resenha

[Gataca] – Franck Thilliez

7 out 2013
Informações

[gataca]

franck thilliez

intrínseca

série ---

432 páginas | 2014

4

Design 4

História 4

14

O cadáver de uma jovem cientista descoberto na jaula de um centro de estudos de primatas, provavelmente espancado por um chimpanzé. Os restos mortais de uma família de neandertais, assassinada por um primitivo homem de Cro-Magnon, achados no topo de uma montanha nos Alpes. O assassino de crianças Gregory Carnot encontrado morto em sua cela, na cadeia. Um ginecologista especializado em genética selvagemente assassinado dentro de casa. Que elo invisível une esses crimes atrozes, cometidos com trinta mil anos de diferença? Os policiais Lucie Henebelle e Franck Sharko se lançam numa investigação em conjunto. Destroçados pelas terríveis experiências que compartilharam, devorados e estimulados pelo ódio, Lucie e Sharko seguem a trilha da Evolução das espécies, num suspense arrebatador que os conduzirá às origens do Mal.

Design

Eu acho a capa de Gataca bem impactante, com seu fundo preto e o título em vermelho, com hotstamping, aplicado inclusive na lombada. Mas não gosto da hélice de DNA com esse “motion blur” e brilho Tron-ish… Eu sei que o DNA é parte importantíssima para toda a história, mas não me agradou como resultado final.

Uma coisa que me intrigou durante toda a leitura de Gataca era a linha das bases de DNA que estão em praticamente TODAS as páginas do livro, na área do cabeçalho. Fiquei impressionada que no final Thilliez explica que ela representa os 30 mil nucleotídios do primeiro cromossomo (de 23) que temos em nossa molécula de DNA! E que só corresponderia a 15 páginas em um livro de 300 de uma coleção de 15 mil que um dos personagens da história está escrevendo! O.O

Quanto ao miolo propriamente dito, tem a qualidade de diagramação comum aos livros da Intrínseca. A fonte é ótima para leitura, e apesar do tamanho ser agradável ela meio que me enganou, sugerindo uma leitura mais rápida pela página, mas que no fim, não foi bem assim e as páginas às vezes passam devagar. Se bem que isso pode não ser culpa do projeto gráfico.

Os capítulos tem uma estrutura interessante, que segue o padrão do título, utilizando os colchetes como marcadores visuais nas capitulares. Detalhe que existe um capítulo que começa com um travessão! Ficou engraçado, mas perfeito ao seguir o projeto gráfico.

Não me lembro de nenhum problema com a revisão. Parabéns, mais uma vez, à editora pela ótima equipe de designers/revisores que tem.


História

Demorei para ler [Gataca]. Talvez por ter ficado um pouco frustrada com o autor, que em sua mensagem aos leitores no começo do livro afirma que [Gataca] é uma história independente e não precisaria da leitura de [Síndrome E] para seu entendimento. Mas acho melhor avisar que não é bem assim. Os acontecimentos são únicos, mas toda a bagagem e conflitos dos personagens vem do livro anterior, e isso fez sim falta para eu realmente aproveitar a narrativa como um todo.

A história começa com a investigação do que parece um assassinato de uma cientista, Éva Louts, que é encontrada dentro de uma jaula do centro de primatologia, com uma chipanzé suja de sangue, aparentemente a causadora da morte. Franck Sharko é apresentado como um policial que antes tinha uma alta patente e responsabilidade, mas que abriu mão de seu posto para voltar para homicídios. Aqui já começa o problema de não ter lido o anterior, já que os acontecimentos dos últimos capítulos parecem ser os responsáveis por todo o estado psicológico de Sharko e de Lucie, a outra personagem principal.

Lucie é uma ex-policial que abandonou o serviço por ter uma de suas filhas gêmeas assassinadas por Carnot, um psicopata. Seu antigo chefe vai até sua casa para avisar que o assassino foi encontrado morto dentro de sua cela na prisão, tendo arrancado uma veia importante do próprio pescoço. Lucie decide ir até a prisão para conversar com o psiquiatra que tratava do psicopata e tentar entender se havia tido algum progresso para entender o motivo de ter matado sua filha.

Franck e Lucie tem uma história, ele está devastado pelo que aconteceu com ela enquanto esta o odeia por achar que foi por sua culpa que perdeu uma de suas filhas. Quando os dois se encontram, no enterro de Carnot, Lucie percebe o quanto ele mudou e decide participar da investigação que ele está conduzindo. Afinal, a cientista encontrada morta havia ido até a prisão onde Carnot se encontrava para entrevistá-lo. Franck querendo poupar Lucie mas ao mesmo tempo sentindo a compulsão da moça em participar e querendo se reaproximar, envia-a para uma investigação paralela, seguindo os passos de Éva nas últimas semanas antes de sua morte.

Quando a busca de Lucie aponta para o roubo de um corpo de Cro-Magnon encontrado em uma montanha dos Alpes, e que provavelmente tudo tem a ver com códigos genéticos e as quatro letras que compõem nossa história genética (G, A, T, C), Franck e Lucie percebem que a investigação pode ter resultados mais doentios e sinistros do que originalmente esperavam.

Franck Thilliez abusou do que eu sequer me lembrava das aulas de genética do segundo grau. Falar sobre DNA recombinante, retro-vírus, as bases nucléicas ou qualquer outra coisa assim, foi uma puxada de memória imensa, e algumas coisas confesso que não entendi. Mas aí trabalhei minha suspensão de descrença para aceitar tudo o que ele dizia como verdade, e “é isso aí, bora resolver este mistério!”. Mais do que qualquer coisa, [Gataca] é uma história sobre a violência, raiva e vingança e como estes sentimentos podem estar tão arraigados em todos nós, espiralando em nossas moléculas de DNA, e surgindo com mais força em alguns indivíduos com características especiais.

O livro começa um pouco lento e depois, quando Lucie se envolve na investigação de Sharko, divide a narrativa entre os dois personagens e suas descobertas até reuní-los novamente. O terço final, apesar de ter uma revelação de pirar a cabeça, é muito corrido e achei que tem uma “viagem” grandona quando Lucie vem para o Brasil. Pois é, estamos representados na história, com um personagem chamado Pedro Possuelo… (sobrenome menos brasileiro que o autor podia achar… ¬¬) Mas gostei da história, os personagens são densos, tem um peso, uma bagagem e evoluem durante o livro. Se você não entende de biologia/medicina, como eu, segura na mão do autor e vai, porque sua experiência será melhor do que ficar tentando saber o quanto de tudo que ele fala é ciência de verdade.

Mas uma das coisas que vou levar de Gataca é que, se você desenrolar o DNA de cada uma das células de um único indivíduo, o comprimento total equivale à distância da Terra até Saturno, ou seja, é longe para caramba! Se isso for verdade, a complexidade da vida pode ser ainda mais inexplicável e profunda do que nós pensamos, não é?! O.O


Até a próxima! o/

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1 comentário

  • Responder Ize Chi 9 out 2013 at 10:25

    Confesso que esse é o tipo de livro que não me interessa muito. Já não sou muito chegada a conspirações (motivo pelo qual não curto Dan Brown) ainda mais envolvendo biologia (única matéria básica com a qual nunca tive afinidade).
    Apesar de seus elogios, não deve entrar na minha lista de leitura xD

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