resenha

A Espada de Shannara – Terry Brooks

1 abr 2016
Informações

a espada de shannara

terry brooks

saída de emergência

série shannara #1

544 páginas | 2014

1.5

Design 3

História 0

Há muito tempo as Grandes Guerras do Passado arruinaram o mundo. Vivendo no pacífico Vale Sombrio, o meio-elfo Shea Ohmsford pouco sabe sobre esses conflitos. Mas o Lorde Feiticeiro, que todos julgavam morto, planeja regressar e destruir o mundo para sempre. A única arma capaz de deter esse poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada somente por um herdeiro legítimo de Shannara. Shea é o último dessa linhagem e é sobre ele que repousam as esperanças de todas as raças. Por isso, quando um aterrorizante Portador da Caveira a serviço do mal voa até o Vale Sombrio, Shea sabe que começará a maior aventura da sua vida.

Design

Esse é um exemplo de que capas bonitas podem vender um livro ruim. Eu ADORO livros de fantasia com capas ilustradas. Para mim é a combinação mais “correta” para esse gênero e em Shannara ainda tinha um diferencial de um fitinha dourada saindo de dentro do selo no centro da capa.

Sem interferências, sem chamadas, sem textos explicativos. A capa tem somente os elementos que precisa para ser completa: o nome do autor, o título, a ilustração absurda e o logo da editora. Na lombada e quarta-capa existem replicações da ilustração, com focos em algumas áreas específicas. Pena que a lombada não tem o número do volume do livro.

Não consegui identificar muito bem o que é o círculo na quarta-capa que serve de fundo para a sinopse, não sei se ele tem alguma relação com a história ou foi só um artifício visual para facilitar a leitura do texto. Acho que foi a primeira vez que Philip Pullman me deixou na mão com seu quote falando bem da obra de Terry Brooks… >o<

O miolo segue o padrão que a Saída de Emergência tinha começado com seus outro livros de fantasia. Na falsa folha tem um trechinho com frases de efeito em uma fonte de tamanho XI-CAN-TE, seguida de folhas com chapadas de preto, sumário, mapa e o miolo do livro em si. Apesar de ter mapa (yey! MAPA!) não achei que ele era muito “preciso” em termos topográficos. Durante a história os personagens comentam que estão subindo uma montanha, mas se você olhar o mapa eles estão no meio de uma floresta… ¯\_(ツ)_/¯

Quando ao miolo em si, ele é bem simples, com capítulos corridos que não necessariamente abrem em uma nova página quando o anterior termina. A fonte é a normal de todos os outros livros da editora, grande e espaçosa, mas com uma entrelinha um pouco apertada.


História

Não deu, Pessoas! Abandonei A Espada de Shannara. T^T

Shannara foi um dos primeiros livros da Saída de Emergência que recebi lá pelos idos de 2014. Lembro de ter ficado empolgada, é sempre bom poder ler um livro de high fantasy. Além disso, os livros do Terry Brooks no universo de Shannara são formados por várias trilogias e achei que podia ser o início de uma saga de leituras.

A capa era bem bonita, tinha uma fita fazendo uma firula a mais… e a ideia de uma busca por um objeto mágico para salvar o mundo é legal! #curti

Lembro que na época tentei começar a ler, mas nas primeiras 50 páginas o livro ainda não tinha engatado para mim e acabei deixando de lado para voltar em uma próxima oportunidade.

Pula para 2015. Bienal. Comprei o segundo volume em promoção no stand da Arqueiro pensando que “agora vai!”. Mas outros livros acabaram passando na frente.

Pula de novo, agora para 2016. A MTV lançou um seriado de 10 episódios baseado em As Pedras Élficas de Shannara, o segundo livro da série do Terry Brooks. Assim, a série é divertidinha, totalmente voltada para aquele público que também curtiu/curte Shadow Hunters, com atores adultos fazendo papéis de adolescentes, triângulos amorosos, plot com alguns furos, e interpretações questionáveis. Mas! Ele me deixou com aquela coceira de voltar aos livros.

Então, Samara, você pegou o segundo para ler, já que o primeiro você não engatou? Nãaaao… Eu peguei A Espada de Shannara, porque se é para ler, vamos ler na ordem, certo?

Que péssima decisão… <facepalm>

Delz!, como o livro é ruim. Chato e ruim. Nada, NADA nele conseguiu me encantar ou envolver.

