resenha

Finnikin: O Guerreiro – Melina Marchetta

29 out 2014
Informações

finnikin: o guerreiro

melina marchetta

id

série crônicas de lumatere #1

424 páginas | 2012

3.5

Design 3.5

História 3.5

Aos nove anos de idade, Finnikin está no alto da rocha das três maravilhas com o Príncipe Balthazar e Luciano, seus melhores amigos. Juntos firmam um pacto de sangue para proteger seu reino, Lumatere. Mal sabem eles que em seguida ocorrerão os “cinco dias do inominável”, durante os quais a família real é brutalmente assassinada, um rei impostor assume o trono e uma maldição cai sobre aqueles que permanecem entre os muros do reino. Os que fogem ficam fadados a vagar como exilados.

Dez anos se passam, e Finnikin é chamado para se encontrar com Evanjalin, uma jovem noviça com uma afirmação espantosa a fazer: Balthazar, herdeiro do trono, está vivo, e ela pode encontrá-lo. Será que, depois de tanto tempo, ainda há esperança para Lumatere e seu povo? A verdade surpreendente por trás dessa história colocará em prova a fé de Finnikin em si próprio e no seu destino.


Semana Fantástica iD

Design

Fiquei um pouco decepcionada depois de terminar de ler Finnikin e perceber que a capa em si não “representa” em nada todo o contexto da história. É só um fundo meio lúgubre, que deve representar a maldição de Lumatere, e uma espada com características que seriam próximas da do pai de Finnikin. Mas não é uma daquelas capas impactantes que fazem você ficar “Oh! Preciso pegar para ver qual é!”. Olhando no Goodreads as edições que já foram lançadas do volume, nenhuma delas realmente conseguiu ter essa pegada, e como a capa da iD é uma adaptação da original…

Também não curti muito a escolha de fonte para o título do livro. Ela tem um estilo meio de bico de pena sobre papel texturizado… mas não achei que combinou muito com todo o tema. Acho que se seguisse o mesmo padrão da fonte do nome da autora teria mais presença e força na construção da arte da capa. Achei que a quarta-capa ficou bem mais interessante em relação ao projeto como um todo. Talvez se o padrão da quarta-capa tivesse sido usado para criar toda a identidade, teria ficado mais original e interessante visualmente.

Eu e o miolo da iD temos uma certa animosidade. Vocês podem ver pelas resenhas dos outros livros da editora que já postei aqui no blog que sempre tem algum probleminha que me incomoda e tira pontos do projeto. Apesar de o miolo estar completo para o que eu gosto de padrão de conteúdo – tem cabeçalho, rodapé, uma boa ocupação da mancha gráfica na página, abertura de capítulos estilizadas -, acho que eu descobri finalmente o que mais me incomoda. A família tipográfica que a editora costuma usar no texto e a entrelinha grande para o tamanho da fonte.

A fonte é muito “individual”, não cria uma unidade entre as letras das palavras, não fica uniforme e harmônica durante a leitura. É como se ela fosse vários “corpos” separados que foram colocados um depois do outro. Ao longo da leitura isso fica um pouco cansativo, essas quebras visuais. E o excesso de espaço entre as linhas do parágrafo também desbalanceiam o resultado final da mancha gráfica.

Ainda acho que a editora tem alguns problemas com a revisão final de seus livros, mas Finnikin acabou que tem poucos erros, que me lembre.

O melhor de tudo, na minha opinião, o livro tem mapa! Já falei algumas vezes aqui e repito, livro de fantasia sem mapa é como “cego em tiroteio”. Então, yey, que assim fica mais fácil de acompanhar a leitura.


História

Quando escolhi ler Finnikin: O Guerreiro, além do fato de ele gritar “Sou um livro de fantasia!” (logo, uma escolha óbvia levando em consideração minhas seleções literárias), foi importante ver que uma resenhista do Goodreads que eu gosto muito de acompanhar deu 5 estrela para o livro. Acreditei, obviamente, que a história deveria ser realmente muito boa para que ela desse nota máxima e, vocês precisam entender, eu respeito bastante as análises de Emily May. Só que, infelizmente, o livro não conseguiu me envolver de uma forma para que eu desse nota máxima.

