O Sol é para todos – Harper Lee

Compre na Amazon
Livros em oferta na Amazon

Minha Wishlist

Tenho uma wishlist de livros na Amazon! Quer ver no que estou de olho ou mandar um presente? Acesse aqui!


Categorias

A nova edição de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana moderna.

Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

O sol é para todos, com seu texto forte, melodramático, sutil, cômico (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações.

Com nova tradução e projeto gráfico, este clássico moderno volta à cena, justamente quando a autora lança uma continuação dele, causando euforia no mercado. Desde o anúncio de sua sequência, O sol é para todos é um dos livros mais buscados e acessados no site do Grupo Editorial Record. Já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação do presidente Barack Obama, que proferiu o seguinte elogio: “Este é o melhor livro contra todas as formas de racismo.”

-Vencedor do Prêmio Pulitzer.
-Escolhido pelo Library Journal o melhor romance do século XX.
-Eleito pelos leitores de Modern Library um dos 100 melhores romances em língua inglesa.
-Filme homônimo venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado.

Design

Laranja. Taí uma cor que invariavelmente vai chamar a sua atenção se você entrar na livraria. Foi a mesma sensação que eu tive com O Círculo, lembram? Eu gosto. Lembro que na época da faculdade, por algum motivo que não faço ideia, laranja era a cor que nos definia como “dizainis”.

Gosto também da simplicidade da arte. O foco é total no lettering do título e do nome da autora, mas ali, bem no fundo, em tom sobre tom, tem o desenho de um tordo, que é o pássaro do título original do livro. Cada elemento tem a sua hierarquia e valor, que é dado pela escolha da cor e do tamanho da fonte. E, se não me engano, é a mesma família, trabalhada com pesos diferentes e também com caixa alta/caixa baixa.

Além disso, o acabamento é com aquele verniz “soft touch” então é como se você estivesse sentindo a maciez das penas do passarinho. Eu também sempre curto essa questão “sinestésica” que é possível atingir hoje em dia com os tipos diferentes de acabamentos e verniz.

A questão aqui é a mesma de todos os livros do grupo Record: o miolo. O Sol é para todos não foge a regra do miolo relativamente fraco em relação ao impacto causado pela capa. Já comentei em algumas resenhas do grupo aqui, mas os problemas são os mesmos: fonte grande, sem cabeçalho, impressão desigual ao longo do projeto… =/


História

Vocês já pararam para pensar o que esperariam de um livro que ganhou uma premiação? E se essa premiação fosse um Pulitzer? Depois de O Sol é para todos talvez eu tenha que começar a pensar que é quase igual aos filmes ganhadores de Oscar. Nem sempre o que os críticos consideram estupendo é interessante para o “público em geral”.

Eu conhecia o nome do prêmio por causa de As Aventuras de Lois e Clark, um seriado da década de 1990 sobre o casal Lois Lane de Clark Kent/Superman. A jornalista era focada em encontrar O furo de reportagem que daria um prêmio Pulitzer para ela.

Fui perguntar para nosso oráculo Google o que é o prêmio. Criado em 1917, o prêmio Pulitzer premia trabalhos com excelência do jornalismo, literatura e composição musical. Então, O Sol é para todos foi o selecionado em 1961, um ano após seu lançamento, e é um dos livros YA mais importantes e emblemáticos sobre um período muito específico da História americana.

A história se passa no início dos anos 1930, logo após a Grande Depressão americana, no Alabama, um dos estados do sul dos EUA. Esses estados eram reconhecidos por sua conduta racista e preconceituosas com os negros. Se você pensar que a escravidão nos EUA só foi abolida em 1863, haviam se passado 70 anos já, e que o sul ainda possuía grande fazendas de algodão (onde os negros trabalhavam como escravos), talvez dê para começar a entender o movimento social da época. Os grandes fazendeiros tinham “perdido” sua principal mão de obra.

Scout (Jean Louise) é a jovem protagonista e ouvimos a história através de sua voz. Ela é moradora de Maycomb, parte de uma das famílias mais tradicionais da região e seu pai é um advogado, uma figura importante e respeitável da cidade. Entretanto achei que seu relacionamento com Scout e o irmão Jeremy/Jem, em muito momentos parece frio e distante. Independente disso, a menina tem muito respeito e admiração pelo pai, grande parte das lições que acompanham a história vem de diálogos entre ela e o pai.

