resenha

Armada – Ernest Cline

15 dez 2016
Informações

armada

ernest cline

leya

série ---

432 páginas | 2016

2.25

Design 3

História 1.5

Zack sempre sonhou com uma realidade parecida com o universo dos livros e filmes de ficção científica. Por que nunca acontecia algo fantástico que pudesse trazer um pouco de aventura à sua vidinha mais ou menos? Então, de repente, ele vê uma nave espacial. E, mais estranho ainda, ela é idêntica à do seu videogame preferido. Agora, suas habilidades ao joystick serão fundamentais para salvar a Terra da destruição!

Design

Se eu disser que o que a única coisa que gostei em Armada foi a arte da capa vocês me perdoam? :P

Gosto do padrão cromático meio monitor-de-tubo-de-fósforo, da questão geométrica das naves que tem tudo a ver com o saudosismo dos jogos de pouquíssimos bits. Gosto da fonte no nome do autor, que me lembra demais Tron e várias obras “futurísticas” dos anos 80.

Gosto do título nessa fonte aglutinada e branca, chamando muita atenção em meio às cores mais frias e neutras de pretos azulados e azuis/verdes “neons”. Tudo isso junto faz com que a capa tenha bastante personalidade, identidade com a questão saudosista dos anos 80, e tenha muito da estética de games também envolvida.

Já o miolo é relativamente simples, com boa legibilidade e ocupação da mancha na página. Tem um ou outro projeto gráfico diferenciado para mostrar mensagens de texto, ou algum outra forma de emular um conteúdo que não é a história propriamente dita. Mas nada tão marcante, e que faça jus a ideia iniciada na capa.


História

Putz… definitivamente este foi o livro que eu mais demorei para ler em 2016, levando em consideração a quantidade de páginas (que era consideravelmente menor do que As Chamas do Paraíso, por exemplo). E foi o livro que eu fiquei me perguntando POR QUE eu simplesmente não abandonei. Questionei também minha sanidade por ter gostado do livro anterior do Ernest Cline, ficando na dúvida se eu não fiquei empolgada porque era um livro de coisas nerds, e não analisei direito o que deveria ser levado em consideração.

Demorei para digerir Armada. Não sei bem o que aconteceu. Talvez tenha sido culpa do monstro da expectativa. Sendo muito sincera, eu não lembro direito de praticamente nada de Jogador Nº1. Já faz tempo que eu li, e só ficou a sensação de “nossa, como esse livro é legal com o monte de referências de coisas dos anos 80 e de jogos”. Sou uma cria (desastrosa) dos anos 80 e sou saudosista em algumas coisas, então é legal se ver de alguma forma representada na história do Cline. Mas, cara, Armada foi difícil de digerir.

Primeiro eu não consegui gostar de Zack. MELDELZ QUE MOLEQUE CHATO. A sensação que eu tinha é que a cada par de parágrafos ele precisava fazer uma pausa para provar que sabia quem era Yoda, que tinha visto Star Trek, e que gostava de ouvir alguma banda famosa dos anos 80. Tudo legado de seu pai que morreu quando ele ainda era um bebê.

Sério… em nenhum momento eu consegui engolir que ele era um garoto de 18 anos. Eu só conseguia enxergar os quatro meninos de Stranger Things em tudo que Zack fazia. Só que, sei lá, as atitudes dos personagens de Stranger Things eram “aceitáveis” para suas idades, mas as de Zack não.

Grande parte do início de Armada é só uma ode ao saudosismo e “olha como eu sou um nerd bizarro” (tomei a liberdade de roubar o nerdão do Affonso Solano). Uma apresentação da teoria de conspiração que o pai de Zack desenvolveu aos 19 anos, em como Zack é bonzão no jogo Armada, estando entre os top 10 melhores jogadores do mundo. Você já logo percebe que ele vai ser um special snowflake salvador do mundo…

Zack tem aquela sensação que foi feito para coisas melhores e maiores. Aquela sensação que todo nerd jogador de qualquer game tem. Na verdade, que qualquer ser humano tem; não vou ficar compartimentando uma característica dessas dizendo que é coisa de gamer. Mas quando a oportunidade de Zack chega, de se tornar finalmente alguém importante pela capacidade e qualidade que tem jogando Armada, a princípio ele vai, porque foi para isso que ele nasceu. Só que logo depois ele começa a questionar a decisão que tomou, e tudo ficou com a sensação que ele só estava fazendo isso porque seria o esperado do personagem em sua estrutura de herói. Ele até deveria recusar o chamado, só que ficou muito forçado na história.

Na verdade, a história toda é muito forçada em muitos aspectos, e isso vai além do livro ser todo embasado em clichês. Entenda, clichês são legais. Eles ajudam a deixar a história mais familiar e aceitável em muitos momentos, mas eles não deveriam ser as muletas que mantém a trama andando, sabe?

Quando Zack é recrutado e enviado para a base principal de pilotos, a primeira coisa que faz é se aproximar de uma das únicas meninas no auditório, e que não queria ser incomodada. Mas ele faz uma piada, UMA PIADA, e ela já está completamente apaixonada por nosso nerdão absurdo. Porque ser nerd é ser sexy. é pegar as minas, é SALVAR O MUNDO.

E o livro se arrasta, e ao mesmo tempo se passa em praticamente um dia inteiro da vida de Zack, e vários da minha que investi nessa leitura.

No fim das contas, a Terra sofre um primeiro ataque, Zack é um dos principais salvadores do dia, ele descobre um segredo sobre sua família e é enviado para a Lua. Aqui eu tive mais problemas com vários personagens que foram incluídos só para fazer parte de alguma cota cósmica e obviamente serem mortos, para que Zack tivesse ainda mais motivos para proteger o planeta do ataque alienígena sem propósito.

Um rapaz oriental muito focado em sua honra, uma menina negra, um homem britânico e negro, uma mãe de família e um (futuro) casal homossexual, de um japonês e um americano bbk. Vários tokens que podem ser usados para completar a cota do livro “inclusivo” e das desculpas narrativas.

Quando finalmente o livro ganha ritmo, vem uma sequência de batalhas, decisões (ruins) de roteiro, situações forçadas, e a decisão de como salvar o mundo caindo na mão de nosso special snowflake. Sério. Não deu.

Se pelo menos Zack fosse um personagem gostável, mas nem isso ele conseguiu ser ao longo das 432 extenuantes páginas de Armada. E nenhum outro personagem é importante ou tem profundidade ou protagonismo para que você sequer se importe.

Muito decepcionada. E ainda me questionando se eu deveria reler Jogador Nº1 para rever meus conceitos gerais sobre o autor.


Até a próxima! o/

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