resenha

Froi: um exilado – Melina Marchetta

4 nov 2014
Informações

froi; um exilado

melina marchetta

id

série as crônicas de lumatere #2

616 páginas | 2013

3.75

Design 3.5

História 4

Três anos após cair sob a maldição de Lumatere, Froi encontrou um novo lar, ou ao menos isso acredita. Ferozmente leal a Finnikin e a rainha, Froi treinou para formar parte da Guarda da casa real, jurou proteger o reino e aprendeu a controlar seu temperamento. Mas quando o enviam à uma missão secreta no reino de Charyn, ele não está preparado para o que encontrará lá. O povo está sofrendo, e parece que existem laços sombrios de parentesco com a princesa enlouquecida que deve desmascarar. Nesse cenário desolado Froi descobrirá que existe uma canção que acalma o sangue, e ainda que custe aceitar, entenderá que há chegado o momento de parar e escutar.

Semana Fantástica iD

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Muito bem, tivemos uma leve melhoria do primeiro para o segundo livro da série, você pode ver aqui minha opinião anterior. A capa em si é um pouco mais interessante do que a de Finnikin, mas ainda mantém o mesmo padrão de espada “whatever” como arte principal. Mais uma vez, existe uma espada importante para Froi durante a narrativa, mas ela é bastante secundária para receber tanta importância como uma capa inteira. Tudo bem que temos um pseudo Zac Efron compondo a arte, mas a barbicha “mosqueteiro” era desnecessária e o personagem nem é descrito dessa forma… =/

A escolha de fonte para o título continua me incomodando, ainda é a mesma do primeiro volume. Mas o que a quarta-capa tinha ganhado de pontos comigo, em Froi ela perdeu. Mal dá para ver a textura diferenciada com a escolha cromática desse tom de “mostarda”.

Eu e o miolo continuamos de mal… O tratamento tipográfico do corpo do texto é o mesmo do primeiro volume, então, nada muda na minha opinião inicial. A diferença aqui ficou por conta das aberturas de capítulos com uma flor de lis, que confesso não entender o que tem a ver com a história de Froi.

Froi ganha pontinhos por manter o mapa de Skuldenore no início do livro, mas achei ruim que a ilustração que representava o reino de Lumatere, que existia em Finnikin, não aparece nesse volume. Existem momentos da história que se passam dentro do reino, e eu senti falta da representação para me ajudar a localizar os personagens.


história

Pessoas, como este livro é uma continuação, vou tentar não contar nenhum spoiler durante a resenha, mas de qualquer forma, leiam por sua conta e risco, ok? ^.^

Meu maior medo nessa continuação das Crônicas de Lumatere era de que a história seria focada em Froi, que não foi um personagem muito positivo no primeiro volume.

Se vocês não lembram da resenha anterior, Froi era um ladrão que Evanjalin e Finnikin encontram durante suas aventuras pelos reinos de Skuldenore e os dois assumem que o rapaz deve ser lumaterano, uma das crianças exiladas e separadas dos pais. Froi é arrastado pelos heróis e “forçado” a se tornar lumaterano ao longo da história, até ser aceito pelo grupo e passar a “reverenciar” Evanjalin e Finnikin.

Três anos depois de quebrar a maldição de Lumatere, Froi aprendeu a amar o reino que o recebeu, e passou a ser treinado por Trevanion, pai de Finnikin, para ser um dos guardas da rainha. Além disso, o rapaz trabalha para ajudar as aldeias a se recuperarem depois de tantos anos de descaso dos falsos governantes.

Fiquei um pouco surpresa com a forma que a história começa a ser guiada, porque me decepcionei um pouco com o tipo de governo que a rainha e Finnikin passam a ter no reino. Algo como uma busca por vingança do que foi feito com Lumatere e de que os fins justificam os meios. Froi se torna um dos principais assassinos treinados no reino, e depois de muita deliberação e planejamento, é enviado para o país que foi o responsável pelos Cinco Dias do Inominável e por todo sofrimento de Lumatere. Froi deve matar o rei de Charyn e toda sua descendência.

Só que assim como Lumatere estava fechada para seu povo por uma maldição, Charyn também tem sua cota de sofrimento. O Reino é praticamente um deserto árido, com poucas chuvas ao longo do ano, um povo agressivo e belicoso, e sua própria cota de maldições.

Um pouquinho de explicação sobre a história de Charyn. Antes mesmo da maldição de Lumatere, no dia do nascimento da princesa, o reino também caiu em um feitiço que impediu que crianças nascessem dali em diante. Ao mesmo tempo, uma profecia dizia que ela seria responsável por quebrar a maldição, gerando o herdeiro se se deitasse com um caçula do reino.

Passamos bons ⅔ da história acompanhando Froi em sua tentativa de encontrar o rei de Charyn, enquanto finge ser um dos poucos caçulas que ainda não “esteve” com a princesa. Enquanto enrola a moça, ele vaga pelo castelo de Citavita, descobrindo mais sobre a realeza conflituosa e até mesmo sobre o seu próprio passado.

Melhor do que o primeiro volume da série, os personagens de Froi, inclusive o protagonista, são muito mais interessantes e profundos. E também bastante confusos. Passei boa parte da história tentando entender a dinâmica da princesa (que parece ser esquizofrênica), dos gêmeos de Abroi e da amante do rei. Tentando descobrir as intrigas palacianas e das cidades que fazem parte de Charyn.

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Um dos meus medos era que Froi não conseguisse tirar a impressão ruim que me deixou no primeiro livro, mas seu comprometimento com a causa de Lumatere, e sua dedicação para não decepcionar sua rainha são bastante convincentes. Quintana/Reginita, a instável princesa de Charyn, é outra personagem complexa e sofrida, que ganha maior presença do meio para frente.

Além da história de Froi, o outro terço da história é para contar o que está acontecendo em Lumatere enquanto ele está comprindo as ordens da rainha e de Finnikin. A fronteira do reino com Charyn virou local dos refugiados do reino em ruinas, e é onde ocorre um grande confronto ideológico entre os dois povos. Em muitos momentos é tangível o quão racistas e xenófobos os lumateranos são em relação aos vizinhos, e isso me deixou com uma impressão ruim da história. Eram, em boa parte, capítulos tristes e revoltantes porque mostravam um lado bem ruim do povo de Lumatere, que no primeiro livro parecia ser bastante diferente.

De toda forma, fora a parte levemente confusa do início, a história se torna envolvente e tensa o suficiente para você ignorar o peso do livro e a quantidade de páginas.O fim é bastante impactante e me deixou interessada em ler o último volume da série. Espero que Melina Marchetta consiga, em seu último livro desta série, finalmente me conquistar, como conquistou a resenhista que sigo no Goodreads.


Até a próxima! o/

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1 comentário

  • Responder EMIELIMARTINS@HOTMAIL.COM. 18 out 2016 at 18:01

    O LIVRO É BEM INTERESSANTE, SÓ É DIFÍCIL DE MANUSEAR DEVIDO A QUANTIDADE DE FOLHAS… MAS ESTOU LENDO UM POUCO A CADA DIA ( POR FALTA DE TEMPO TAMBÉM ) E GOSTANDO DA HISTÓRIA. AFINAL , QUEM É NA VERDADE , O ENIGMÁTICO ” FROI ” ? RECOMENDO O LIVRO…

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