resenha

Biblioteca de Almas – Ransom Riggs

28 jul 2017
Informações

Biblioteca de Almas

Ransom Riggs

Intrínseca

série As crianças peculiares da srta. Peregrine #3

416 páginas | 2017

3.25

Design 5

História 1.5

12

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Biblioteca de Almas é o último volume da celebrada trilogia iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Neste terceiro livro, depois de sofrer com a morte do avô, conhecer crianças com habilidades peculiares em uma fenda temporal e partir pelo mar em uma busca desesperada para curar a srta. Peregrine, Jacob vai finalmente enfrentar a inevitável conclusão dessa turbulenta jornada.

Jacob descobre uma poderosa habilidade e não demora a explorá-la para resgatar os amigos peculiares e as ymbrynes da fortaleza dos acólitos. Junto com ele vai Emma Bloom, uma menina capaz de produzir fogo com as mãos, e Addison MacHenry, um cão com faro especial para encontrar crianças perdidas.

Partindo da Londres dos dias atuais, o grupo vai percorrer as ruelas labirínticas do chamado Recanto do Demônio, uma complexa fenda temporal que abriga todo tipo de vícios e perversões. É ali que o destino de peculiares de toda parte será decidido de uma vez por todas. Tal como os volumes anteriores da série, Biblioteca de Almas une fantasia, aventura e sombrias fotografias de época para criar uma experiência de leitura única.

Design

Eu já fiz a análise de design do primeiro livro da série lançado pela Intrínseca em Cidade dos Etéreos. Dá um pulinho lá na resenha para descobrir o que eu achei.


História

Já fazem cinco meses que Biblioteca de Almas chegou aqui em casa. Cinco. Meses.

Tudo bem que eu não comecei a ler assim que ele chegou em fevereiro… O Goodreads ajudou e eu só peguei mesmo para ler lá em maio… Se você pensar bem, isso já era um sinal.

Um livro que chegou no começo do ano e eu protelei tanto para para pegar para ler…

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Sabe quando você começa uma série, ela não te conquista tanto quanto você gostaria, mas ainda assim você vai pegar os livros seguintes para tentar descobrir o que acontece? Pois é. Essa basicamente é minha história com os livros do Ransom Riggs.

Os dois que consegui terminar nunca tiveram notas tão altas. Na verdade, o que contou mesmo foi a ambientação que o autor cria com as fotos em si. Elas são personagens da história muito mais fortes e interessantes do que os personagens propriamente ditos. E por isso acabei “valorizando” o produto final mais do que realmente “deveria”.

Só que em Biblioteca de Almas nem as fotos conseguiram prender meu interesse. Mais do que nunca eu fiquei com a sensação de que não existe uma história coesa e concreta, mas uma colagem de situações montadas a partir de fotos bizarras.

Nas 115 páginas que eu consegui aguentar e me forcei a ler (“vai melhorar, vai acontecer alguma coisa”) os peculiares que sobraram, Jacob, Emma e o cachorro Addison não fizeram praticamente nada. Eu não consegui ter uma noção de passagem do tempo, porque eles estão sempre emendando uma cena depois da outra. O que faz parecer que um dia tem umas 128 horas.

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Jacob só reclama, sofre e tem crises de baixa auto-estima e insegurança o tempo todo. Emma é um poço de raiva e falta de foco. E Addison só está ali para que a história não seja somente uma DR eterna entre os dois adolescentes.

Também tem a questão do boost de poder que Jacob tem de repente sem muita explicação, mas que também não é interessante ou explorado até onde eu fui.

Ter retirado todos os outros peculiares da história fez com que o livro se tornasse uma aventura praticamente solo de Jacob e Emma, e sozinhos eles não são fortes o suficiente para segurar a narrativa. A interação com os outros personagens ajudava a ter um pouco mais de tensão e conflito de interesses. Dava mais dinamicidade pra história por conta de seus poderes. Sem eles, perde muito da graça também.

A questão das fendas continua confusa pra mim. Acho que nunca fez muito sentido o lance dos saltos temporais das fendas, e o efeito rebote que causa nas pessoas. Não consigo entender porque Emma ainda não sofreu nada e como isso afeta ou vai afetar o Jacob.

O motivo dos etéreos e de eles serem simplesmente maus porque sim não me compra também. Ser uma força maligna “porque sim” é um argumento meio fraco para você construir uma base sólida de desenvolvimento de uma história, na minha opinião. Pelo menos é um artifício que não me compra se todo o resto não for muito bom.

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E a sensação de que os personagens não estão chegando a lugar nenhum, não estão descobrindo nada, não estão fazendo nada é muito grande! Eles estão perseguindo os traços de peculiares que Addison está sentindo/farejando desde o começo do livro. Cem páginas sem descobrir nada satisfatório para o leitor…

Cheguei a um ponto de pensar que o problema era comigo. Talvez eu não estivesse no clima de ler um YA sobrenatural. Talvez se eu deixasse ele ali, na cabeceira me olhando, e fosse ler outras coisas, invariavelmente chegaria a vez dele.

Aparentemente, eu sou muito boa em virar pro outro lado e evitar tomar esse tipo de decisão. Acontece que a “sua vez” não chegou e sempre que eu lembrava “ah, tem que terminar Biblioteca de Almas” era com uma canseira inenarrável.

Voltar para personagens meio bidimensionais e sem graça. Voltar para uma história que não me disse a que veio. Voltar para um livro de 416 páginas que não estava me levando a lugar nenhum.

Pois então, eu me despeço de Ransom Riggs e das crianças peculiares. Talvez um dia eu acorde e pense que chegou a vez de terminar. Talvez.


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Até a próxima! o/

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Parceria com a Editora Intrínseca

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