É através da voz de Scout que conhecemos vários fatos de Maycomb, de suas famílias peculiares, do dia-a-dia na escola, seu relacionamento com os vizinhos e o misterioso morador da casa ao lado, Boo Radley.

Durante uma boa parte da história o livro é bem lento, acompanhando o marasmo da vida de Scout e até fiquei preocupada de que, talvez, o livro fosse superestimado. Até que seu pai é indicado pelo tribunal da cidade para defender um negro acusado de abusar sexualmente de uma branca. Aí sim o livro começa a se tornar interessante e a fluir mais fácil.

É nesse momento que Scout mostra o quanto é intrinsecamente racista, refletindo um comportamento do seu meio, não necessariamente o de seu pai. Aliás, o Sr. Finch é a epítome do correto e da defesa do ser humano como pessoa e não como “castas” de acordo com sua cor de pele. É dele que vem as grandes lições de igualdade que permitem que Scout amadureça ao longo da história.

Para mim, a história só pega ritmo e se torna realmente envolvente na parte final, durante o julgamento, quando o Sr. Finch monta sua defesa. No resto do livro, acompanhamos mais um crônica familiar com lições de moral e valores. Quase uma propaganda contra o racismo e o preconceito.

O livro ainda é muito atual quando trata da diferença de tratamento e colocação social de negros e brancos. Todo mundo sabe que ainda hoje, por mais que o brasileiro afirme não ser preconceituoso, existe uma cultura do racismo inerente à sociedade. Nisso o livro faz bem ao trazer esse tema à luz do questionamento dos leitores. Ele levanta também a forma como as mulheres são percebidas, em discussões entre Jem e Scout a garota era acusada de estar “parecendo/agindo como uma menina”, o que de certa forma é mais um tipo de preconceito, ao desmerecer o comportamento “dito” feminino.

Ao mesmo tempo eu achei que a forma como todas as questões são levantadas e conduzidas é muito superficial, provavelmente porque ele é narrado por uma criança de apenas oito anos quando a história começa. Algumas situações refletem uma realidade de uma época, e muitas vezes o que poderia ser comum e normal gera uma certa inquietação e incômodo quando lemos levando em consideração a sociedade hoje.

Não sei… talvez eu tivesse uma expectativa muito elevada com o livro, por ser tão importante para a formação dos jovens americanos e ganhador de um Pulitzer. Talvez eu esperasse mais do que um simples arranhar da superfície de assuntos ainda tão delicados e muitas vezes polêmicos.

De qualquer forma é um livro que ilustra um período marcante da “luta” pela igualdade. Nessas horas eu sempre me recrimino por não ter (ou não lembrar) o conhecimento histórico necessário para contextualizar a narrativa em seu meio e com o que estava acontecendo aqui no Brasil. Muito provavelmente eu teria um aproveitamento muito melhor da leitura.

Tarefa cumprida: ler um clássico vencedor de prêmio. Pena que eu esperava mais.

Sobre o assunto preconceito, acho que vale muito a pena ver um episódio do Nerdologia, que trata exatamente sobre nossa convivência em grupos e como isso pode “gerar racismo”.


Até a próxima! o/

banner-resenha-record

Comentários

2 respostas para “O Sol é para todos – Harper Lee”

  1. Avatar de Izandra Mascarenhas
    Izandra Mascarenhas

    Sabia que você gostaria de cenas passadas em tribunais ;P Pra isso, indico “A Ira dos Anjos”, do Sidney Sheldon, e “Em defesa de Jacob”, do William Landon. Tratam muito bem esse tipo de cena jurídica norte-americana :3
    Fora isso, até estou com certo interesse em ler esse clássico… Vou ver se descolo um exemplar pra mim xD

  2. Avatar de Leonardo

    Como assim eu não conhecia o melhor romance do século XX?! Interessei e vou ler agora!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Descubra mais sobre "Parafraseando Livros"

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading