As Mil Noites – E.K. Johnston

Compre na Amazon
Livros em oferta na Amazon

Minha Wishlist

Tenho uma wishlist de livros na Amazon! Quer ver no que estou de olho ou mandar um presente? Acesse aqui!


Categorias

Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças…

Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.

Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei…

design

Acho que eu já tenho que começar a fazer minha lista dos livros mais bonitos do ano, porque As Mil Noites precisa estar nela. Tudo bem que a arte não é original da Intrínseca, mas é tão maravilhosa que vale analisar como se fosse porque, afinal, tem todo o trabalho de adaptação.

Uma das coisas mais lindas dessa capa é o padrão cromático. Porque esse púrpura/roxo misturado com o verde-água e com os dourados é muito lindo, e me remete demais àquele momento do dia que ainda não é noite noite, mas o sol já se pôs, sabem? Em que tudo fica meio arroxeado no céu. Acho que é meu horário favorito do dia, porque o céu fica muito feminino e ainda mais bonito. Me faz pensar na deusa grega Nyx…

Não sei muito bem qual é a da pena na capa, porque sendo muito sincera, não lembro de ter nenhum elemento relacionado na história. Só se faz alguma alusão à liberdade perdida por todas as moças na história… #inspirada

Outra coisa linda da capa. Por mais que eu particularmente não curta muito essas frases vendedoras competindo com os outros elementos, a de As Mil Noites não está “agredindo” o layout e ainda tem um detalhe a mais. A fonte que escolheram para o texto me remete demais a livros de contos de fadas ilustrados e mega antigos. Sabem quando os filmes da Disney começavam com um livro aberto e a frase “em um reino distante…”? Então! Essa fonte me lembra bastante as usadas nesses livros!

Disney's Cinderella

Abertura de Cinderela. A fonte aqui é um pouco mais gótica do que a da capa de As Mil Noites, mas acho que deu pra entender o que eu quis dizer.

Em oposição a essa fonte mais “vintage” e cheia de recordações, o título e o nome da autora foram escritos com fontes muito mais modernas, a sans-serif Futura, e em caixa alta. Detalhe para o cuidado em colocar um arabesco da pena formando o O da palavra “noites”. <3

Mais coisas maravilhosas! O hot stamping dourado permeando todo o projeto, desde a capa (no título e no nome da autora), lombada (em um elemento floral), e na quarta capa em toda a sinopse, que ok, não é bem uma sinopse. Mas está LINDO! E na quarta capa ainda tem o castelo de Lo-Melkhiin em uma noite estrelada! MORRENDO AQUI. Arrematando tudo isso, acabamento de soft touch para ficar bem engorduradinho, mas que dá toda uma qualidade sensorial ao livro.

E vocês acham que acabou?! Na parte interna da capa, além de uma chapada de roxo, ainda tem uma aplicação de um padrão que lembra muito as texturas e padrões árabes, usadas em mosaicos e naqueles portais dentro de castelos, sabem?

intrinseca_mil-noites_pattern

Agora o miolo. Ah, Pessoas, o miolo é de uma beleza tão delicada e elegante que só vendo. Existem duas estruturas de miolo, uma para os capítulos onde a protagonista está avançando a história, e outra para quando o “demonho” de Lo-Melkhiin conta um pouco sobre sua vida/imortalidade.

Nos capítulos da protagonista, as aberturas apresentam o padrão árabe na parte superior, o número do capítulo escrito por extenso na mesma fonte de livro de conto de fadas da capa (<3), e uma capitular sutil que se estica para as letras seguintes. A ocupação das páginas é muito boa, com margens equilibradas, uma fonte muito delicinha de ler (adorei essa Bartira, ela tem um Q maravilhoso) e ótima entrelinha.

Já nos capítulos do “demonho” algumas coisas são diferentes. O padrão ocupa mais verticalmente a parte superior da página, o número do capítulo é marcado em numerais romanos, a capitular realmente está presente marcando o início do primeiro parágrafo e é em uma fonte linda!, e todo o texto é em itálico, para visivelmente mostrar que é outra pessoa que está contando a história naquele momento.

Sério. Lindo DE-MAIS!


história

Sabem poesia em prosa? É o que eu senti enquanto lia As Mil Noites. A história contada pela jovem sem nome que se sacrifica em nome do amor que sente pela irmã é simplesmente feminina, poética e bela, ao mesmo tempo que é envolvida na força da fé e do amor que permeia as personagens do livro.

É uma história de mulheres e homens anônimos que vivem sob o jugo de um rei que fez sua nação prosperar às custas das mortes de centenas de jovens que casaram com ele.

Um dos únicos personagem que é nomeado em As Mil Noites é Lo-Melkhiin e vemos sua história por dois pontos de vistas: pelos olhos da última jovem que ele “pega” para esposa, e pela visão do “demonho” que possuiu seu corpo.

