resenha

O Legado – Marcella Rossetti

10 maio 2016
Informações

o legado

marcella rossetti

indie

série filhos da lua #1

560 páginas | 2015

4

Design

História 4

Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós?

Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário inicial a cidade de Santos, em São Paulo. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.

Design

Este livro é um e-book, portanto não tem avaliação de design.


História

Adoro ser surpreendida. Principalmente quando uma leitura que não estava me empolgando de repente sofre uma virada e ganha um ritmo que finalmente coloca as coisas em movimento. Isso foi exatamente o que aconteceu com O Legado, o livro de estreia de Marcella Rossi.

O início da história é bastante arrastado e me lembrou acontecimentos e personagens de Crepúsculo e Cidade dos Ossos. A menina nova na cidade, a recepção estranha na escola, os alunos populares e excêntricos, o mistério do passado e do comportamento da personagem principal…  Acho que essas semelhanças acabaram atrapalhando minha imersão inicial e quase criaram certa aversão à Bianca, quase me fazendo desistir da leitura. Some-se a isso o ritmo um tanto arrastado… Precisei tomar a decisão de insistir um pouco mais.

Bianca, nossa mocinha socialmente deslocada, começa um tanto deslumbrada na escola nova. Lucas, o óbvio gatinho que todos querem, é detestável desde o primeiro momento em que aparece e, de alguma forma, a autora me passou a impressão de também não gostar tanto dele. Marcella não conseguiu construir o personagem do Lucas de uma forma que me deixasse interessada pela possibilidade de relacionamento amoroso entre ele e Bianca. É visível que vai existir algum tipo de triângulo e que Lucas não vai ser a ponta forte. Na verdade eu passei boa parte do arco inicial torcendo para que acabasse logo a interação dele com Bianca… u.u

Bem, eu já estava em 15% da leitura e as coisas ainda não tinham começado a se movimentar… Fui conversar com @ Neo do Chimeriane sobre a opinião dela do livro. Parenteses para historinha rápida: @ Neo já tinha feito resenha do livro da Marcella, e foi através da promoção que fizemos juntas que a autora chegou aqui no PL. Fecha parenteses. Neo me disse que realmente o início era bastante lento mas me garantiu que a partir de 20%, depois da balada Barba Azul, as coisas finalmente iam começar a deslanchar. BTW, que nome infeliz esse para a tal casa noturna. Não sei se foi uma escolha proposital, mas não sei se consegui colocar sentido para a autora escolher logo esse nome. Se você não conhece a história do Barba Azul, a wikipedia tem um resumo para você. ^.~

Mas então, realmente é a partir dos 20% da leitura que finalmente a história pega o leitor, quando Bianca sai do mundo comum e entra de cabeça no mundo sobrenatural dos karibakis.

Existem momentos de infodumps camuflados pela história que tem que ser contada para Bianca, e de quebra para o leitor, mas eles foram bem caracterizados e não tão jogados na sua cara. A autora consegue construir e envolver a jornada de Bianca nesse world building e cria uma mitologia bem interessante. Ela encontra até tempo para contar a história de como os karibakis e os parentes foram criados pelos deuses e talz. Aliás, a conexão entre os karibakis e parentes é bem feita mas até o fim da história eu ainda tinha dificuldade em lembrar qual das cinco classes fazia o que, e qual era a diferença entre um dom ou um legado.

Além de sobrenatural, a história tem um viés tecnológico que achei bastante inovador, com um mundo muito avançado de holografias, materiais moldáveis, e inteligência artificial.

É um YA, então invariavelmente os adultos são meros coadjuvantes na história, os detentores da tradição, aqueles que impõem e seguem regras “bárbaras”, aqueles que não precisam participar das decisões dos “super auto-suficientes e rebeldes” adolescentes… Talvez eu não consiga mais lidar com “crianças” salvando o mundo, ou simplesmente ache que “crianças grandes” de 16 anos NÃO DEVERIAM ser melhores do que adultos “temperados e forjados” ao longo de anos… ¬¬

Entretanto, eu gostei da evolução de Bianca, felizmente ela conseguiu romper a barreira de insatisfação inicial que me marcou no começo do livro. Ela não é simplesmente uma special snowflake. Ela quer ser aceita e fazer parte dessa nova sociedade que não conhecia mas que agora entende que é onde precisa estar. Ela se dedica e se esforça e não espera que tudo seja colocado mastigado aos seus pés. E se você pensar bem, é uma grande diferença de várias heroínas que esbarramos em outros YA que ganham tudo da noite para o dia e já se acham o ó do borogodó.

O romance é um pouco difícil de apreciar porque não é mostrado para o leitor seu desenvolvimento, mas contado. O relacionamento é daqueles derivados de ódio/amor, de certa forma bastante previsível, mas você não consegue acompanhar bem quando o ódio virou amor. De repente, Bianca toma sua decisão por um dos gatinhos (ou lobinhos) que fazem parte do seu triângulo, e a gente meio que tem que lidar com um “aceita aí”. Nada contra, porque já estava meio na cara desde o começo quem ela escolheria, mas eu queria ter um maior envolvimento e participação no crescimento do casal.

Gostei muito da forma como a autora desenvolve os arcos de vários subplots que enriquecem a trama, da forma como ela cresce o clímax da história e descreve as cenas de ação. Os personagens coadjuvantes também são bem construídos e tem seu espaço em vários capítulos. Isso é uma vantagem de a autora ter escrito sua história em terceira pessoa. MAS! Ela me decepcionou muito ao tomar uma decisão de evolução no papel de Bianca dentro do Refúgio. Foi basicamente o que Cassandra Clare fez com o relacionamento de Clare/Jace no final de Cidade dos Ossos: criou uma desculpa/motivo para um romance proibido. Não, não… Desculpa mais isso não é um cliffhanger forte ou interessante o suficiente para me prender em uma continuação da história. u.u

As pontas soltas dos vilões sim foram interessantes, a mensagem do além para Bianca, e as questões políticas dentro do Refúgio. Quero sim um desenvolvimento do romance de Bianca, mas prefiro que a autora encontre outro personagem que não seja um romance proibido do que insistir nessa linha de raciocínio. Se for nela, vai precisar de um certo esforço para me fazer engolir.

Fora o início arrastado, gostei muito do estilo de Marcella Rossetti, mas acredito que ela precisa rever a forma como seus adolescentes se expressam nos diálogos. Em muitos momentos eles são extremamente formais, o que não faz muito sentido com a faixa etária.

– Posso pedir para meu pai nos levar de carro – comentou Renan – Eu só tirarei minha carteira de motorista daqui a seis meses, quando farei dezoito.

Aguardando o próximo livro para acompanhar a continuação da saga de Bianca! \o/


Se você gosta do gênero urban fantasy/sobrenatural, você pode comprar o livro da Marcella na Amazon.

Até a próxima! o/

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