resenha

Sal – Maurice Gee

12 maio 2015
Informações

sal

maurice gee

bertrand brasil

série trilogia do sal profundo #1

196 páginas | 2015

3.25

Design 3

História 3.5

Quando Tarl é capturado e escravizado para trabalhar no Sal Profundo, seu filho Hari promete resgatá-lo. Corajoso e inteligente, este cruza o caminho da bela Pérola e de sua talentosa criada, Folha de Chá. Hari e Pérola logo percebem que, juntos, devem descobrir os segredos do Sal Profundo. E esta longa jornada por terras ermas se torna muito mais do que uma missão para salvar Tarl — afinal, o mundo está à beira de um terror sem precedentes.

Design

O projeto da capa de Sal é interessante. Uma coisa que a Bertrand (Record) faz bem é montar as capas de seus livros. Boa parte delas são instigantes e bonitas. O lobo/cachorro da capa com esse “duotone” de roxo/verde limão chama a atenção. Se você não ler a sinopse pode até achar que Sal é o nome do animal, mas durante e depois da leitura fiquei pensando que a escolha do tema da capa não reflete de verdade a história.

Tudo bem que um dos pontos principais de Hari (um dos personagens principais) é sua habilidade de se comunicar com animais, principalmente cães, mas isso acaba ficando tão em “segundo plano” em relação a outras situações, que eu preferiria que outra linha de pensamento tivesse sido desenvolvida para a arte. Uma que envolvesse o sal literalmente, talvez. É uma capa marcante e bonita, mas que não reflete de todo o que o leitor vai encontrar.

Gostei do lettering diferenciado para o título, mas não consegui entender porque ele não foi replicado nas falsa folha de rosto e na folha de rosto. É uma arte completamente diferente, com uma fonte que lembra uma “pichação” feita com pincel e tem um clima totalmente diferente do que foi criado na capa. Para terminar, ela teve direito a vários acabamentos “chiques” ao mesmo tempo. Achei muito boa a escolha do verniz soft touch; existem áreas de verniz localizado, como a folhagem e o título; e ainda um relevo seco nas letras de Sal. Marcação de número de volume na lombada, já ganha pontos comigo, mas não tem sinopse na contra-capa… =/ Curto muito mais um preview da história do que cinco quotes de revistas/blogs estrangeiros, que não necessariamente representam alguma coisa para o público brasileiro.

Sobre o miolo… o miolo dos livros do grupo Record não costumam ter o mesmo trabalho que suas capas. Sal não foge à “regra”. Tem um miolo simples, com uma fonte grande, entrelinha meio justa, margens bem apertadas e um cabeçalho espaçoso demais. Tudo bem que ele está com as informações de título/autor e paginação todas concentradas no topo da página, mas o espaço reservado acaba sendo muito grande, jogando a mancha gráfica bem para baixo, fazendo com que a margem inferior seja menor do que as laterais e quase metade da superior. Esse certo desbalanceio da ocupação me incomoda um pouco, e eu preferia que tivesse havido um tiquinho maior de cuidado.

Por último, eu não entendo as impressoras da gráfica da Bertrand/Record. Em umas páginas o preto está tão carregado que as serifas e os olhos das letras quase se fecham. Em outras, o preto fica quase lavado, beirando um cinza. Fica parecendo que os “cabeçotes” das impressoras estão sempre sujos e não conseguem fazer um “trabalho” uniforme. O interessante é que não é só com Sal. Vários livros que tenho da editora “sofrem” com o mesmo problema. Será que é maquinário antigo, que ainda não é digital, e por isso tem esse tipo de sobrecarregamento de tinta? ¯\_(ツ)_/¯


História

Sal foi uma jornada relativamente “leve” e rápida em um novo mundo criado por Maurice Gee. Com apenas 196 páginas ele conseguiu definir e contar o “mundinho” de Hari e Pérola, criar desenvolvimento para personagens tão diferentes, e envolvê-los em uma trama interessante.

Hari é um jovem sobrevivente. Ele vive junto com seu pai Tarl na Toca Sangrenta, uma das “favelas” da cidade onde moram. Tarl tem um quê de revolucionário, ele quer libertar as Tocas do poder da Companhia. E por ter essas ideias e intenções, o pai de Hari é “selecionado” para trabalhar nas minas do Sal Profundo, um local de onde ninguém volta. Revoltado com os acontecimentos, Hari decide que vai atrás de Tarl, e vai libertá-lo da escravidão.

A Companhia é formada por famílias importantes, ricas e controladas por uma nação além mar. Uma das famílias possui e controla duas minas de Sal, responsável por grande parte do comércio e constantemente precisa recrutar homens das Tocas para manter a extração de sal. Mas quase ninguém sabe o que se minera no Sal Profundo, só que é uma viagem sem volta.

Durante oito anos Pérola foi influenciada por sua criada Folha de Chá a ver além dos muros que a Companhia envolveu suas famílias. Quando Pérola é obrigada a casar com um homem muito mais velho, e dono das minas de Sal, ela entende que chegou a hora de fugir e abandonar toda a riqueza, frivolidade e ambições da Companhia.

Apesar de Hari e Pérola terem jornadas e motivações diferentes, os dois tem algo muito importante em comum. Ambos sabem usar a “Voz”, seja porque Pérola aprendeu com Folha de Chá, ou Hari com um ancião que morava no porto. Os dois são o exemplo do início da mudança na sociedade, pessoas “normais” que passam a desenvolver as capacidades da raça dos Citadinos, conterrâneos de Folha de Chá. Juntos, os três passam a fazer a jornada para a cidade de Folha de Chá e para salvar Tarl de Sal Profundo.

O relacionamento inicial entre Hari e Pérola é muito combativo e competitivo. Hari é extremamente agressivo, beirando à selvageria, enquanto Pérola foi educada na “realeza” e possui modos e educação refinada. Eles se enxergam como inimigos e precisam passar por cima do preconceito para se enxergarem como aliados. Levando em consideração alguns comportamentos dos dois, fiquei confusa em alguns momentos em qual era a idade dos personagens. Dá a entender que Pérola está entre os 16~17 anos, então pressupus que era a mesma para o Hari.

Tive uma certa dificuldade para conseguir compreender a passagem de tempo na história, principalmente levando em consideração o mapa que faz a jornada parecer bem longa, e se menciona que o percurso foi feito em três dias, o que não faz muito sentido “geográfico”. Independente, eu gostei de Sal e de seu mundo. Maurice Gee me convenceu com as histórias de guerras e conquistas que levaram a ascensão da Companhia e a derrota do reino de Pertence. Mas não consegui entender muito qual é a intenção dos Citadinos na história, isso foi pouco desenvolvido.

A questão do relacionamento de Hari e Pérola também é bastante superficial e fica forçado com o passar da história, e apesar de você reparar no desenvolvimento dos dois personagens, a mudança de suas expectativas e visões de mundo, eu também achei muito rápido o aprendizado em utilizar a “Voz”.

Não vi muito sentido em ser uma trilogia, a história acaba sem ganchos que realmente necessitem de uma continuação. Fiquei satisfeita com o desfecho e com o resultado do final, não vejo porque precisaria de mais livros, provavelmente para contar novas histórias de novos personagens no mesmo mundo.

O livro é interessante mas não tão bom a ponto de ser meeeeega empolgante. De qualquer forma acredito que vale como uma leitura daquelas de fim de semana. Como o livro é pequeno, dá para terminar em um dia tranquilamente.


Até a próxima! o/

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