As Mil Noites é uma história sobre amor fraternal, auto-sacrifício e sobre como existem dois grandes poderes que se equiparam e se equilibram, mas que podem ser desarmonizados se um deles for mais ganancioso.

É uma história sobre o feminino e o masculino. Sobre criação e destruição. E sobre como tudo isso poderia (e deveria) ser balanceado e equilibrado para trazer paz e prosperidade. É uma história também sobre o poder do deserto e da natureza, de como ela pode ser implacável e bela ao mesmo tempo. Nas descrições da autora você consegue perceber a areia, o poder do sol, e o valor da água.

Existem várias histórias sobre Lo-Melkhiin, de como ele era um grande caçador que acabou se tornando uma outra pessoa depois que foi possuído por um demônio. E esse demônio que está dentro do corpo do rei se fortalece ao ver seu sofrimento quando mata cada uma das esposas que entraram em seu qasr. Eles dividem o mesmo corpo, e o verdadeiro Lo-Melkhiin não consegue lutar para se livrar da influência do demônio e é mantido em constante tormento por ser um prisioneiro dentro do próprio corpo.

Todas as cidades e aldeias do reino sabem que o rei pode chegar a qualquer momento, exigindo a jovem mais bela para se tornar sua mais nova esposa. E todos sabem que a jovem que for levada estará morta em pouco tempo. Suas famílias irão erguer altares em sua memória e a transformarão em uma deusa menor para relembrar seu sacrifício.

Uma das coisas mais importantes para a autora é mostrar o quanto as irmãs dessa história se amam. Um amor sem cobrança e despretensioso, que traz felicidade por saber que a outra está feliz. Não há inveja entre elas, e as duas sabem que sempre vão estar juntas. Até o dia que sua aldeia se torna o alvo de Lo-Melkhiin para a escolha de sua nova noiva. A Protagonista sabe que sua irmã será a escolhida e que já aceitou seu destino, de que provavelmente estará morta no dia seguinte. E isso é uma coisa que nossa heroína não pode permitir.

Ao tomar o lugar de sua irmã a Protagonista passa a ser reverenciada por sua família como uma deusa menor ainda em vida, e isso, de alguma forma, permite que ela consiga resistir ao seu marido e à morte iminente. É como se ela fosse empoderada, como mulher e como deusa menor, pela fé que sua família e as pessoas que sabem que ela ainda vive colocam nela. Isso e sua capacidade de tecer histórias sobre sua irmã para envolver Lo-Melkhiin.

Diferente da história que conhecemos de Sherazade, a jovem não conta histórias sobre personagens fantásticos, mas ela sobrevive a cada noite encantando Lo-Melkhiin com a personalidade exuberante da irmã que salvou de suas garras, e com um poder que ela não sabia que possuía. Mas apesar de entender que é isso que a mantém viva, eu não consegui perceber o tempo passando, a não ser quando a personagem dizia há quanto tempo estava sobrevivendo ao marido. Não dá para ter noção direito das “mil noites” se passando.

É interessante ver que somente alguns homens do qasr de Lo-Melkhiin tem nome, e eles foram “batizado” pelo rei por suas qualidades inatas. É como se fosse uma forma de mostrar que o poder masculino transforma os homens em pessoas que podem ser reconhecidas por seu valor e por seu trabalho.

Isso é uma coisa interessante na história. Lo-Melkhiin consegue influenciar homens que ele percebe que possuem algum potencial natural. Artesãos, sacerdotes, matemáticos. Aqueles que Lo-Melkhiin toca recebem uma compulsão incontrolável para a criatividade, que muitas vezes podem ser auto-destrutivas. E é um poder que só funciona em homens. As mulheres que Lo-Melkhiin tenta influenciar perdem sua capacidade de criar e produzir.

Como um contraponto, nossa heroína é um poder feminino de criação pela gentileza. É uma influência que extrai o melhor da criatividade sem trazer a destruição atrelada de alguma forma, como Lo-Melkhiin faz. E é interessante ver como os dois acabam percebendo que de alguma forma, para o bem ou para o mal, eles se complementam.

É uma história bem construída, com uma narrativa poética e feminina, com desenvolvimento sutil do conhecimento da jovem heroína sobre seus poderes, sobre quem é Lo-Melkhiin e aquilo que o está possuindo, que termina em um clímax interessante, mas que tem um cheiro de happy ever after, e não sei bem se é o que eu gostaria/esperaria. Os diálogos que a jovem e o rei tem são bonitos e apaixonantes, assim como a visão dela de praticamente tudo em sua vida no qsar.

Eu achei o final bem fechadinho, apesar de levemente acelerado, e não vi muito motivo para uma nova história. Só que o segundo livro se passa gerações depois da história de As Mil Noites, e talvez seja interessante ver o que aconteceu com um aspecto específico do fechamento do livro.


Até a próxima! o/

banners-resenha-intrinseca2016

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Descubra mais sobre "Parafraseando Livros"

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading