resenha

Jogos Vorazes – Suzanne Collins

17 abr 2012
Informações

jogos vorazes

suzanne collins

rocco

série jogos vorazes #1

400 páginas | 2010

3.5

Design 4

História 3

Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes? (retirado do Skoob)

Design

Como eu já tenho os três livros da série, dá para fazer uma análise completa. Gostei bastante do projeto gráfico como um todo, começando pelo tamanho do livro. Ele é ligeiramente menor que a maioria dos livros sendo comercializados ultimamente e tende levemente a um formato “quadrado”que achei muito elegante.

O miolo é bonito, bem espaçado, com bom respiro de leitura entre as linhas. Me incomodou um pouco a proximidade dos números de página do texto, já que sobra bastante espaço no “rodapé”da página para ele.

O livro é dividido em três partes e as páginas de abertura tem um tratamento gráfico diferenciado, com grafismos mais “descontruídos”. As folhas de rosto tem um tratamento que continua a arte iniciada na capa.

A capa em si é bem interessante e forte. Os traços simples, limpos e geométrico me lembraram muito o movimento de art deco lá dos anos 1920 e também um pouco do filme Metrópolis do Fritz Lang. Além disso temos verniz localizado e relevo seco no passarinho.

É legal também reparar na escolha cromática das capas: o primeiro livro é preto, quando temos a apresentação da história e de como é um mundo sem perspectivas para o futuro, além de ser a cor do carvão do distrito 12. O segundo é vermelho, como o fogo que arde, se alastra e queima; como a Katniss, a garota quente que motiva o início da revolta dos distritos. O terceiro é azul, uma busca de paz e esperança, de calma e pureza, da certeza de dias melhores com o fim de uma guerra e de tempos tão conturbados.


História

Acho que vale começar avisando que eu me decepcionei com Jogos Vorazes. Acredito que me deixei empolgar pelo entusiasmo de alguns ótimos blogs que sigo e criei uma expectativa muito grande em cima da história. Além disso o plot principal é muito parecido com o manga Battle Royale, não adianta os fãs mais ardorosos de Jogos Vorazes dizerem o contrário. Isso não quer dizer que o livro não tenha seus próprios méritos e até qualidades.

Em um futuro alternativo a América do Norte se tornou Panem, um país-continental formado pela Capital, núcleo do governo ditatorial e centralizador, e 12 distritos aonde vive a população “normal” que sustentam a Capital com os artigos que seus habitantes necessitam. Um dos distritos mais pobres é o 12, de onde vem os personagens principais da história. Todos os anos, para mostrar a supremacia e o controle que a Capital exerce sobre os distritos, acontecem os Jogos Vorazes. Um casal de adolescente entre 12 e 18 anos são sorteados para representar seu distrito em um programa de televisão onde eles competem entre si até que só reste um jogador vivo.

A história começa no dia da colheita, que é o dia do sorteio dos tributos, no distrito 12 que produz o carvão utilizado na Capital. Katniss está na floresta no entorno do seu distrito caçando pois é ela que sustenta sua família desde a morte de seu pai em uma explosão nas minas. Esse é o primeiro ano que sua irmã Primrose vai participar do sorteio, então Katniss está confiante que ela não será um dos tributos, já que só existe um folha com seu nome. Katniss já participa com números extras há bastante tempo para receber insumos do governo. Infelizmente, o nome de sua irmã é sorteado e para protegê-la Katniss se voluntaria a ir no seu lugar. O tributo masculino sorteado é Peeta, o filho do padeiro.

Daí em diante os dois são levados para a Capital para serem preparados, apresentados para a população de Panem, treinados e finalmente jogados na arena aonde ocorre o torneio.

