Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.
Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.
Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.
(Só não dei 5 por coisa pequena. Tá mais embaixo a explicação)
“Aos probos os louros; aos perversos a morte!”
Você sabe o que significa “probo”? Eu também não sabia até ler A Batalha do Apocalipse. E isso é uma das coisas legais do livro. Ele está cheio de palavras que não são usuais das conversas coloquiais que temos todos os dias. (aliás, “probo” significa honesto, íntegro, justo)
Um livro longo, às vezes lento, mas em nenhum momento chato. Com batalhas cinematográficas, personagens carismáticos e uma pesquisa geográfica e histórica muito legal! Além de uma pesquisa “religiosa” sobre mitos e sobre a hierarquia angélica que são muito edificantes.
O livro conta a história de Ablon. Ele é um anjo renegado e o único querubim sobrevivente de uma insurreição da qual foi o líder. Antes da destruição de Sodoma, o anjo, junto com seus aliados, confiou em Lúcifer sobre os ideais de sua rebelião. A Estrela da Manhã os delatou, e assim foram expulsos do Ceú pelo arcanjo Miguel. Desde então Ablon vaga pela terra, fugindo para não ser executado.
Milênios se passam e é chegada a hora do apocalipse, e acompanhamos as decisões do anjo-general no presente e ao mesmo tempo, viajamos com ele para seu passado, descobrindo as aventuras por que passou durante todo o tempo que esteve preso na terra.
O querubim acaba por escolher o Rio de Janeiro como morada para esperar os acontecimentos do apocalipse. (Acho que desde os livros de Pedro Bandeira não li nada que se passasse aqui no Brasil. A história presente se passa aqui no Rio de Janeiro. É interessante ler as descrições dos lugares e conseguir imaginar aonde são.)
O que Ablon não esperava era ter que ser parte ativa na batalha final. Lúcifer, o arcanjo caído e governante do inferno, oferece ao general a oportunidade de se unir ao exército infernal e lutar contra o arcanjo Miguel. Mas Ablon sendo muito integro e correto, não aceita sua oferta. Intrigado com o convite do arcanjo sombrio, o querubim entra em contato com sua amiga Shamira e a convida a vir ao Brasil.
Aqui viajamos ao passado de Ablon e Shamira e a primeira vez que se encontram, durante a construção da torre de Babel. A moça é uma feiticeira necromante seqüestrada pelo rei Nimrod. Não tendo a intenção de auxiliar o rei em seus planos, Shamira foge, mas é perseguida pelo mago real, Zamir. Ablon salva a moça dos seus perseguidores e cuida dela enquanto se recupera.
O livro é um vai e vem cronológico na vida do herói que mostra suas aventuras do passado que são, de alguma forma, relacionadas a alguma ação que esteja acontecendo no presente. Essas viagens ao passado de Ablon, mostram como o anjo se transformou e progrediu durante sua estadia na terra. E como suas batalhas pregressas o prepararam e fortaleceram para o confronto final na batalha do apocalipse.
A história tem umas reviravoltas bem interessantes ao longo de suas quase 600 páginas. E por mais que eu tenha gostado de praticamente tudo, inclusive do final aberto que o autor nos deixa, tem uma coisinha ou outra que não foram do meu agrado.
Durante a narrativa existem momentos em que você lê um texto extremamente formal, mas no capítulo seguinte, o estilo já passou para uma fala mais informal. Não tem mapa! Nenhunzinho! E eu fiquei meio geograficamente perdida em alguns momentos do livro. Principalmente em uma parte em que Ablon está viajando da China para Alexandria! E às vezes, você encontra explicação para um termo/assunto que já foi explicado anteriormente no livro, além de ter tudo no glossário também.
Meu lado designer ficou muito “sentido” com umas viúvas sérias que se encontram na diagramação do livro (viúvas são palavras que “sobram” sozinhas na última linha do final de um parágrafo). Às vezes, essa palavra sozinha está começando uma página! E isso é muito feio de se ver. Acho que merecia uma revisão nessas sobrinhas.
SPOILERS – estragando a surpresa!
Leia a parte abaixo por sua conta e risco. “Sublinhe” com mouse para mostrar o texto.
Gostei de todas as surpresas do livro que na verdade são reveladas bem no final mesmo! É engraçado que em alguns momentos a história ficou um pouco morosa, mas o final foi quase corrido.
Senti falta de saber qual eram os nomes de todos os 18 querubins que acompanharam a rebelião de Ablon. Talvez até ler um pouco sobre a história de cada um para tentar sobreviver na terra. No fim das contas era só Ishtar, Yarion, Hazai e os outros…
Não sei se gostei de o Gabriel simplesmente ter escolhido “desaparecer”, mas entendo que era necessário para que o Ablon tivesse sua arma mais poderosa na luta com o arcanjo Miguel.
Por que todas as “anjas” têm que ser arqueiras? Nada contra arcos mas elas não poderiam ser fortes iguais aos homens não? Essa “mania” de deixar as mulheres na retaguarda me entristece.
Foi bem legal a maneira como a história é conduzida fazendo você quase esquecer das runas de proteção que Shamira coloca no braço de Ablon. Quando o general morre no combate com Miguel, e volta por causa do poder da runa do corpo, ainda ganha um upgrade de querubim para arcanjo.
O final em aberto, quando os 3 anjos remanescentes, incluindo Ablon, decidem voltar a roda do tempo e dar a todos os seres uma segunda chance bem me lembrou o final do filme do Superman, quando ele voa em volta da terra e faz ela retroceder o tempo. E por causa da outra runa, a da mente, Ablon é o único ser que se lembra de como foi o apocalipse. Com isso ele não vai interferir no livre arbítrio? E se a revolta comandada por ele não aconteceu, ele veio para terra só para ficar com a Shamira. Mas se algumas decisões tomadas foram diferentes, não necessariamente nasceria uma Shamira… @.@
Okei! É um livro de aventura, batalhas, blábláblá. Mas depois de 4 mil anos apaixonados um pelo outro, o Ablon dar um beijo apaixonado no cadáver da Shamira é quase um insulto… T_T
Eu que agora estou estudando a Jornada do Herói com o próprio Eduardo Spohr, achei muito legal poder acompanhar todas as etapas no livro. Recomendo para todos! Só não acho que é leitura para quem está querendo ingressar no amor por livros. Aí eu digo para você, é um pouco pesado. Comece um pouco mais devagar, afinal 600 páginas podem assustar qualquer um.
Livro que estou lendo agora: O Remanescente – Tim Lahaye;
Próximo da lista: dúvida cruel. Alguma sugestão da lista que eu postei no post anterior?
Até a próxima! o/

Deixe um comentário