resenha

Um Amor Escandaloso – Patricia Cabot

3 ago 2015
Informações

um amor escandaloso

patricia cabot

record

série ---

378 páginas | 2015

3.75

Design 3.5

História 4

Quando a bela Kate Mayhew é contratada como dama de companhia de Isabel, filha de Burke Traherne, o marquês de Wingate se vê numa situação complicada. Por um lado, tem consciência de que a Srta. Mayhew é exatamente o que a jovem precisa, mas, ao admiti-la em sua casa, o marquês é obrigado a controlar a atração que sente pela moça. O grande inconveniente é que o cargo que ela ocupa a impede de se tornar uma de suas amantes. E Burke vive sobre o juramento de nunca mais se casar, depois de ter flagrado a ex-esposa num ato de traição.

Já a Srta. Mayhew não consegue parar de pensar em um homem pelo qual jurou nunca se apaixonar, e esconde um escândalo do passado. Ousará a bela moça lutar contra seus desejos e os fantasmas que parecem persegui-la? O homem que frequenta seus sonhos mais despudorados e o que habita seus piores pesadelos aproxima-se cada vez mais, e ela não sabe por quanto tempo mais conseguirá suportar.

Design

Ok, vamos começar assoprando porque depois eu vou dar umas mordidas. Achei a capa de Um Amor Escandaloso muito bonita, feminina e elegante. A mistura da imagem da jovem com vestido de ombros desnudos e sombrinha fazem alusão aos vestidos que as debutantes usam em suas noites de apresentação. E a sombrinha é a “arma” usada por Kate para ameaçar Lorde Wingate.

A sobreposição da imagem com as flores também foi bem feita, criando a sensação que é uma arte só e que a modelo está realmente em um jardim. Gostei principalmente do padrão pastel e claro da imagem. Não sei se curto muito a fonte meio “desleixada” que foi usada no título, não acho que representa o estilo de escrita da época (ou até se tem que representar). Mas a fonte “romana” para o nome da autora ficou bom.

Na quarta-capa temos um trecho do livro, em um local que eu acho que deve receber a sinopse. Acho que já comentei que eu tenho uma certa preguiça de abrir o livro para ler as orelhas quando a informação que eu realmente preciso não está na quarta-capa… Mas é no tom de verde do título sobre o padrão floral e as cores claras… ficou tão elegante que dá até para relevar.

Agora minha mordida. Uma coisa que às vezes me “preocupa” nos livros de época são as referências corretas. Cada período de tempo tem uma moda e trajes característicos e muitas vezes as editoras acham que é só colocar a modelo na capa com qualquer vestido de babados e saias longas que “tá maneiro”. Eu particularmente prefiro quando os vestidos são o mais próximos da realidade possível. Não acho que é o que acontece com o vestido usado pela modelo.

Deem uma olhada nas silhuetas dos vestidos usados durante o século 19 para terem uma ideia da moda da época:

Vestidos do século 19The Pragmatic Costumer

Então, ok, posso estar sendo exigente, mas acho que mais coerência e fidelidade também são legais. Outro link que achei com bastante referência da moda da época do livro é o da Fashion Lady.

Quanto ao miolo… já falei de como o miolo do grupo Record costuma ser bem básico e padronizado, com alguns problemas na impressão (excesso e falta de tinta em várias páginas), fonte grande (com serifas que acumulam tinta), desalinhamento vertical na página, falta de cabeçalho… acho que vocês já entenderam. ^.^


História

Ah, os romances de época! *-* Eles entraram definitivamente na minha lista de escolhas “naturais” de leitura.

Dessa vez saí da fila dos lançamentos da Arqueiro e me debrucei nos da Record, que já há algum tempo lança os livros da Patricia Cabot. Para quem não sabe, é o pseudônimo da autora Meg Cabot, de Diário da Princesa e A Mediadora.

E, olha, a Meg Cabot sabe ser bastante safadinha! (hihi hohoho ^.~) Provavelmente tudo que ela não pode escrever para Mia Thermopolis, por conta da idade do público da série, ela deve colocar em seus romances de época.

Foi uma descoberta super agradável, esse lado mais adulto da Meg. Fiquei um pouco receosa porque vi algumas resenhas negativas no Goodreads, mas mesmo assim, o livro tem uma história que me agrada e personagens “padrão” do gênero.

Tudo bem que algumas situações são meio machistas, assim como em vários outros livros do gênero, mas o que eu normalmente estou procurando quando escolho um do estilo para ler não é me “preocupar” com essas questões, mas simplesmente me divertir e apaixonar pelos personagens e situações.

Quer um exemplo de situação machista? A primeira vez do casal principal não foi (inicialmente) consensual; Lorde Wingate em um momento de fúria, ciúme e paixão decide que “é hoje” e parte para cima da Srta. Mayhew. Mas ok, alguns séculos atrás, é um romance, estou me divertindo… livro que segue.

Kate (Srta. Mayhew) e Burke (Lorde Wingate) tem uma coisa importante em comum: ambos foram vítimas de escândalos que acabaram com suas reputações. Burke, por ser homem e o terceiro marquês de Wingate, vira o divorciado excêntrico. Já Kate não teve tanta sorte assim. Sem nenhum tostão e humilhada, a Srta. Mayhew passa a trabalhar como governanta na casa de pessoas que, antes de sua tragédia, eram seus iguais.

Diferente de Lorde Wingate, Kate faz questão de se manter fora do radar da sociedade londrina. Afinal a jovem sofreu muita humilhação quando perdeu tudo (família e bens), por isso mantém seu passado em segredo.

O encontro dos dois não poderia ter sido mais interessante, com Kate ameaçando Burke com uma sombrinha enquanto o Lorde tentava levar sua filha rebelde para um baile. Tudo bem que ele havia colocado a adolescente sobre os ombros… Nada mais justo do que a Srta. Mayhew surgir para resgatar uma jovem indefesa.

Burke percebe que para manter Isabel, sua filha, mais tranquila e na “linha”, precisa de Kate como dama de companhia da moça. E também é uma forma de ter por perto a jovem bela e espirituosa que chamou tanto sua atenção.

O romance dos dois começa com um certo quê de proibido, mas logo se torna algo que nenhum dos dois tem nenhum controle. As fantasias de Kate com o patrão passam a ser intensas e constantes, e o interesse de Lorde Wingate em mantê-la segura ultrapassa o nível do normal do esperado para uma dama de companhia.

Gostei bastante do desenvolvimento da história e dos personagens. Kate e Isabel são mulheres de personalidade e muito inteligentes. Burke é o homem traído que acredita que não existe amor de verdade e que perdeu seu coração. Juntos conseguem construir laços importantes e duradouros.

Também gostei muito do estilo e da narrativa também. Pensei que o foco ia ser mais na história, em toda a questão do passado de Kate e Burke, e dos “fantasmas” que voltam para assombrá-la. Mas Patricia/Meg Cabot também se dedicou a descrever muito bem as cenas românticas e os encontros sexuais entre Kate e Burke. Que não foram poucos. Destaque para a cena com o diálogo sobre o chapéu de Kate! <3

Agora, me perdoem, sei que é um livro de época e que a moda era uma coisa muito diferente no século 19, mas bigode e peito cabeludo não dá! >o<

Vou atrás de outros livros da autora. Afinal, mais romance nunca é demais. ^.~


Até a próxima! o/

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