsável pelo PoV. Pena que aqui a fonte usada para o personagem já não é a mesma da arte da capa, e eu não consigo entender para quê a mudança. Ela volta a aparecer no cabeçalho que aglutina o título / autora / número de páginas.

Acho a fonte do miolo um pouco grande com uma entrelinha relativamente espaçada; particularmente eu prefiro um conjunto menor.

Em vários momentos a história é “invadida” por interferências da internet ou bate-papos ou ainda bilhetes escritos à mão. Cada um deles tem uma marcação específica visual de forma a permitir que o leitor tenha o entendimento de qual mídia está sendo emulada no livro.


História

É, eu devo ter algum amor mórbido por sicklits porque escolhi mais uma para ler. ¯\_(ツ)_/¯ Depois de A Culpa é das Estrelas acredito que a maioria das pessoas não procuraria outros livros com adolescentes com câncer, não é? Mas não eu! Tenho que ter mais sofrimento alheio na minha lista de leitura…

Em se tratando de Zac & Mia eu quase dei sorte com a história e os personagens, mas foi muito quase. Sempre tem que ter alguma coisa para dar aquela “atrapalhada básica” na construção do enredo.

Vamos de papinho? Vamos de papinho. Sei que existem diversas formas de lidar com notícias ruins, doenças, luto, mas tenho a impressão de que eu sou do tipo conformista. Eu (acho que) aceito o que foi “reservado” e tento tirar o melhor proveito sem atrapalhar o que for necessário ser feito. Fica fácil “falar” quando o máximo de problema de saúde que me lembro de sofrer foi uma cirurgia de cisto na coluna.

Dá medo? Óbvio que dá! Qualquer coisa que fuja do seu controle ou que esteja fora do seu conhecimento é assustador para caramba. Mas sabe quando eu realmente passei a ter medo da morte? Depois dos 30, depois de casada, quando levei um susto com a saúde do meu marido. Ele está super bem agora, mas o susto e o medo, não ter o controle, não saber o que fazer, estar completamente impotente?! Foram as piores coisas que eu já passei na vida.

Mas o que eu quero dizer é que sou conformista. Zac é meio conformista então foi fácil pegar na mão do personagem e entendê-lo ao longo da história. Torcer por uma cura mágica e milagrosa porque “ele merece” (e quem tem o direito de dizer quem merece ou não?). Sofrer com sua impotência mas seguir com seu apego à vida e às porcentagens de possibilidades de sobrevivência. Zac era altamente gostável.

Não posso dizer o mesmo de Mia em grande parte da história. Mia é o tipo de pessoa que sofre com raiva. Desconta no “universo” toda a raiva da injustiça a qual está sendo submetida. Todos são simplesmente sacos de pancada para seu mau humor, suas agressões verbais, suas mentiras. Mia não sofre em silêncio, ela faz com que todos à sua volta sofram com ela. E durante muito tempo eu só conseguia ver a personagem como mimada, insuportável e ingrata.

Tão autocentrada em sua própria miséria, ela não percebe o quanto magoa todos à sua volta e os faz sofrer, principalmente Zac, que transformou Mia quase em um projeto filantrópico. Até o momento em que ela percebe a merda que está fazendo e resolve tomar uma atitude.

A história de Zac & Mia é triste, comovente e irritante, mas não chega a ser “corte os pulsos” ou uma sequência de bons pensamentos motivacionais como ACEDE. A sensação de superação e de que coisas boas podem acontecer é muito maior aqui do que em seu “irmão mais velho”. Mas a irritação com Mia foi uma surpresa, já que não tive esse tipo de sentimento no livro de John Green.

A forma como A.J. Betts decide contar a história também foi interessante, seguindo exatamente o título do livro, e dividindo-o em três partes. A primeira, Zac, é contada somente pelo ponto de vista do rapaz, enquanto está internado pela segunda vez, para um transplante de medula óssea. A segunda, &, alterna entre Zac e Mia, a partir do momento em que a história dos dois finalmente se mistura. A terceira e última, Mia, é focada na jovem, tentando superar todo o sofrimento que passou e que causou.

Simpático mas triste, acho que serviu de ponto final para seleção de sicklits na minha fila de leituras. Não quero mais esse tipo de história, principalmente porque abracei a ideia que sou uma pessoa que gosta de HEA (happy ever after), por mais que eu saiba que a realidade está muito longe de ser assim.


Até a próxima! o/

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