resenha

Somos Guerreiras – Glennon Doyle Melton

19 jun 2017
Informações

Somos Guerreiras

Glennon Doyle Melton

Intrínseca

série ---

320 páginas | 2017

4.25

Design 3.5

História 5

14

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Um marido lindo e atencioso, filhos encantadores, o reconhecimento pelo sucesso profissional. O que mais Glennon poderia querer? A resposta é: mais, muito mais. Ela queria não ter tantas dúvidas, queria se comunicar melhor com o marido, queria apagar de sua história a bulimia e o alcoolismo, queria se encaixar nos padrões… queria que o marido não a tivesse traído e que o casamento não tivesse se revelado uma tábua de salvação tão fracassada.

Mas o que parece a maior das tragédias, acaba se tornando a grande chance de Glennon. A crise conjugal traz à tona seus velhos demônios e a obriga, pela primeira vez, a encarar francamente as questões que antes foram apenas sublimadas. Enquanto todos cobram dela uma decisão sobre o possível divórcio, Glennon se volta para si mesma em busca da própria voz: não a da jovem perfeita que ela um dia quis ser, não a da esposa cujo relacionamento fracassou, não a da mãe abnegada, mas, sim, a voz da mulher de verdade que sempre existiu por trás de todos esses papéis.

Glennon Doyle Melton é a mulher que talvez você conheça, a vizinha, a colega, a irmã de um amigo. Talvez seja você. Somos guerreiras revela não só a história de Glennon, mas a guerra diária travada pela mulher que busca simplesmente ser quem ela é — um relato corajoso que chama a atenção para o fato de que nascer mulher e existir plenamente é quase um ato revolucionário.

Design

Me perdoem por ter achado a capa meio cafona? Assim, se fosse só o lettering do título e do nome da autora eu teria gostado bem mais, mas esse coração com a silhueta do perfil de uma mulher… Sei lá… me lembrou os tempos de PowerPoints com vírus que eram correntes de email, sabe?

Pois é.

Tá bem que o livro fala sobre a questão de ser guerreiras do amor… mas mesmo assim, meio que aumenta a força da breguice. Não é “culpa” da Intrínseca porque não é uma capa original, mas uma adaptação para nossa língua. Acho muito legal a ideia de manter a identidade visual do livro independente do país, mas né… Brega.

Ainda mais quando você coloca junto com as fontes sans serif bold do título, super modernosas e impactantes. Elas transpiram coisas atuais, mas a arte do coração só me remete a “tia”, mas com um sentido um tanto pejorativo. ME PERDOEM POR EU ESTAR COMPLETAMENTE TRABALHADA NOS MEUS PRECONCEITOS (gráficos)!

Agora, o miolo do livro é bem padrão, um pouco fora do que a Intrínseca às vezes faz, que tem um projeto gráfico mais elaborado. Mas a fonte é agradável e legível, as margens são equilibradas, mas não lembro se o livro tinha ou não cabeçalho com as informações. Tendo a achar que não, mas posso confirmar depois.

Por fim, o livro é daqueles com dimensões menores, então fica ainda mais fácil de caber na bolsa e de segurar nas mãos para ler.


História

Delz! Que livro sofrido! Sempre que eu escolho sair da minha zona de conforto da ficção e me aventuro em alguns livros de não-ficção costumo ter algumas surpresas.

Ano passado foi com Alucinadamente Feliz, da Jenny Lawson. Agora foi com Somos Guerreiras.

Quando vi que a Intrínseca ia lançar li sinopse, vi avaliações no Goodreads, descobri que foi um dos livros selecionados pela Oprah. Eu queria me cercar de razões e certezas para selecionar mais um livro de não-ficção. Uma obra praticamente biográfica. E olha que eu não costumo me interessar por biografias.

Depois da experiência maravilhosa com Alucinadamente Feliz, eu queria ler outras histórias escritas por mulheres que se passassem no mundo real. Mas confesso que meu interesse principal era numa história que fosse engraçada e divertida como a da Jenny.

Não foi NADA DISSO que encontrei em Somos Guerreiras. E surpreendentemente, isso não diminuiu a importância da história que Glennon tem para contar.

Somos Guerreiras foi um livro como de Elena Ferrante, que me forçou a usar um bloquinho de post-it para marcar frases e trechos que eram tão fortes e impactantes. Foi provavelmente o primeiro livro que ficou recheado de papéis coloridos (tem lá no Instagram do blog) me mostrando o quanto a história de Glennon é forte, densa e pesada. O quanto reverbera em experiências e sentimentos que eu tenho. Que você pode ter também.

Ando em um momento de reflexão. De tentar entender o “q q tá conteceno” com essa nossa sociedade extremamente impactada pela convivência virtual e anônima das redes sociais. Das liberdades de pensamento. Do empoderamento feminino e de outras minorias. Da violência e da agressividade sem propósito.

Sou cria dos anos 80. Muito do que está acontecendo agora, muitas das certezas dessa geração mais nova, são quebras de alguns paradigmas pra mim. Abraçar e entender o feminismo foi (e ainda é) um caminho de aprendizados e desconstruções de preconceitos e crenças marteladas na minha cabeça.

Então, escolher Somos Guerreiras também foi uma forma de descobrir como uma mulher chegou ao fundo, e um pouco mais embaixo, e conseguiu se reencontrar, se empoderar, se descobrir e aos seus próximos. Mas também foi uma jornada minha de empatia, aversão, preconceito, compreensão, uma certa apatia, mas no fundo, um monte de aprendizados coloridos/doloridos, que provavelmente vão me ajudar a estruturar um monte de coisa na minha vida e talvez até nessa resenha.

