O Fim de Todos Nós – Megan Crewe

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Kaelyn acaba de ver o melhor amigo partir. Ela tem dezesseis anos e voltou agora para a ilha onde nasceu, depois de um período morando no continente; ele está fazendo o caminho inverso, para estudar fora. O que sentem um pelo outro não está muito claro, ela o deixou ir embora sem nem mesmo dizer adeus, e a última coisa que passa por sua cabeça é nunca mais vê-lo. Mas, pouco tempo depois, isso está bem perto de acontecer.

A ilha de Kaelyn foi sitiada e ninguém pode entrar nem sair: um vírus letal e não identificado se espalha entre os habitantes. Jovens, velhos, crianças – ninguém está a salvo, e a lista de óbitos não para de aumentar. Entre os sintomas da doença misteriosa está a perda das inibições sociais. Os infectados agem sem pudor, falam o que vem à mente e não hesitam em contaminar outras pessoas. A quarentena imposta pelo governo dificulta as pesquisas em busca da cura, suprimentos e remédios não chegam em quantidade suficiente e quem ainda não foi infectado precisa lutar por água, energia e alimento.

Nem todos, porém, assistem impassíveis ao colapso da ilha. Kaelyn é uma dessas pessoas. Enquanto o vírus leva seus amigos e familiares, ela insiste em acreditar que haverá uma salvação. Caso contrário, o que será dela e de todos?

Afiado e atordoante, O fim de todos nós é a história da força de vontade e da bravura de uma garota comum forçada a reavaliar seus medos e escolher entre a própria humanidade e a sobrevivência.

Design

A capa de O Fim de Todos Nós já chama atenção pelas letras maiúsculas e pela cor “amarelo ovo”. Mas o que vocês não sabem só de ver a imagem, Pessoas, é que existe uma aplicação de verniz especial na fonte do título que dá uma sensação áspera nas letras. O que faz todo o sentido se você pensar que um dos sintomas da doença do livro é coceira, e a aspereza pode trazer a lembrança de doenças de pele, sabe?! Nojento mas muito maneiro!

Mas a quarta-capa teve um problema relativamente sério que passou direto pela revisão. Ficou faltando uma preposição na última frase do texto e eu acho que pode ter sido uma questão de CTRL+C, CTRL+V… É exatamente o mesmo texto da página 76, onde existe o mesmo esquecimento. Ficou meio feio este detalhe e por isso desci a nota de design.

De resto, o livro é muito bonito e bem cuidado. As três partes em que é dividido tem um tratamento de abertura meio “apocalíptico”, com uma textura que lembra aqueles muros que são feitos de concreto e não tem acabamento. Os capítulos do livro são cada dia do diário de Kaelyn e todos começam na página seguinte ao que o último terminou.

A fonte do nome da autora na capa se repete nas datas dos capítulos e no rodapé, onde foram colocados título do livro/nome da autora. Achei um pouco estranho no começo essas informações estarem no rodapé e na parte interna da folha, mas lá pelo meio já tinha me acostumado. Isso acabou deixando o cabeçalho livre, e o espaço em branco foi uma surpresa agradável durante a leitura.

O miolo é elegante e equilibrado, uma boa fonte para a leitura com bastante legibilidade e bom espaçamento entrelinhas. O interessante é que as marcações de diálogo não são feitas com travessões, mas com aspas, o que costuma ser normal em livros em inglês. Aqui dá para entender que é o estilo de escrita da Kaelyn para mostrar as falas de cada personagem.

Fora a questão de revisão que já comentei e que chamou muito minha atenção, não lembro de nenhum outro erro no texto.


História

Eu sou uma pessoa naturalmente impressionável. Ver 2012 me deixou tensa com o tamanho da onda que cobriu o Himalaia. Ver Sexto Sentido me deixou preocupada com cantos frios em ambientes fechados. Então, imaginem ficar resfriada enquanto lia O Fim de Todos Nós?! Estava esperando a hora de começar a me coçar e jogar verdades na cara da sociedade! O.O

Falando sério agora, O Fim de Todos Nós foi um pouco diferente do que eu estava esperando. Quando li a sinopse, imaginei uma história muito mais psicológica e tensa, de como as pessoas da ilha iriam reagir ao ataque do vírus. Mas na verdade a história é contada pela ótica do diário de Kaelyn, então a gente só sabe a visão dela de tudo o que está acontecendo.

Ela vive em uma ilha, se eu entendi bem ela fica no Canadá, e sua família voltou recentemente a morar lá. Seu pai é virologista, sua mãe trabalha na lanchonete do posto de gasolina e Kaelyn e o irmão mais velho frequentam a escola. Tudo normal até o dia em que vai estudar na casa de uma amiga e o pai dela começa a agir estranhamente enquanto espirra, tosse e se coça. Várias pessoas começam a apresentar os mesmo sintomas, como se fosse uma gripe com coceira. A doença evolui para a perda de inibições, quando a pessoa começa a falar a “verdade” ou aquilo que realmente pensa, sem filtros, e por fim morre.

Kaelyn vai contando quase que diariamente o que acontece durante os três meses que a infecção atinge sua ilha e como provavelmente ela chega ao continente. Ela direciona a “conversa” para Leo, um amigo de infância que aparentemente cortou ligações com ela quando saiu da ilha para estudar em Nova York.

Então, de certa forma, não acompanhamos a tensão dos médicos pesquisando de onde veio o vírus e uma cura, como os representantes da ilha se relacionariam com o governo para conseguir suprimentos, como seria a evolução da doença no hospital… O que acompanhamos é a família de Kaelyn se desfazendo, ela tentando ser forte para sobreviver à dissolução da sociedade, ao ataque do vírus às pessoas que ela conhece.

É interessante ver algumas formas de reação ao “cataclismo”, como pessoas egoístas e altruístas surgem quando o que se conhece como regras culturais/sociais meio que deixam de existir. E como parece ser importante tentar manter um nível de normalidade nos relacionamentos, mesmo na loucura do “fim do mundo”, já que isso é o que pode ajudar a manter a sanidade. Apesar de muito bem escrito, o livro não me trouxe o nível de tensão que eu estava na expectativa, ao mesmo tempo que não consegui criar muito vínculo com a personagem principal, mas sim com Gav, um dos amigos de Kaelyn, e que, infelizmente, só ganha maior importância no terço final da história.

Só não curti nem um pouco o final! Porque eu não sabia (ou não quis saber) que era uma série quando comecei a ler. Então, a última entrada no diário, do jeito que foi feita, me deixou com a sensação de “COMO ASSIM?! Jura que você vai fechar o livro desse jeito só para ter mais um?!”. Que na verdade são mais dois… Que obviamente eu vou ler quando a Intrínseca lançar, porque, apesar de ter achado a narrativa muito suave para o tema, eu fiquei interessada em saber como vão solucionar o problema do vírus.


Até a próxima! o/

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