resenha

O Navio dos Mortos – Rick Riordan

23 nov 2017
Informações

O Navio dos Mortos

Rick Riordan

intrínseca

série Magnus Chase e os deuses de Asgard #3

368 páginas | 2017

4.5

Design 5

História 4

12

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Nos dois primeiros livros da série, Magnus Chase, o herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain, ex-morador de rua e atual guerreiro imortal de Odin, precisou sair em algumas jornadas árduas e desafiar monstros, gigantes e deuses nórdicos para impedir que os nove mundos fossem destruídos no Ragnarök, o fim do mundo viking. Em O navio dos mortos, Loki está livre da sua prisão e preparando Naglfar, o navio dos mortos, para invadir Asgard e lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses.

Desta vez, Magnus, Sam, Alex, Blitzen, Hearthstone e seus amigos do Hotel Valhala vão precisar cruzar os oceanos de Midgard, Jötunheim e Niflheim em uma corrida desesperada para alcançar Naglfar antes de o navio zarpar no solstício de verão, enfrentando no caminho deuses do mar raivosos e hipsters, gigantes irritados e dragões malignos cuspidores de fogo. Para derrotar Loki, o grupo precisa recuperar o hidromel de Kvásir, uma bebida mágica que dá a quem bebe o dom da poesia, e vencer o deus em uma competição de insultos. Mas o maior desafio de Magnus será enfrentar as próprias inseguranças: será que ele vai conseguir derrotar o deus da trapaça em seu próprio jogo?

Design

Eu já fiz uma avaliação bem extensa sobre o projeto gráfico da série do Magnus no primeiro livro, então você pode dar um pulinho lá para ver. Obviamente que a arte da capa agora reflete a aventura atual do Magnus, e se o navio for o bananão e não o Naglfar ele deveria ser mais amarelo…, mas os elementos estruturantes estão todos lá e aqui. ^.~


História

Bem, esse é o terceiro livro da série, então vai ter spoilers por aqui. Leia por sua conta e risco, ok?

“- Tá tudo bem, cara – prometeu Percy – Vou demonstrar de novo, ok? Comece na posição de queda livre, braços e pernas abertos para desacelerar a queda. Então logo antes de bater na água, estique o corpo como uma flecha, cabeça para cima, calcanhares para baixo, costas retas, bunda contraída. Essa última parte é muito importante.

– Queda livre – repeti. – Abertos. Flecha. Bunda.” p.11

Eu provavelmente tenho o senso de humor de uma criança (pré-adolescente?) de 12 anos de idade, mas é por conta de diálogos e passagens como essa que eu adoro o estilo e o ritmo de Rick Riordan. E é por conta disso que sempre fico feliz quando um novo livro do autor surge por aqui.

O Navio dos Mortos também trouxe a questão do crossover entre as série dos deuses gregos e o grupo de Magnus Chase, mas eu fiquei bastante triste que a participação de Percy e Annabeth ter sido tão curta e quase um fanservice, sem uma utilidade real para a história (pelo menos eu não vi nenhuma além do diálogo ali em cima :P).

A não ser que você considere que o peso da responsabilidade de impedir o Ragnarok tenha aumentado ainda mais para Magnus. Afinal além de salvar o planeta inteiro, se tudo der certo, ele ainda garantiria que a irmã mais nova de Percy teria uma vida próspera e permitiria que Annabeth tenha uma vida feliz junto com o namorado na faculdade.

Fácil. É só impedir que o Naglfar se descongele e que Loki traga o Ragnarok. Mais um dia na vida de um enheijar de Valhala.

GIF piece of cake

A estrutura de O Navio dos Mortos segue basicamente a fórmula que Riordan aplica em seus livros desde desde. Existe a missão principal que é chegar até o barco sinistro e prender Loki novamente. Mas para conseguir realizar essa “simples” tarefas, obviamente Magnus e companhia vão precisar passar por várias “pequenas” provações para conseguir as peças necessárias que vão permitir que a missão principal dê certo.

O grupo está completo dessa vez. Todos têm uma parte importante a representar em impedir o fim do mundo. Então vamos ver participações de Hearthstone, Blitzen, Samirah, Alex, T.J., Mestiço e Mallory, além de Jacques, a espada falante e cantante de Magnus. Só que eu achei engraçado o quanto esse livro pareceu ainda mais como uma história do Magnus, do que ele acompanhado dos seus amigos. Todos eles pareceram realmente coadjuvantes, tendo aparições ou ações só quando eram necessários para resolver alguma coisa da trama, ou para fazer algum movimento em direção a solução de alguma missão.

