Helen Hamilton passou a vida inteira tentando disfarçar o fato de que é uma garota diferente, mas agora, aos dezesseis anos, isto está cada vez mais difícil. Não apenas por causa de sua força sobre-humana ou porque, sem motivo aparente, pessoas estranhas simplesmente a atacam, mas também porque ela teme que esteja perdendo o juízo. Pesadelos recorrentes com uma estranha viagem pelo deserto e visões de três mulheres derramando lágrimas de sangue a têm atormentado noite e dia. Ao mesmo tempo, um impulso inexplicável passa a dominar seus pensamentos: Helen quer matar Lucas, um dos rapazes da glamorosa e misteriosa família Delos. À medida que descobre mais sobre sua verdadeira origem, ela percebe que a relação dos dois está submetida não só à sua vontade, mas a forças muito antigas.
História
2014.
Eu tenho Predestinados desde 2014. Só pra você ter uma ideia de como eu acumulo livros ao longo desses anos. Uma forma que eu achei de dar uma mexida na minha “estante” foi pedir ajuda dos leitores do blog nas redes sociais. Assim, eu jogo a responsabilidade de escolha em você e na sorte.
Ou seja, no Instagram e no Facebook eu jogo a #VcqManda e três opções de leitura. A da vez foi, felizmente, Predestinados.
“Como assim, Samara?! VOCÊ?! Gostando de um YA?!” O.O
Pois é, Pessoa. Isso ainda é possível.
Fiquei pensando se na verdade meu ranço com o gênero tem mais a ver com os livros contemporâneos, que não tem um viés fantástico ou sobrenatural. Porque eu me diverti BASTANTE aqui em Predestinados.
Tinha angústia? Até tinha, porque Helen é um pé no saco em alguns momentos, principalmente no início e apresentação do mundinho. Mas tinha o mistério sobre sua real identidade, sobre porque ela odeia a família Cullen, ops!, Delos. :P
Tem o instahate/instalove. Tem as pessoas mais bonitas do universo transitando na vida de Helen, que aparentemente se acha terrível, mas não é bem assim.
Não posso dizer que é cliché, mas com certeza são plots que a gente já viu por aí algumas dezenas de vezes, e curtiu (ou não) essas dezenas de vezes. São situações que foram muito exploradas desde Crepúsculo (que não tem resenha no blog, mas tem do seu derivado Vida e Morte), e considerando a diferença de pelo menos cinco anos de publicação entre os dois livros lá fora, é bem normal encontrar certas similaridades.
Mas sabe o que não teve aqui, e eu agradeci pela autora ter evitado colocar em sua história? Slut shame, competição de meninas por um carinha só, triângulo amoroso.
As meninas se gostam e são realmente amigas umas das outras. Elas se dão suporte, brigam e fazem as pazes, se importam e se apoiam. É muito bom, pra variar, verem meninas sendo felizes na companhia umas das outras.
O romance é realmente entre duas pessoas que estão focadas em serem um casal. Tudo bem que tem toda uma trama meio shakespeariana de Romeu e Julieta, que dá um pouco de “neuvoso”, mas ainda assim, é melhor que um triângulo. E por isso, o romance é cozinhado ao longo de todo o livro, e te deixa naquela mini-tensão de “quando vai rolar?!”. Isso é uma construção que eu curto, por mais que o início tenha sido um pouco baseado no instalove.
Predestinados tem todo um plot baseado na mitologia grega, mais especificamente, na guerra de Troia. A autora pega um pouco livremente acontecimentos narrados na Ilíada/Odisseia, e personagens icônicos da guerra, e os traz para nossa época, envoltos em uma trama de promessas, traições e maldições, que atravessa séculos.
Toda a construção da justificativa da existência dos semideuses, a genética da coisa, a estrutura de divisão das casas, os deuses patronos… tudo é muito bem elaborado e mostrado na história. Diversas informações e questões que são lançadas são resolvidas aqui mesmo, e é um certo alívio não ter que carregar um monte de perguntas para livros posteriores.
Agora, falando dos personagens em si. Comentei que Helen é meio pé no saco, mas é porque a autora tenta “diminuir” a personagens em sua magnitude para que haja algum tipo de identificação com a leitora. A leitora mesmo, porque eu imagino que a tendência é que esses livros tenham um foco TOTAL voltado para o público feminino, né? Então se a protagonista for inatingível logo no começo, como você cria empatia entre leitor/personagem?
Lembram da sem gracinha da Bella Swan? Pois é. Fazendo escola.
Mas ainda assim, conforme Helen se relaciona com os outros personagens ela vai ficando mais interessante ao longo das páginas. Ela é meio cabeça dura e irritante em alguns momentos, mas o relacionamento com os coadjuvantes ajuda a fazer com que ela cresça. Apesar de até o fim ela continuar se diminuindo de alguma forma.
MAS! Para variar, Helen é a semideusa mais poderosa que o clã Delos já encontrou, because of reasons (você sente um leve aroma de Mary Sue? Bem suave, mas sente?). Ninguém sabe de qual casa ela é originalmente, nem de que deus ela pode ser descendente, mas só porque eles descobriram dois poderes dela, ela é SINISTRA! Tá, vamos em frente.
O outro personagem mais importante é Lucas, e ele é o único que não tem um nome diretamente vindo dos mitos gregos, e tem explicação pra isso. Ele é o típico cara perfeito que todas querem. Dedicado, amoroso, romântico, mas sem ser abusivo ou intrusivo. Ele ouve e sempre conversa com Helen. Ele está interessado. Mister perfeição? Pois é. E eu falei que ele é lindo?
Mas você fica torcendo pelos dois. Porque eles são muito fofinhos e bonitinhos pra não ter uma chance juntos.
ÓBVIO que tem angústia no meio da parada, que eu dei aquela leve giradinha nos olhos, mas aqui até achei que foi interessante para o desenvolvimento da história.
Quando o livro se direciona para finalmente colocar a “aventura” em movimento eu curti bastante as explicações dos mistérios, a introdução de alguns personagens, a traição de outros. Tem coisas previsíveis, mas eu não estava esperando altos plots twists. Eu só queria me divertir com os acontecimentos e chegar a um final satisfatório.
Assim, como eu falei, tem muitas estruturas de plots que a gente já viu em Crepúsculo, Cidade dos Ossos, Fallen… são todos livros “contemporâneos” em época de publicação, e não tem como fugir de certos plots que acabam virando construções “default” do gênero.
Mas eu ainda prefiro quando o YA está amarrado e envolvido em um bom plot de fantasia e sobrenatural do que quando só acompanha uma angústia sem fim de corredores de escola cheios de adolescentes hormonais.
Agora… vamos a algumas verdades!
Se você se interessou pelo que falei até aqui e tá pensando “Olha! Vou comprar esse livro aí!”, um aviso. A Intrínseca só lançou o primeiro volume da trilogia, então pra continuar a leitura, só comprando em inglês.
Confesso que fiquei com vontadinha de continuar a leitura dos outros dois da trilogia. Mas depois de ler as sinopses e alguns reviews no Goodreads, muito provavelmente vou ficar só com a satisfação de ler o primeiro livro.
“Mas Samara, você não vai saber como termina a história de Helen e de Lucas!”
Bom, eu posso procurar por spoilers na internet. E eu prefiro terminar sem ter que passar pelo desastre da “maldição do segundo livro”, quando os autores destroem tudo de bom que fizeram no primeiro. Prefiro ter a sensação de que, sim!, existem YA que são divertidos e valem a pena ler.
Eu não estou “perdida” para o gênero. \o/ Não estou tão velha assim. ^.~
Até a próxima! o/
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