Quando Barry Fairbrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque. A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista. A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas?
Design
Preciso começar dizendo que estou apaixonada por esse verniz fosco que deixa a capa com toque aveludado. É tudo de bom e super gostosinho de ficar passando a mão. O único porém é que você não pode estar com a mão engordurada por nada neste mundo, ou suas impressões digitais sebentas vão ficar manchando a capa até você conseguir limpar.
Adorei essa capa simples mas com cores extremamente chamativas. Ok, é igual a original, mas continua bonita em português. A editora fez muito bem em manter a mesma arte. Eu só não gosto muito da ligatura da letra T com a letra A na palavra “súbita”. Acho que poderia ser na base do A e não na serifa lá de cima do desenho. Mas aí já sou eu sendo chata, provavelmente.
As orelhas são um pouco grandes demais na minha opinião, mas a foto grande da J.K. na orelha da quarta capa ficou muito chique.
O miolo é muito bonito e bem estruturado. Dividido em partes, em capítulos e a partir de um momento do livro, as partes passam a só ter numeração romana e não mais a estruturação capitular. Eu provavelmente preferiria um fonte pelo menos um ponto menor, para tentar diminuir o tamanho total do livro. Apesar do papel amarelo Chambril Avena 80g/m² (muito chique, com direito a texto engraçadinho no final) ajudar muito na leitura, as 504 páginas deixaram o livro bem pesado. Meus flácidos bíceps sofreram um pouco no Metrô. XD
Meus parabéns para a editora que colocou um time de oito preparadores e revisores para o lançamento do livro ser praticamente em dois meses e meio depois do original. Não percebi nenhum erro durante a leitura.
História
Tive uma relação um tanto conflituosa com o livro e fiquei entre dar nota 2 ou 4, mas para como só existe um campo de nota para história do post, deixei a 2 lá em cima. Mas vamos começar explicando porque existem duas notas para história. Sempre que leio um livro existe uma relação em como eu me sinto enquanto estou envolvida pela história. Ao mesmo tempo, existe lá no fundo, aquela percepção de que como narrativa, eu gostando ou não do livro, a história é boa. Foi exatamente isso que aconteceu com Morte Súbita. Eu não gostei do livro, por isso a nota 2, mas eu sei que a história é boa e instigante, por isso a nota 4.
Acho que eu naturalmente tenho um certo preconceito com histórias contemporâneas. Elas tratam muito de realidade. E acho que todos nós já temos um choque absurdo de quantidades enormes de realidade todos os dias. Dessa forma, dedicar tempo e esforço na leitura de uma história que reforça esta humanidade distorcida e deturpada que vivemos hoje em dia não é uma das minhas preferências.
Uma coisa não se pode negar, J.K. Rowling escreve de uma forma espetacular. Sua estruturação de personagens, a quantidade de pessoas completamente únicas, a forma como ela alterna as vozes durante a narrativa, como vai e volta no tempo e coloca os pensamentos de todos intercalado com os acontecimentos atuais da história, a construção do clímax e das reviravoltas… Todas as qualidades que ela veio amadurecendo em toda sua saga Harry Potter estão em Morte Súbita.
Mas, ao mesmo tempo, os temas e assuntos que ela trata no livro… Em muitos momentos fiquei com a sensação de que ela pretendia simplesmente chocar o leitor bradando aos sete ventos que “Eu sei escrever conteúdo para adultos!”. Então, ela pegou todos os vícios, defeitos, problemas que todos podemos ter, fez um mistura nada saudável, e dividiu entre todos os seus personagens. Que não são poucos! Colocou a todos em uma pequena vila para que se relacionassem e fossem aquilo que nasceram para ser: maus, vis, déspotas, preconceituosos, cruéis, mesquinhos, agressivos… a lista é grande.
Ainda sobre os personagens. Durante o terço inicial do livro confesso que fiquei muito confusa de quem era quem, marido de quem, amigo de quem, odeia quem. Só depois de acostumar com os nomes e relacionamentos que passei a entender melhor a estrutura das rixas e brigas entre todos. Quase fiz um fluxograma de interações para ficar mais fácil de saber se eu não estava misturando o filho de um com o pai do outro.
É um livro pesado, denso, com assuntos reais e atuais (sexo, drogas, prostituição, preconceito, pedofilia, estupro, bully, autoflagelação), tratados de uma forma nua e crua em muitos momentos. E começa lento, bem lento. Só pega ritmo quase pelo meio, quando a tensão entre os personagens começa a cavalgar para o seu ápice.
O que ficou no fim da leitura foi uma sensação ruim de que nada muda. Um forte sentimento de impotência e determinismo e de aceitação de que não se consegue melhorar nada, que os problemas e dificuldades não tem solução. De que a sociedade é muito hipócrita para querer iniciar ou aceitar uma processo de mudança positivo.
E não, eu não vou falar sobre a história. Estou passando tudo o que eu senti quando estava lendo Morte Súbita, e nada disso a sinopse me contou ou me preparou. Se depois de ler todas essas coisas você ainda está interessado, vá em frente! Como eu disse, a história é muito boa e bem construída. Mas se esses pontos que levantei te incomodaram e você de alguma forma torceu o nariz, acho que você pode seguir em frente e ler algo mais ao seu gosto.
Afinal, daqui a pouco tem série de TV. Quem sabe em outra mídia o livro não se torne mais palatável?
Agora, por favor, preciso de algum Young Adult sobrenatural para relaxar de J.K. Rowling. XD
Até a próxima! o/
Livro cedido pela parceria com a editora Nova Fronteira

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