Fiquei com a impressão que eles estavam ali mais como acessórios da história do que realmente peças importantes de desenvolvimento, sabe? Tá que isso pode ter muito a ver com Magnus ser o narrador em primeira pessoa, mas eu tenho aquela sensação que não foi bem assim nos anteriores…

Mas ao mesmo tempo, achei muito interessante que Riordan tenha desenvolvido algumas informações importantes que deram mais background para cada um dos coadjuvantes, principalmente praqueles que praticamente não apareceram em O Martelo de Thor.

No livro anterior o foco foi praticamente em Alex, Samirah, e Hearthstone (que tem um passado ABSURDAMENTE triste, e que tem que enfrentar ainda mais desafios aqui). Aqui eu descobri que T.J. era negro e filho de Tyr (e se isso foi dito antes eu já tinha apagado da minha mente); que Mestiço morreu em uma batalha em York; que Mallory morreu mais recentemente, durante explosões de bombas na Irlanda; que Samirah precisa participar da missão estando no meio do Ramadã, e existe uma explicação, mesmo que superficial, de qual o significado desse mês de jejum e privações dos muçulmanos; e eu entendi que Alex, aparentemente, nasceu fisiologicamente como menina (mas posso ter me equivocado enormemente).

Engraçado que outra coisa que eu senti um pouco de falta foi do peso da aproximação do fim do mundo. Eu não consegui ficar preocupada que o Ragnarok poderia acontecer a qualquer minuto. Acho que o envolvimento entre os personagens estava tão mais interessante do que realmente me preocupar com a luta final. Na verdade, acho que eu ficava mais interessada quando a história envolvia Magnus/Blitz/Hearth e Magnus/Alex.

O trio original continua sendo e tendo a melhor dinâmica da história. Parece que quando estão juntos existe mais sentimento e envolvimento dos personagens. Você consegue sentir o amor que eles sentem uns pelos outros e o peso da amizade que eles têm.

Já Magnus e Alex me preocupava um pouco. Eu queria entender como Riordan ia desenvolver o interesse romântico, uma vez que Alex é um personagem bem mais complexo em sua característica de gênero fluido. Imagine que para um público leitor(no qual eu ainda me encaixo bastante) que ainda não está acostumado ou não entende ainda muito bem como funciona a fluidez de gênero, ou até mesmo relacionamentos LGBT, é quase desafiador abraçar um relacionamento para Magnus e Alex.

Mas achei que a forma como o autor conduziu ao longo da história foi delicada e correta. Pareceu também que ele tentou fazer de um jeito que fosse mais natural e “aceitável” (com zilhões de aspas aqui) para o leitor, ao manter Alex durante muito tempo com sua aproximação do gênero feminino ativa. Então, a primeira vez que Magnus e Alex se beijam é uma aproximação heterossexual, porque Alex está se identificando como menina.

A partir daí você simplesmente fica feliz porque eles estão juntos, e é só. Não precisa de muita racionalização ou explicação para você aceitar que são duas pessoas que se apaixonaram e querem ficar juntas. <3 Inclusive a realização de Magnus sobre isso é muito bonitinha de ler.

GIF loki

(Momento gratuito para inserir um gif aleatório do Tom Hiddleston *o*)

Achei a participação de Loki um tanto quanto superficial. Tudo bem que ele teve uma aparição mais importante no livro anterior mas, sabe o lance de sentir falta do “perigo”? Pois é. As poucas presenças de Loki também ajudaram um pouco a não dar o devido significado do Ragnarok. De qualquer forma, uma das passagens mais interessantes do livro vem de Loki.

“- Não me venha com esse papo de bom e mau. Esse nem é um conceito nórdico. Você é bom porque mata seus inimigos, mas seus inimigos são maus porque matam você? Que lógica deturpada é essa? (…) Um segredinho, Magnus: não existe bom e mau. O mundo é dividido entre pessoas capazes e incapazes.” p.319

No fim das contas os deuses nórdicos são iguais aos gregos no fator de que poderiam resolver o problema, mas “vamos deixar que os mortais coloquem suas vidas/mortes em risco porque podemos”. Na reunião que acontece dos deuses existe um certo sentimento de indignação por toda a soberba e egoísmo dos deuses… u.u

No fim também existem algumas indicações de que algo não está muito certo com Annabeth e Percy. Provavelmente deve ter algo a ver com os livros da Provação de Apolo, mas vamos ter que esperar pelo que vem por aí na outra série do Riordan.

Gostei muito da trilogia do Magnus. Gostei da representatividade que Riordan trouxe pro livro, desde religiosas até identidade de gênero. E não me importaria se ele escrevesse mais qualquer coisa dentro do universo dos deuses nórdicos, afinal eu adoraria saber o que vai acontecer com Magnus/Alex. <3


Outras resenhas da série

  • a espada do verão - rick riordan
  • o martelo de thor - rick riordan

Até a próxima! o/

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Parceria com a Editora Intrínseca

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