Seguindo os eventos de O Olho do Mundo, o protagonista Rand al’Thor e seus companheiros, Mat e Perrin, partem em busca da Trombeta de Valere. Segundo lendas, o artefato tem o poder de reviver heróis, e eles podem ser de grande ajuda no combate às forças da Sombra. No entanto, há algo que Rand teme ainda mais do que a Sombra: ele sabe que está condenado à loucura e à morte e se pergunta se conseguirá ajudar seus amigos antes que isso aconteça ou se será ele próprio o responsável por destruí-los.Ao mesmo tempo, Egwene e Nynaeve treinam para fazer parte da ordem de mulheres que podem manipular o poder que gira a Roda do Tempo, conhecidas como Aes Sedai. Estão as jovens destinadas a se tornarem inimigas de Rand al’Thor?
design
Mantenho minha opinião sobre toda a estrutura do livro que eu já comentei na resenha do primeiro volume aqui, mas vocês podem perceber que diminuí a nota do segundo.
Vi muitos erros de revisão. Preposições erradas, duplicadas, nomes e substantivos escritos errados também. Por exemplo, em um momento do livro eles estão falando de mascates, aqueles comerciantes que iam de cidade em cidade. Na mesma página a palavra aparece como “mascote” e “mascate”. u.u
De todos os livros que já li da Intrínseca foi o que mais me surpreendeu com a quantidade de erros, e fiquei um tanto quanto chocada, uma vez que é bem raro isso acontecer com os livros da editora.
história
Melhor.série.de.fantasia.da.minha.VIDA! (pelo menos até a próxima que for ler). Provavelmente vou conseguir inimigos eternos depois desta declaração (é, Carlos, estou olhando para você), mas A Roda do Tempo é, para mim, muito melhor do que Senhor do Anéis. É inegável o valor que a obra máxima de Tolkien tem para a literatura e em nenhum momento eu quero tirar o poder que a série tem. Mas sou uma garota, e sendo bastante sincera, Senhor dos Anéis não tem nenhum apelo real para meninas.
Ok, todo o desenvolvimento dos personagens é interessante, a luta contra o mal, o dever e companheirismo… Mas durante toda a saga do anel não existe uma mulher que tenha qualquer envolvimento real e decisório na trama. Está bem que Galadriel dá uma “lanterna” e uns fios de cabelo, mas de resto ela só fica na floresta com toda sua beleza e poder, ESPERANDO que alguém resolva a pinimba toda. Desculpa, ela não me representa. Eowyn também não me convence porque se esconde durante boa parte da história e você só percebe que é ela na luta contra o Nazgûl.
Robert Jordan criou uma série e uma gama de personagens que conseguem apelar para vários tipos de personalidades de leitores. Se você já leu Senhor dos Anéis vai encontrar estruturas narrativas e momentos da história que são muito semelhantes tanto em O Olho do Mundo (o primeiro volume) quanto em A Grande Caçada. Mas as soluções giram e acontecem com a responsabilidade de tantos outros personagens que não os heróis principais da trama, que ela enriquece e cresce exponencialmente.
E o melhor? A história é completamente inclusiva quando dá valor, poder e força para os principais personagens femininos. Se você pensar que as mulheres Aes Sedai são vistas como maquinadoras e temidas por várias nações, inclusive pelos personagens principais, já dá para perceber o valor que o autor dá para suas personagens. E elas não são apetrechos para serem salvos. Elas salvam a si mesmas, são inteligentes e poderosas, e em A Grande Caçada tem ainda mais importância e participação muito mais ativa durante toda a história.
Como é uma série, não sei se consigo escrever uma resenha sem mencionar acontecimentos do livro anterior, então se você não gosta de spoilers, mesmo que o mais leves, melhor evitar a leitura daqui em diante.
Os Personagens
A Grande Caçada continua a história de Rand, Perrin, Mat, Egwene e Nynaeve, logo após a “luta final” na Praga. Rand descobriu que consegue canalizar o Poder Único, e está assustado com a perspectiva de que passe a ser uma marionete nas mãos das Aes Sedai, principalmente de Moraine. A preocupação do rapaz não é à toa, afinal foram os Aes Sedais homens que causaram a ruptura do mundo, e ser a “reencarnação” de Lews Therin não é pouca coisa. Rand e Perrin definitivamente são meus personagens-meninos favoritos, mas Rand é tão cabeça dura que prefere sofrer sozinho e correr o risco de morrer a tentar entender seus poderes e seu papel no Padrão. Perrin também reluta a aceitar que consegue se comunicar com os lobos e que não é mais o ferreiro que saiu de Campos de Emond.
Mat era para ser o personagem alívio cômico mas, como muitos antes dele, comigo só serve para irritar e criar uma certa animosidade quando ele interage com os outros. Egwene é meio chata e Nynaeve é a melhor personagem-menina de todas! As duas decidem ir para Tar Valon e se tornarem Aes Sedai, Nynaeve como vingaça contra Moraine por ter tirado todos de sua vila, e Egwene para aprender a controlar saidar.
Poderes Cósmicos Fenomenais e “uma grande confusão”
Saidin e Saidar, assim como todo o lance da Roda do Tempo, da Ruptura do Mundo, dos Desvanecidos, continuam um pouco nebuloso para mim. Não sei se é o volume de informação que é muito grande ou se realmente ainda não foi explicado de uma forma mais direta e “for dummies”, mas apesar de não entender, não prejudica todo o desenvolvimento da história.
Em dado momento, os homens se separam das mulheres em dois grupos com objetivos diferentes: Rand, Perrin e Mat precisam ir atrás da Trombeta de Valere e da faca de Shadar Logoth que foram roubadas por Padam Fain e os Amigos das Trevas (parece nome de banda dos anos 80 XD); enquanto Egwene e Nynaeve partem junto com todas as Aes Sedai que vieram na comitiva do Trono de Armylin de volta para Tar Valon.
O livro acompanha os grupos separadamente, mas é fácil perceber que todos estão evoluindo, enfrentando seus próprios demônios e dificuldades para crescer, tanto como pessoas quanto controlando seus poderes. Em dado momento a história dos grupos converge novamente, com direito a lutas impressionantes e um final de tirar o fôlego.
A Grande Caçada apesar de ter mais desenvolvimento da trama sobre o passado, sobre o Dragão, sobre ta’veren, muitas artimanhas e questões políticas a la Martin, além de muita magia e pirotecnia, lutas e até romance, não necessariamente garante explicações.
Como leitora, estou muito satisfeita com a série. O livro é sim muito longo, não dá para ler de uma vez só. Mas por mais que seja um pouco cansativo, os capítulos sempre terminam de um jeito instigante, e mesmo que o seguinte comece levemente arrastado ou com personagens que talvez você não lembre do livro anterior, a narrativa, invariavelmente, te envolve e te prende. Ainda bem que o próximo só deve sair ano que vem. Não sei se aguentaria mais 700 páginas de uma mesma história assim na MINHA CARA, tão cedo. :P
Até a próxima! o/
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