resenha

A Herdeira das Sombras – Anne Bishop

19 mar 2015
Informações

a herdeira das sombras

anne bishop

saída de emergência

série trilogia das jóias negras

480 páginas | 2014

3.75

Design 4

História 3.5

Há 700 anos, num mundo governado por mulheres e onde os homens são meros súditos, uma profetisa viu na sua teia de sonhos e visões a chegada de uma poderosa Rainha. Jaenelle é essa Rainha. Mas mesmo a proteção dos Senhores da Guerra não impediu que os seus inimigos quase a destruíssem. Agora é necessário protegê-la até as últimas consequências.

Três homens estão dispostos a dar a vida por Jaenelle. Mas há quem seja capaz de tudo para controlar ou destruir a Rainha. Conseguirá ela cumprir seu destino como detentora do maior poder que o mundo já conheceu?

Design

Já falei do projeto gráfico da série no post do primeiro volume, A Filha do Sangue. Apesar da capa ser diferente, a estrutura ainda é a mesma, então minhas considerações continuam valendo. ^.~


História

Sabem, eu meio que desisti de entender o mundo de Jaenelle. Desisti. Não me entendam mal, eu adoro tudo na série de Anne Bishop: os personagens, a mitologia, a intriga, o matriarcado decadente, mas o livro não faz sentido geográfico para mim. E aparentemente, geografia em um livro de fantasia faz toda a diferença para que eu consiga realmente ser envolvida e absorvida pelo mundinho. Em dado momento a autora descreve que os personagens estão em um Reino que fica em uma ilha. MAH OI?! O.o Eu nem sabia que tinha mar/oceano/rios em todos os Territórios! Como você vem do nada e me joga uma ilha no meio do caminho?…

Give up

Então eu desisti de tentar entender aonde os personagens estão. Porque a cada abertura de trecho de capítulo a autora coloca em que cidade/território está acontecendo a cena/ação naquele momento. Só que, assim, não me importa. Porque eu não consigo entender onde é o Inferno, onde é Terreille, onde é Kaeleer, ou quais cidades estão dentro de cada reino e vice-versa. E tipo, WHATEVER. É tanto esforço para tentar localizar cada um dos nomes que eu simplesmente pulo a marcação visual dizendo onde é.

Além disso, caraca como tem personagem nesse livro. Chega a um ponto de eu não saber mais quem é bom e quem é mau. Só quando acontece algum diálogo com o personagem que eu estou em dúvida para eu poder localizá-lo na minha tabelinha mental de BOM/NEUTRO/MAU.

Acompanhar a saga de Jaenelle, Saetan, Lucivar e Daemon é dífícil. Tanto pelos saltos temporais quanto por tentar entender os objetivos obscuros de cada personagem secundário. Dá um nó e tanto na cabeça tentando organizar todas as informações que Anne Bishop tece ao longo da narrativa. Eu acho que o livro seria muito mais palatável se fosse desenvolvido um glossário/apêndice mais robusto, explicando as hierarquias de machos e fêmeas dos Sangue, o envolvimento dos personagens, e uma certa cronologia. Eu não consegui guardar, por exemplo, se Saetan tem 1.000, 10.000 ou muitos outros mil anos.

Em A Herdeira das Sombras eu consegui identificar dois plots principais: o desenvolvimento de Jaenelle como Rainha e a busca por Daemon antes que ele se perca no Mundo Distorcido. Só que a busca de Daemon acaba ficando muito (mas muito) em segundo plano, enquanto acompanhamos o crescimento da Rainha/Feiticeira. Crescimento este que é dado em alguns saltos temporais de anos, quando acontecimentos degastantes acontecem com as pessoas que estão em torno de Jaenelle.

Precisou o livro inteiro, ou pelo menos bons dois terços, para alguém se preocupar com Daemon e tentar salvar o rapaz. Eu já não aguentava mais ver todo mundo tranquilo correndo atrás da Jaenelle enquanto Daemon percorria cidades completamente perdido e se afundando no Mundo Distorcido, se culpando por tudo que sua jovem Rainha sofreu. T^T

Pelo menos Lucivar ganhou mais espaço na história como companheiro de Jaenelle. Uma coisa que a autora ainda não conseguiu me explicar foi porque Saetan nunca ajudou seus filhos. Precisou a jovem Jaenelle aparecer no Reino das Trevas para que ele se interessasse e se mexesse para interagir com Lucivar e Daemon. O cara é O CARA do Inferno, o macho mais poderoso já existente, virou guardião e demônio, já tá por aí há muito tempo, e não pensou em dar um help pros filhos? Enquanto um era escravo em minas de sal e o outro era escravo sexual em cortes de Rainhas depravadas… bem, fazer o que. Pelo menos estão vivos e saudáveis, né não? O.o

Uma das coisas que eu não tinha conseguido pescar direito no primeiro livro era porque as Rainhas estavam decadentes, qual era o papel de Dorothea e Hekatah. O último eu ainda não consegui entender, mas além da hierarquia macho/fêmea dos Sangue, deu para perceber que existem dois principais Territórios: Kaeleer e Terreille. Aparentemente, as Rainhas de Terreille é que estão decadentes e onde os machos são tratados como inferiores e “brinquedos de prazer”. É lá que Dorothea é a governante e de onde Saetan conseguiu tirar Jaenelle.

Em Kaeleer existe um Conselho das Trevas, criado originalmente por Saetan, e as Rainhas que dominam neste Território tem um relacionamento de confiança e lealdade com seus machos. E é decisão deles ficarem ou não com suas Rainhas, sua permanência não é imposta por um Anel de Dominância como os usados por Daemon e Lucivar lá no primeiro livro.

O que Anne Bishop constrói em A Herdeira das Sombras na verdade é uma preparação para o que parece ser uma guerra futura entre os Territórios de Kaeleer e de Terreille. E envolto nisso tudo está algum objetivo secreto de Hekatah para dominar todos os Reinos. Em muito momentos ela pareceu uma vilã “boba”. Nenhum de seus planos consegue realmente dar certo, e eu não consigo enxergar o que ela pretende. Respeitando as proporções, em muitos momentos Hekatah me lembrava do Dr. Evil do Austin Power, cercado de capangas tão imbecis quanto o vilão.

Dr. Evil

Mais uma vez não consegui ver nada de erótico ou até mesmo sensual na narrativa. A história é muito descritiva em cenas fortes como de agressão, lutas, torturas, desmembramentos, explosões corporais… mas não consegui encontrar “romance” ao longo das páginas. Jaenelle pula dos 12 anos do primeiro livro para os 20 ao final deste e não consegui acompanhar muito bem essa mudança de visual. Eu continuava imaginando uma menina e não uma mulher ao longo da história. E não existe construção de interesse sexual da jovem Rainha, e ela inclusive parece ter uma certa aversão ao ato, o que é completamente compreensível, levando em consideração tudo que aconteceu ao longo dos dois livros.

Falta um livro para terminar a trilogia e eu quero Daemon de volta. Se eu senti falta de Lucivar no primeiro, agora no segundo é Daemon que quase não dá as caras. Quero entender como Jaenelle vai conduzir sua vida de Rainha com as jóias mais poderosas e quero finalmente saber qual é a de Hekatah! Eu queria entender a posição geográfica das coisas da história também, mas isso eu sei que não vai rolar de qualquer forma… =/


Outras resenhas da série

  • A Filha do Sangue - Anne Bishop

Até a próxima! o/

banner-resenha-sde

Você também vai gostar

Nenhum comentário

Deixe uma resposta