Antes de continuar, deixem-me comentar um pouco sobre a Katniss. Ela é uma heroína forte, independente e realista ao extremo. Não tem nada de romântica ou daquelas garotas doces/indefesas que vemos ultimamente em muito livros Young Adult. Ela é a única fonte de renda e comida de sua família. Mal comparando, ela estaria mais para Lara Croft do que para Bela Adormecida. E até agora eu não consegui decidir se amo ou odeio a personagem. Como a história é contada em primeira pessoa pela própria Katniss, nós só temos a versão dela dos fatos, e para um tema como o do livro eu acho que não foi uma escolha de linguagem que me agradasse. Eu queria saber o que estava acontecendo com os outros personagens. Eu queria que ela encontrasse logo o Peeta durante os jogos.

Apesar de Peeta ter um papel mais importante do meio para o fim da história, é com certeza meu personagem favorito, me identifiquei muito mais com ele do que com Katniss.

Voltando aos jogos. Imaginei que as mortes dos tributos teriam algum peso no desenvolver da história, mas como é a Katniss que conta e para ela pouco importa, para a gente passa a pouco importar também. O importante é vencer a qualquer custo. É sobreviver. É entrar no que o sistema espera que seja o seu papel, agradar ao máximo o público e os patrocinadores para conseguir possíveis dádivas, e fazer de tudo para não morrer. E eu não gostei muito disso. Não gostei do conformismo com as coisas. Nem do oportunismo. Nem da banalidade das mortes. Não gostei do triângulo amoroso (mesmo que existisse só na cabeça da Katniss), principalmente porque eu não criei nenhum vínculo com o Gale (o amigo de caçadas dela), e também não gostei muito dele desde o começo.

No fim, a história é interessante, o futuro distópico que Suzanne Collins criou é instigante e perturbador. A maneira como ela apresenta este futuro pelas palavras da Katniss no começo do livro é bem legal, com ela contando um pouco da história e do passado. Mas eu esperava sinceramente uma grande revolta contra o sistema. Não consegui considerar a ação que a personagem e Peeta tomam no final como uma afronta a nada e por mim nem precisaria de outros livros. Porque já que nada mudou nesse, para que prolongar mais a história.

Para não ficar parecendo que só falei mal do livro, vão umas coisas que eu gostei, além do Peeta. Suzanne Collins tem uma escrita boa e fluida. Como passamos o tempo todo “ouvindo” Katniss, foi a primeira vez que consegui identificar como era a formação de um pensamento ou raciocínio do personagem pela maneira como a autora escreve. Nunca curti muito livros em primeira pessoa em que o personagem pensa um parágrafo inteiro de um assunto. Minhas conversas mentais não costumam ser assim. São como a autora faz com Katniss: frases curtas e objetivas. (Só que ninguém suportaria uma resenha toda escrita com pontos a cada segundo. :D)

O mundo distópico que ela criou é muito crível, principalmente porque espelha a nossa sociedade em muitas coisas negativas que existem nos dias de hoje. Vejam por exemplo o extremo egoísmo e individualismo da própria Katniss. Gostei muito de a arma favorita da heroína ser um arco e flecha. É uma das armas “brancas” que eu mais admiro (junto com o bastão e as tonfas).

De qualquer forma, vou ler a série inteira. Espero poder mudar de opinião. Não foi o melhor lançamento do ano passado, e não foi tão inovador se você conhece Battle Royale. E não sei se vou fazer resenha para os livros seguintes… :/

[EM TEMPO: quando fiz minhas anotações desta resenha, eu tinha começado a ler o segundo livro. Já terminei a série inteira e não mudei muito de opinião. Continuo numa relação de amor/ódio com Katniss, e achei o último livro extremamente perturbador. Foi tão forte e negativa a impressão que ficou quando terminei de ler o terceiro que fiquei sem reação e meio pateta por quase 30 minutos. Então, se a proposta de Suzanne Collins era perturbar e chocar os leitores, ela realmente consegue atingir seu objetivo com a série Jogos Vorazes. Mas isto simplesmente não quer dizer que eu de verdade gostei dos livros.]

Até a próxima! o/

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