Esta é a estória de um estudante chamado Nicolas, que adorava olhar as estrelas e pensar na grandiosidade do universo. Ele é perseguido por seres de outro mundo que querem levá-lo do planeta Terra. O rapaz conhece uma linda mulher que veio de um lugar muito distante para revelar segredos que mudariam sua maneira de ver o mundo. Uma descoberta fantástica o remeterá a conhecer quem serão os “Filhos do Tempo”. Uma trama intrigante que nos fará ver o mundo por um outro prisma. Segredos, paixão intensa, aventura e grandes revelações mudarão para sempre a vida, não apenas de Nicolas, mas de todos que viajarem com ele nesta odisseia. Quem ousa a tanto?
Design
Uma capa não faz um livro. Principalmente quando a quarta-capa não lhe faz jus. Hoje em dia tenho preferido capas com laminação fosca porque a laminação brilhante às vezes dá a impressão de amadorismo.
O projeto gráfico criado pela Marina Ávila aqui não salvou o conteúdo. A revisão infeliz que foi feita no texto atrapalha muito a imersão.
Apesar do sumário e aberturas de capítulos elegantes com florais, não entendi o que o grafismo tinha a ver com o texto que é de “ficção científica”.
Porém, o maior problema do livro é a revisão. Muitos erros de português passaram, separação de parágrafos em locais inadequados, sinalizações faltando em alguns lugares e em excesso em outros.
História
Depois que terminei de ler Os Filhos do Tempo percebi que estava com um problema muito sério. É a primeira vez que preciso fazer uma resenha sobre um produto que foi enviado para avaliação pelo autor e eu não gostei. Inclusive eu quero pedir desculpas ao Chaiene pela demora em colocar a resenha no ar.
A dificuldade aqui é: como manter a sinceridade com a minha opinião em relação ao livro e tentar manter o nível de críticas construtivas, e não simplesmente um levantamento de falhas que existem na narrativa?
Os Filhos do Tempo segue a história de Nicholas, um jovem que em um dia de chuva esbarra com a mulher mais linda que já viu em sua vida, se apaixona, é levado por ela para uma espaçonave e descobre que é o único que pode salvar a vida da princesa do planeta dos extraterrestres que o “raptaram”.
Sou leitora há pelo menos 24 dos meus 31 anos de vida. Há alguns anos, quando pensei em me dedicar à criação de jogos e roteiros, fiz o curso do Eduardo Spohr de Estrutura Literária e conheci a Jornada do Herói, os arquétipos de personagens. Isto me ajudou a organizar minhas ideias, a tentar criar personagens melhores, mas não fez com que eu passasse a ler ou ver filmes traçando as etapas da jornada em cada mídia. Mas eu reconheço que elas estão lá.
Então, qual é o problema em Os Filhos do Tempo? Eu não encontrei a jornada. O livro, em suas 250 páginas, é um apanhado de personagens que são confusos, muito prolixos e pouco profundos. É uma tapeçaria de assuntos – física, biologia, sustentabilidade, meio-ambiente/ecologia, a sociedade humana e suas falhas, astronomia, viagem no tempo -, que foram simplesmente arranhados mas não constroem um narrativa ou uma liga para manter a história coesa.
A maior parte do tempo o livro é confuso, com informações repetitivas sendo colocadas para o personagem principal e para o leitor. Você não consegue ter noção de tempo passado porque tudo parece ser agora.
Quando o autor decide fazer um flashback acaba sendo em um momento não muito oportuno, no meio de um raciocínio. E quando volta para o presente nada mais tem muita coerência.
Falta profundidade, tensão, clímax e desenvolvimento tanto dos personagens quanto da narrativa.
Na ficha descritiva do livro não há a participação de um editor e eu acredito que é aí que está o problema e também a solução para Os Filhos do Tempo.
Fui pesquisar sobre o editor, inclusive entrei em contato com Raphael Draccon, para tentar descobrir qual o papel desse em uma obra (para quem entende inglês: aqui e aqui). Existem várias especializações mas a que importa aqui é aquela em que o editor é o parceiro do autor para transformar a obra original em um produto maduro, vendável e crível. O editor é aquele que ajuda a polir e refinar a obra original. E foi esse editor que ficou faltando em Os Filhos do Tempo. Ele ajudaria a manter a coerência e impediria os flashbacks mal localizados, diminuiria a prolixidade, melhoraria a forma e o estilo de escrita e erros de geolocalização (infelizmente não é possível ver a Estátua da Liberdade do Central Park em Nova York).
Por isso tudo eu não gostei do livro, por isso minha nota baixa. Mas eu quero e espero que o autor entenda que o que desejo é que ele se aprimore cada vez mais. Que estude e desenvolva novas histórias e que as coloque para aprovação fora do seu círculo de conforto antes de publicá-la. Porque é só assim que melhoramos e evoluímos. Errando e aprendendo com nossos erros.
Até a próxima! o/

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