Faça um passeio por estes lindos jardins e se aventure em uma caça ao tesouro tão fascinante que todos os seus problemas ficarão para trás. As ilustrações ricas em detalhes estão só esperando por você para ganhar vida.
Divirta-se procurando as diversas criaturas escondidas nestas páginas. Complete os espaços em branco, escolha suas cores preferidas, faça seus próprios esboços e crie um universo deslumbrante onde não há lugar para o estresse.
Jardim secreto é um livro para todas as idades, que nos permite esquecer as adversidades do dia a dia através dos desenhos e que busca trazer à tona o artista que existe em cada um de nós.
Design
Jardim Secreto é um agrado aos olhos, não só pelas ilustrações ao longo das 96 páginas, mas também pelo trabalho editorial no livro. Ele é maior do que o tamanho tradicional, com um formato quase quadrado, principalmente para permitir que você possa colorir as imagens mais intricadas criadas por Johanna (íntima, já).
As folhas são um pouco mais grossas mas não acho que dê para colorir o livro com canetinha/canetas hidrográficas. Mesmo com um papel mais encorpado, acredito que a tinta vai passar para o outro lado e “manchar” o desenho do verso da folha.
O livro é extremamente gráfico e dá até um pouco de pena de pintar, mas ver o desenho ganhando “vida” com as cores é uma sensação de realização tão boa que você não se preocupa tanto no final.
O bom também é que a lombada dele permite que você consiga “arregaçar” sem dó, para ter um acesso melhor na hora de colorir as páginas. Acho que esse é o único livro em que eu não preocupo muito com “tomar conta” do estado em que a lombada vai ficar no final. ^.^
“História”
Ano passado, quando a Intrínseca lançou Destrua Este Diário ela meio que abriu as portas e trouxe uma tendência de livros “interativos” aqui para o Brasil. Tive a oportunidade e a experiência de destruir algumas páginas do diário criado por Keri Smith, mas preciso confessar que a sensação não foi muito legal. Nunca fui muito de ter esses rampantes de “destruir” coisas, nem para desestressar, então foi como se eu estivesse fazendo algo contra minha natureza de preservar e guardar com carinho um “objeto livro”.
Não me senti produzindo ou criando um resultado em conjunto com as indicações ao longo do livro. Tive até um pouquinho de sofrimento para realmente começar a destruição em si.
Isso não aconteceu com Jardim Secreto. A proposta aqui não é destruir nada, é mais de criar. Criar cor, sensações visuais, padrões cromáticos e de texturas, completar a estética criada por Johanna Basford. Com estilo meio vintage e com um pé na arte nouveau, as ilustrações ao longo do livro são de padrões florais, alguns intricados e outros quase infantis, mas todos em sua forma original (preto/branco) são um convite à criatividade e à interação.
Me senti de volta à infância, quando nas férias eu pedia para meus pais comprarem o Almanacão de Férias da Turma da Mônica, e ele vinha com vários tipos de atividades divertidas. Uma das que eu mais gostava era de colorir as ilustrações ao longo da revista, e terminar o mês de férias com vários desenhos pintados.
A proposta de Jardim Secreto é ser um livro antiestresse. Então, nada mais normal do que testar se ele realmente ajuda o leitor a ficar mais relaxado enquanto preenche as minúcias das ilustrações. O primeiro passo foi escolher um desenho para colorir. Esse que vocês estão acompanhando ao longo do post é um dos últimos do livro.
Depois, fui nas minhas caixas de guardados da época da faculdade e desenterrei todo o meu material de desenho que eu tinha guardado: lápis de cor (aquarelável, comum, pastel), giz de cera, grafites de vários tipos de dureza/maciez, pastel seco, esfuminho, limpa-tipos… Tantas coisas que eu sempre fui apaixonada, mas acabaram dentro de uma caixa aguardando uma oportunidade para serem usados novamente.
Passei então para a escolha de padrão cromático. Queria fazer uma combinação de cores que fosse harmônica, mas que ao mesmo tempo desse o devido valor para as flores e para as folhas. Acabei encontrando esse padrão que vocês podem ver ao longo das fotos, em que as flores tem essa cor rosa-arroxeada (porque é uma mistura de lavanda/lilás/magenta/rosa escuro), e as folhas grandes um verde mais fechado enquanto que as pequenas um verde mais claro, como se ainda fossem brotos novos.
Uma coisa importante quando você colore alguma coisa é escolher o posicionamento da sua “fonte de luz” e manter o raciocínio de onde ela está incindindo em todo o seu desenho. Confesso que em alguns momentos eu ficava um pouco confusa e me atrapalhava com o local correto. Mas acho que no geral, os pontos de luz ficaram relativamente parecidos em todos os elementos da ilustração.
Se o livro é antiestresse? Para mim foi uma experiência maravilhosa. Sou uma desenhista frustrada, acho que nunca tive rotina e dedicação suficiente para atingir um ponto em que gostasse do que eu produzia. Mas aqui, eu não tinha que me preocupar em desenhar nada. Eu só tinha que preencher os desenhos de outra pessoa com cor, fazendo com que ganhasse certa característica de volume, tentar fazer com que saltasse da página.
Outra coisa importante, é que durante as horas que me dediquei à pintura eu facilmente entrava em “foco”, conseguindo abstrair qualquer outro pensamento que não fosse a próxima cor, a próxima folha, a próxima pétala, apontar o lápis, a próxima folha… E acho que esse ponto, alcançar esse “transe”, é o que eu chamaria de antiestresse.
Em alguns momentos eu até pensei em deixar a pintura não acabada, para criar um efeito de que a cor só tinha sido colocada em uma parte do desenho, mas uma flor leva a uma folha que leva a uma vinha, e a ilustração acaba se completando por si só, se encaixando e ganhando vida como um todo. E este é o resultado final.
Vocês puderam acompanhar minhas postagens no instagram sobre o progresso da pintura que escolhi, e me tomou cerca de três semanas para completar. Obviamente, eu não pintei todos os dias das últimas semanas, mas acho que dependendo do desenho que se escolha, e da sua dedicação e disponibilidade, é possível terminar um desenho mais simples em um dia.
O próximo passo agora é oferecer o livro para meu marido e meus amigos, como um booktour não-oficial, para disseminar a experiência de colorir e de relaxar. Além disso, pretendo escolher uma outra página para, ao invés de colorir, preencher com grafite, e criar “cor” só com escala de cinzas. <3
Recomendo muito para todos que gostam dessa sensação de dar cor aos desenhos e que preferem uma experiência de criação ao invés de destruição. ^.~
Até a próxima! o/









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