Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.
Design
A capa de A Maldição do Tigre é impressionante. É impossível entrar em uma livraria e não parar e voltar para ver de perto a capa metalizada. Só é um pouco estranho porque o efeito não está no centro do “rosto” do tigre, então fica ligeiramente esquisito um círculo sem efeito bem no meio da capa.
Esta é minha primeira experiência com a editora Arqueiro e fiquei bastante satisfeita com o resultado final do livro. O miolo é bonito, com uma mancha bem agradável de leitura. O texto respira bem nas margens e nas entrelinhas. Senti falta do cabeçalho com a informação autor/nome do livro.
Achei as páginas de abertura de capítulos elegantes, mas à primeira vista a fonte utilizada nos títulos não me pareceu “hindu”, me remeteu mais às letras árabes. Os arabescos florais também me deixaram um pouco em dúvida se tinham a ver com a arte indiana, porque eram um tanto quanto diferentes da moldura da capa.
Gostei da experiência de ter um “aperitivo” do próximo livro nas páginas finais, mas confesso que não li porque não queria spoilers.
História
Sabem… acho que ao final de A Maldição do Tigre eu cheguei a duas suposições: ou eu estou velha e não está mais dando para ler romances de “adolescentes”, ou Colleen Houck pegou extremamente pesado em todos os clichês possíveis de relacionamentos de livros YAs…
O livro começa bem, contado em primeira pessoa, às vezes com um linguajar um tanto rebuscado para uma jovem de 18 anos, contextualizando a vida comum de Kelsey até ela aceitar trabalhar em um circo em suas férias de verão. Lá ela ajuda a cuidar de um tigre branco e cria um vínculo com o animal.
A primeira coisa que me incomodou no livro foi quando Kelsey é “chamada para sua aventura”. “Vamos comigo para Índia levar o tigre branco para reserva?””Claro, já é!”… O.O Oi?! Cadê a dúvida, a ansiedade, a sensação de incapacidade? Onde foi parar a negação?! Quando Kelsey não negou o chamado para aventura ficou faltando um elemento de tensão que de alguma forma culminaria em ela mudar sua decisão e ir para Índia de qualquer jeito.
Quer um exemplo? Ela se nega a ir, a pessoa dá um cartão de visitas para que ela entre em contato caso mude de ideia. De noite, ela tem um pesadelo com o tigre sendo massacrado por caçadores e deixando a entender que a culpa era dela, por não ter ido junto. Ela acorda com a “necessidade” de fazer a viagem e proteger o tigre que é tão importante para ela. Faz bastante diferença, faz com que ela internalize ainda mais a ligação com este animal em especial.
Bem, okei, ela vai pra Índia. Aí jogam a bomba na cabeça dela: príncipe lindo-gostoso-über-maravilhoso, maldição, só ela que pode salvá-lo. Vocês acham que a Kelsey surta, entra em pânico, pede penico e quer voltar para casa, que é a coisa que qualquer pessoa normal sentiria?! Não! Super Kelsey acha tudo maneiro e super normal, vamos lá salvar o dia!…
A história progride, começam a aparecer as faíscas de segundas inteções entre nossa heroína e o príncipe, até que surge seu irmão mais novo gostoso! Triângulo amoroso formado. Pessoas!! Não, né!! Rapazes lindos e maravilhosos que só existem na ficção competindo pela atenção da mocinha!
Mas o pior de tudo na experiência de leitura de A Maldição do Tigre na verdade não foi a história em si, que é boa e com uma trama interessante. Afinal, a gente não vê muito de cultura indiana e sobre seu panteão de deuses por aí. O pior é a falta de amor-próprio e a extrema auto-crítica de Kelsey. Sério, do meio para o fim do livro, foi uma sequência de “bitch, please” e “facepalms” que beirou o insuportável. Meldelz, a personagem tem 18 anos, e fica em um mimimi interno infinito e em looping! “Você não me quer porque sou um rabanete, e ninguém pode gostar de rabanetes!” Por favor, se mata!
Acho que não tenho mais paciência para essas heroínas “sou um zero à esquerda”, com uma auto-estima tão baixa que chega até a dar nervoso. Talvez as autoras precisem se reinventar quando criam suas personagens, e assumir que certas facetas já estão muito batidas para serem repetidas à exaustão em todos os livros. Ou então estou finalmente entrando em uma ressaca literária de livros romancinhos-sobrenaturais… NOOO! u.u
Apesar de tudo, eu vou dar mais uma chance para a série. Vou comprar e ler O Resgate do Tigre, não por causa de Kelsey, que acho que não tem salvação, mas por causa de Ren, que foi o personagem que segurou toda a história.
Até a próxima! o/

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