Acho que a principal, ou pelo menos foi a que mais me marcou é:

“Você não precisa estar feliz o tempo todo. A vida dói e é difícil. Não porque você está vivendo errado, mas porque ela dói para todo mundo. Não evite a dor. Você precisa dela. Ela foi feita para você. Aceite-a, deixe-a vir e ir, permita que ela abasteça você com o combustível que você vai usar para fazer seu trabalho neste mundo.” p.246

Um dos temas principais de Glennon ao longo do livro é sobre como somos o tempo todo impactados por algum tipo de dor. Principalmente por não conseguirmos atingir expectativas e desejos que não são nossos, mas que foram impostos em nós pela família, pelos amigos, pela sociedade, pelo capitalismo.

E em tempos de vidas perfeitas no Facebook e no Instagram, uma expectativa de ter tudo aquilo que as pessoas tendem a mostrar nas redes sociais. A gente só vê pessoas felizes, viagens incríveis, sucessos. E isso só gera ansiedade e uma certa sensação de inadequação, porque afinal você não tem aquilo que você consome na sua timeline. Então dói.

“(…) Perder a beleza será como uma desgraça que me tornará inútil. Será como se eu não tivesse cumprido a minha parte do acordo e o mundo inteiro ficasse desapontado comigo.” p.22

Glennon também foca muito na questão que não podemos afastar a dor, porque ela é um dos motivadores que nos faz crescer. Então, ignorar a dor, ou desmerecê-la para que ela não seja sentida, só atrapalha o processo de evolução de cada um.

Quando alguém está sofrendo, pelo motivo que for, o que essa pessoa precisa é de alguém que esteja ao seu lado, paciente e presente. Alguém que lhe diga que “vai passar” não está realmente interessado em ajudar, mas provavelmente só quer ignorar a dor do outro para que não tenha que sofrer junto.

O livro trata também de vários momentos chave na vida de Glennon. Ela nos conta desde os seus 10 anos, quando descobriu/desenvolveu a bulimia, até os seus 30 e muitos, quando ela finalmente consegue o equilíbrio e a estabilidade emocional que sempre precisou, mas não conseguia encontrar.

Na parte inicial, em que ela trata de sua inadequação na adolescência, o início dos seus problemas alimentares, uma certa anulação da sua personalidade para desenvolver uma máscara que vai conseguir enfrentar o dia a dia, ressoou muito com o meu eu ainda de agora (o que provavelmente quer dizer que ainda sou uma adolescente tardia).

“Preciso aprender o que fazer, porque a beleza é uma responsabilidade. Parece que as pessoas esperam muito dela.” p.21

Glennon trata de diversas questões relacionadas a ser mulher, ao que é beleza e os padrões impostos para todas nós. Ela fala sobre sexo como uma forma de conseguir agradar o parceiro momentâneo, mas nunca de encontrar prazer para si. E Glennon sofre praticamente em todos os capítulos de Somos Guerreiras por conta de certezas e atitudes que precisa aprender a entender e reconstruir em si mesma com o passar do tempo.

Mas tive momentos complicados com a leitura também. Como a história é contada em primeira pessoa, a gente acompanha a tristeza de Glennon por sua visão, e às vezes, eu achava que ela era muito extremista em algumas de suas ideias e certezas. A forma como ela coloca a culpa dos problemas de seus casamento sobre os ombros do seu marido sem notar que ela também tem sua parte de culpa me incomodou um pouco.

Nessa hora eu tive que lidar com uma das visões machistas que ainda tenho dentro de mim, daquele tipo de que “se o casamento não deu certo, é porque você não se esforçou o suficiente”. Sendo que o “você” da minha frase anterior é “a mulher”.

Além disso, eu tive que perceber que Glennon é uma mulher com uma doença emocional e mental. Quem sou eu pra julgar e dizer que ela não está esforçando de verdade? E por que tem que ser responsabilidade da mulher de se esforçar e não do homem também?

Percebem o quanto foi importante ler Somos Guerreiras? Foi um exercício para enxergar e entender os meus próprios preconceitos.

Mais no início eu comentei que a leitura também me proporcionou momentos de apatia e aversão, mas isso tem a ver com os pilares que Glennon define para evoluir sua vida. Ela precisou equilibrar a mente, o corpo e o espírito. Então existiram alguns momentos que eu não consegui conectar com a jornada da autora.

Principalmente quando ela fala sobre seus filhos e o relacionamento com eles, e a forma como a religião é importante para estruturar sua “nova” família, quando ela e o marido estão tentando acertar os ponteiros. Foram dois momentos que simplesmente passaram pelas páginas, porque não são parte da minha jornada como pessoa e mulher. Não são necessidades na minha estrutura de desenvolvimento e crescimento, então foi difícil de acompanhar e até mesmo me importar.

Independente disso, ver a forma como Glennon abraça a decisão de ser uma mulher melhor, de ser mãe, de ser esposa, mostra a jornada de uma pessoa em busca de uma versão mais completa de si mesma. E isso tudo valeu a leitura.

Deixo mais alguns quotes aleatórios do começo do livro que me marcaram porque (ainda) é um problema com que eu tenho que lidar. Se eu pudesse, encheria esse post com todas as marcações que fiz ao longo do livro, mas pelo menos eu sei que sempre que precisar de algum tipo de inspiração ou consolo, é só abrir as páginas que alguma coisa vai ser importante mais uma vez.

“(…) logo me dou conta de que ser inteligente é mais complicado do que ser bonita.” p.21

“Começo a entender que a beleza entusiasma as pessoas enquanto a inteligência as deixa pouco à vontade.” p.21


Até a próxima! o/

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Parceria com a Editora Intrínseca

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