Não me entendam mal, o livro é legal! Tem bastante itens que constroem uma boa história de fantasia. Mas acho que o ritmo e o background dos personagens não foram tão envolventes e quebraram minha relação com a narrativa.

A história começa com um prólogo contando superficialmente sobre os Cinco Dias Inomináveis, quando o reino de Lumatere, lar de todos os personagens da trama, foi invadido e amaldiçoado, e quando grande parte da população foi expulsa e ficou exilada do lado de fora do território. Finnikin, o personagem principal, foi criado por Sir Topher, Primeiro Cavalheiro do Rei, e durante os últimos 10 anos os dois andam de reino em reino de Skuldenore (o continente da história), catalogando os exilados lumateranos e tentando encontrar um local seguro para que as pessoas possam se reunir e criar uma nova Lumatere.

Em dado momento, eles são enviados ao Claustro de Lagrami para auxiliar uma noviça chamada Evanjalin a encontrar o herdeiro de Lumatere, que foi profetizado que seria o libertador do reino e auxiliaria a reconquista do trono. Aos três se juntam um ladrão e posteriormente o pai de Finnikin, capitão da Guarda Real, e um dos responsáveis por estimular o povo a acreditar e ter esperança de que Lumatere poderá ser libertada.

A história narra toda a aventura destes personagens através de Skuldenore e seus diferentes reinos, reunindo os exilados e se preparando para quebrar a maldição. Todos impulsionados na crença de que Evanjalin consegue caminhar nos sonhos das pessoas de Lumatere e que acredita que o príncipe herdeiro sobreviveu à invasão e precisa ser encontrado.

Evanjalin é uma personagem misteriosa e, através de seus poderes, consegue manipular todos os personagens à sua volta até o momento de uma grande revelação. Com isso ela acaba sendo alvo de certa insegurança e incredulidade, quando os homens percebem que foram, de certa forma enganados ao longo do caminho. Apesar disso, Finnikin e a noviça acabam romanticamente envolvidos, e a tensão entre os dois é palpável, mas dificilmente concretizada.

Minha questão sobre o ritmo da história se deve muito a locomoção dos personagens por praticamente todos os reinos do continente só que, da forma como a escritora constrói, não parece ter se passado mais do que três ou quatro dias durante toda a narrativa. Eventualmente ela diz que se passou uma ou duas semanas, mas no resto do narrativa, não consegui ter uma sensação concreta da passagem do tempo. E se você for olhar o mapa no começo do livro, os personagens andam MUITO. Não conseguir quantificar a passagem do tempo ou o custo do deslocamento dos personagens é estranho.

Outro problema é a empatia e o envolvimento com os personagens. Finnikin é interessante mas extremamente orgulhoso na maior parte do tempo. Evanjalin nunca parece falar a verdade e fica difícil de você simpatizar com a personagem. Froi, o ladrão, demora para ter um papel atuante na história, mas sempre que aparece no início era digno de raiva e desconfiança. Ele inclusive tenta estuprar Evanjalin… então, sem simpatia para ele até que tente encontrar algum tipo de redenção (e o segundo livro é dele… será que vai funcionar? =/). Trevanion, o pai de Finnikin, e Sir Topher não conseguiram gerar muito interesse para mim durante a história. Então fui mais acompanhando para saber como a questão da maldição de Lumatere seria resolvida do que realmente torcendo pelos personagens em si.

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E toda a questão política de Lumatere, da traição, dos “clãs” que viviam dentro do reino, da maldição, das deusas que eram uma, foram divididas, e voltam a ser uma de novo, são um tanto confusas e demoram um pouco para serem absorvidos.

Independente de tudo isso, o estilo de Melina Marchetta é envolvente. Depois que você passa pelos três/quatro primeiros capítulos o interesse pela história vai aumentando e o mistério, mais do que os personagens em si, acaba cativando.

Espero que o segundo volume consiga elevar a qualidade geral da história, porque o universo em si é bastante envolvente.


Até a próxima! o/

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