resenha

The Kiss of Deception – Mary E. Pearson

22 fev 2017
Informações

the kiss of deception

mary e. pearson

darkside

série crônicas do amor e ódio #1

406 páginas | 2016

5

Design 5

História 5

onde comprar: Amazon (compras feitas através do link geram uma pequena comissão ao blog ^.~)

Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

design

Eu, como designer (e como leitora), amo muito a Darkside. A editora ocupa um espaço muito especial no meu coração gráfico junto com a Intrínseca pelo amor que dedica aos livros que publica.

Ainda não tinha feito nenhuma resenha de livros da editora por aqui (porque empaquei na leitura de Prince of Thorns e foi difícil de pegar de novo), mas ó… tem muito carinho envolvido em tudo relacionado ao projeto gráfico. Que é em capa dura e tem fitilho. Tem fitilho pelamor!

A começar por essa capa que transpira fantasia e romance. Pode parecer uma mistura estranha, mas vai por mim que funciona. Mesmo sendo uma adaptação da capa original, foi muito bem feita. Ela tem um padrão cromático muito bonito, que tem o quê de sépia, mas ao mesmo tempo ele é ainda mais quente pela presença da jovem em primeiro plano.

As fontes do título e do nome da série são daquelas tipo romanas que lembram a Trajan e já dão todo um ar de “sou fantasia, me ame”. Não sei porque a editora decidiu manter o título em inglês, mas eu até que curti.

O símbolo da caveirinha da Darkside está completamente integrado ao grafismo e fica até parecendo um elemento visual complementar do design do título.

Meu único méh é a menina estar de costas, mas acredito que é uma forma de universalizar a personagem, talvez? De qualquer forma, melhor de costas do que sem cabeça… (eu e minha cruzada contra as moças decapitadas nas capas). Complementando a arte da capa, tem até a representação dos dois gatinhos ali no fundo, tá vendo?!

O resto do projeto, na lombada e na quarta-capa, é todo com um padrão de nuvens, mantendo o tom cromático “sépia” e esse ar meio fantástico que já tem na capa.

Agora, a parte interna, PESSOA!, a parte interna é uma coisa MA.RA.VI.LHO.SA. Eu vou colocar umas fotinhas tosquinhas aqui só para você entender do que estou falando em cada parte, tá? Por favor, ignore a qualidade das imagens… u.u

Começando pelas guardas, que são ilustradas com o mapa de Morrigan/Dalbreck/Venda e é onde todos os mapas deveriam estar daqui pra frente! É muito mais fácil de acessar do que quando os mapas estão na página 30 do livro.

The kiss of deception - miolo The kiss of deception - miolo

Depois temos as falsas folhas de rosto em folhas com chapados de preto com o título do livro em vazado em “branco”. O mais lindo que é a mesma arte aplicada na capa. Todo esse grafismo permeia as páginas seguintes de folha de rosto, abertura do conteúdo propriamente dito e introdução.

The kiss of deception - miolo The kiss of deception - miolo

The kiss of deception - miolo The kiss of deception - miolo

Entrando agora no miolo propriamente dito. Todas as aberturas de capítulos tem um grafismo com o número e o nome da série. Nos capítulos que são da Jezelia não existe nenhuma marcação identificando, mas nos de Kaden e Rafe aparece o nome de quem é o protagonista. Nos primeiros parágrafos existe uma capitular LINDA que sempre é trabalhada com elementos florais dentro de um box quadrado.

The kiss of deception - miolo 

A mancha gráfica ocupa a página de uma forma muito equilibrada, com margens bem adequadas. A fonte é uma serifada bem marcada e “clássica”, mas bastante legível e com uma entrelinha muito boa para dar os “brancos” e os espaço necessários para arejar uma fonte como essa.

Alguns capítulos que não tem conteúdo na página par ao terminarem acabam com um conteúdo em formato de poesia que pode ser um dos texto antigos de Venda. Nesses tem um capitular bem diferente do que abre os capítulos e ele é muito mais rebuscado e pesado visualmente. Alguns parecem iluminuras, enquanto outros têm uma pegada quase gótica…

A única coisa que me chamou a atenção é que não existe informações de cabeçalho. E tem bastante espaço na margem superior pra se colocar essa informação. Mas considerando todo o projeto, não vai ser isso que vai me fazer tirar décimos que sejam da nota total. 5 estrelinhas com louvor pra The Kiss of Deception! <3


história

Sabe quando uma história começa de um jeito que parece que vai ser uma bosta, mas ela tem uma virada impressionante e passa a ser um dos melhores livros que você leu no ano?

Então, isso foi o que aconteceu comigo enquanto lia The Kiss of Deception. De YA de fantasia, virou um livro sobre liberdade e força feminina. De uma personagem mimada e sem graça, uma jovem forte e capaz de salvar a si mesma. De um triângulo amoroso, um romance único e forte o suficiente para enfrentar a distância e diversos perigos de uma jornada.

Arabella Celestine Idris Jezelia é a Primeira Filha da Casa de Morrighan, um dos principais reinos do universo onde se passa nossa história. O livro começa com Lia sendo preparada para o seu casamento. Uma ocasião que ela não desejou. Para formar uma aliança com o reino vizinho de Dalbreck, seu pai ofereceu Lia como parte da barganha no casamento.

A última coisa que Lia queria em sua vida já limitada da realeza era um casamento arranjado, sem amor, e com um príncipe que nem se dava ao trabalho de conhecer sua futura esposa.

Já que as coisas não podem ser do jeito que Lia gostaria, ela decide fugir junto com sua criada pessoal, Pauline, e viajar para cidade natal da jovem. Para conseguir despistar todos que provavelmente vão atrás de Lia, a princesa usa todos os seus conhecimentos sobre rastreamento que aprendeu com os irmãos mais velhos. Assim, ela consegue que uma nova vida tenha início em Terravin, onde ela pode deixar de ser uma princesa, e passar a ser uma garçonete em uma taverna da cidade. (Quem nunca?!)

A princípio Lia parece somente uma menina mimada de 17 anos que não quer cumprir seus deveres da realeza. Só que conforme você continua lendo, você percebe que seus irmãos mais velhos tiveram toda a liberdade que ser homem lhes garantia. Eles puderam escolher suas esposas por amor, fazer aquilo que gostavam de fazer, quer fosse caçar ou serem soldados do exército de Morrighan.

Quando Lia atingiu uma idade em que brincadeiras na floresta com seus irmãos não eram mais adequadas, ela passou a ser treinada para ser uma princesa. Foi tolhida de escolhas e forçada a se preparar a assumir seu papel como Primeira Filha.

Nesse universo existe uma crença que as mulheres que são as primeiras filhas nascem com um dom de previsão, só que Lia acredita que ela não o possui. Sua mãe tinha o dom muito forte quando era jovem, mas depois de quatro filhos o poder começou a deixá-la. Durante toda sua vida no palácio, Lia foi dada a acreditar que não tinha o dom, ou que provavelmente era tão fraco que não se manifestaria.

Então ela agora vive em uma cidade afastada da capital Civica e acredita que ninguém mais vai procurar por ela. Boa parte de sua convivência é feita com outras três mulheres: Pauline, que não é mais sua criada e pode assumir o papel de sua melhor amiga; Berni, a dona da taverna que acolhe as duas jovens; e Gwyneth, a outra garçonete do estabelecimento.

O relacionamento das quatro é muito bom de acompanhar, porque elas são mulheres que se ajudam, e não competem. A amizade entre Lia e Pauline é bem real e crível, e a princesa quer proteger sua inocente e romântica amiga de uma revelação sobre o soldado por quem é apaixonada. É muito bom ver uma história que se desenvolve além do umbigo da protagonista e de seu relacionamentos amorosos.

Além de Lia, existem mais dois (ou quatro) pontos de vistas que contam a história de The Kiss of Deception: o príncipe, o assassino, Kaden e Rafe. E é aqui que a história de Mary E. Pearson começou realmente a me conquistar.

Mas antes disso! Quando os dois personagens masculinos surgiram na história, ambos com seus próprios objetivos ao encontrar Lia, eu já senti cheiro de triângulo amoroso. Foi uma decepção tremenda, porque eu estava achando que um livro de fantasia conseguiria fugir do estigma de vários YA de ter sempre dois caras interessados na protagonista, e ela completamente indecisa de quem ela quer de verdade.

Obviamente, o objetivo do assassino é matar Lia, por conta de um estratagema de sua terra natal, Venda. Já o príncipe quer conhecer a princesa que teve coragem de fazer aquilo que ele queria fazer – fugir do casamento. E também se permitir ser “inspecionado”, que era um desejo de Lia antes de se casar.

O mais maneiro quanto aos personagens masculinos é que em nenhum momento a autora dá a entender quem é o príncipe ou o assassino, a partir do momento que os rapazes se apresentam para Lia. E porque eu sou meio tapada quando estou lendo, só fui me tocar disso muito na frente na história. Eu assumi que Kaden e Rafe tinham um dos papéis, e tive a grata e impressionante surpresa de ter me enganado! Não vou comentar qual era a minha opinião, porque não quero influenciar a leitura de vocês, mas me enganou direitinho.

Outra coisa que me surpreendeu positivamente: em nenhum momento existe um triângulo amoroso. Lia decide por um dos rapazes desde o começo. Por mais que mostre interesse ou ache o outro bonito, ela tem certeza de quem ela realmente gosta. E quando você descobre o papel dele na história é ainda mais legal! E sim! Eu estou avisando isso aqui pra que você não desista da história por conta de também não curtir esse tipo de plot device.

O começo da história pode ser um pouco arrastado e cozinhar demais o relacionamento de Lia com Kaden e Rafe, e sua nova vida em Terravin. Mas depois das revelações, a história toma uma velocidade vertiginosa de acontecimentos e ação e tensão e descobertas pessoais que é quase impossível de largar a leitura.

O mais maravilhoso na minha opinião é descobrir a força que move Lia. Ela perde o ar de menina mimada e impulsiva que aparenta no começo da história. É o personagem que mais cresce e se desenvolve. Afinal, por que somente ela tem que ser usada por seu pai e por seu reino para conseguir paz? Por que seus irmãos podem encontrar a felicidade do amor e ela ser somente um “soldado no exército de seu pai”?

Acho que essa busca por quem Lia realmente é foi uma das maiores forças da história. Sua busca por sua própria identidade. A descoberta de que ela pode, sim, ter o dom de Primeira Filha. Descobrir uma força interior para sobreviver a diversos tipos de problemas e adversidades nos piores momentos de sua jornada. Descobrir o amor verdadeiro, e se alimentar das promessas e do conforto que ele pode trazer para enfrentar qualquer problema que surgir. Descobrir uma outra força que lhe permite motivar e comover até mesmo seus inimigos.

E o mais legal, pra mim pelo menos, é que o romance convence! E eu me via o tempo todo torcendo para dar certo. Mesmo depois, descobrindo o papel dos rapazes, eu meio que me peguei torcendo ainda mais para que Lia e seus escolhido tivessem um final feliz.

Que obviamente foi adiado, porque afinal temos mais dois livros pela frente e muita coisa para acontecer…

Se você conseguir passar das primeiras páginas (PUFAVO consiga!), até a chegada dos personagens masculinos à Terravin, acredito que The Kiss of Deception vai conseguir te conquistar, e pode se tornar uma das melhores leituras que você vai fazer no ano. Da mesma forma como foi para mim. <3


Até a próxima! o/

O livro foi cedido pela Darkside para resenha no blog.

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