Vamos começar pelo estilo narrativo de Terry Brooks. O livro é completamente descritivo e poético, e de uma forma que não te ajuda a construir o cenário ou entender o que o autor quer desenvolver para os personagens. Já fui criticada uma vez porque reclamei de um livro ser descritivo. O problema não é a descrição, mas o excesso dela, a repetição de explicações de coisas que já foram ditas e já foram absorvidas pelo leitor. A gente PRECISA de descrição, mas uma narrativa não precisa ser só isso. Vou dar um exemplo para vocês:

“O frio sem vida do céu das Terras do Norte estava suspenso em finas tiras de nevoeiro cinzento contra as bordas monótonas que formavam a montanha solitária de escuridão conflituosa que era o castelo do Lorde Feiticeiro. Acima e abaixo da planície ao redor, no Reino da Caveira, erguendo-se como dentes de uma serra enferrujada, estavam os picos arredondados das Montanhas da Navalha e da Lâmina da Faca, uma barreira impenetrável para os mortais. Entre elas, erguia-se a montanha agonizante do Lorde dos Espíritos, esquecida pela natureza, desprezada pelas estações, enquanto lentamente se desfazia. A mortalha que reclamava seus cumes altos, agarrando certeira e sem misericórdia suas faces rachadas, lançava uma aura maligna por toda a terra, com seu ódio inconfundível pleos poucos vestígios de vida e beleza que haviam conseguido de alguma forma sobreviver. Uma era condenada aguardava calmamente no reino do Lorde Feiticeiro. Era a hora da morte, na qual os últimos sinais de vida aos poucos desapareciam, voltando ao solo, enquanto somente a casca da presença da natureza, outrora brilhante e magnífica, permanecia.” (p240)

Isso é um parágrafo. UM. PARÁGRAFO. Cheio de metáforas (bordas monótonas?, escuridão conflituosa?), descrições complicadas (mortalha que reclama cume). O vilão da história é chamado por dois nomes diferentes no mesmo parágrafo! Na primeira vez que eu li achei que eram pessoas diferentes e não duas possibilidades de “chamamentos” para o cara mau. Agora, replique isso por todo o livro… Acredito que eu não gosto desse tipo de narrativa “lírica” e poética. Eu prefiro descrições mais sintéticas e objetivas, que conseguem te envolver na narrativa e não ficam de blablabla.

Os personagens são rasos, não tem personalidade direito, não tem bi/tridimensionalidade! Eles tão ali… e só. Você não consegue se identificar com nenhum, e eles são apenas nomes que você precisa decorar para entender o que o autor está contando. O único personagem que tem alguma coisa a mais é o druida Allanon, mas isso é porque o autor a todo momento diz o quanto ele alto, magro, sisudo, calado, escuro, com mãos fortes, com manto, com olhar penetrante, etc…

A história é completamente e basicamente tell e infodump. COM-PLE-TA-MEN-TE! Se o autor não está perdendo parágrafos de páginas inteiras te contando como o mundo ficou do jeito que está, ele está contando como os personagens saíram do ponto A para o ponto B. Isso mesmo. Ele. Está. Contando. Não existe envolvimento do leitor ou dos personagens nas ações.

Em dado momento o autor diz como os oito personagens estão cansados e sofreram MUITO para chegar até o castelo dos druidas… e tipo, oi? Mas eles sofreram? Eles tão mesmo cansados? Eu não vi isso. Eu não sofri isso com os personagens para você me vir com um texto todo poético e rebuscado dizer que eles tão “chatiadinhos”….

Outra. Quase todas as situações de perigo são resolvidas por personagens que não estavam na ação e foram calculadamente deixados de fora. Provavelmente como garantia de conseguir surgir do nada e ser o salvador/resolvedor do problema. Era quase como se os personagens pudessem virar uns para os outros e dizer: “Ah, tá tranquilo. Fulano não tá aqui, então a gente só senta e espera ele chegar”. Onde está o desafio? Onde está o perigo e o medo real se ninguém pode morrer de verdade?!

Não existe diálogo também! No meio de trocentas páginas de tell, de repente tem uma frase que é de um personagem falando alguma coisa genérica, normalmente dando uma de Capitão Óbvio.

Minha última reclamação, e eu deixei por último mesmo porque eu provavelmente poderia deixar passar se o resto todo fosse bom, é que até onde eu fui no livro não existem mulheres. Nem uma curandeira, padeira, estalajadeira. Nem uma vilã, heroína, mãe ou irmã. Não sei como os seres desse mundo de Terry Brooks se reproduziam porque não mencionar NENHUMA mulher ao longo de mais da metade do livro é um pouco assustador! Além do fato que eu sou mulher, e não ter um tico de representatividade com quem me espelhar, no meio de um livro ruim e chato, é mais uma forma de me afastar da leitura.

Sim, Shannara provavelmente foi influenciado pela obra de Senhor dos Anéis. Muitas passagens do livro tem suas similaridades com o livro de Tolkien. A jornada pela espada, a “sociedade” de várias raças se unindo em prol de salvar o mundo, os seres malignos enviados pelo Lorde Feiticeiro para tentar impedir o progresso dos personagens. Mas mesmo assim, eu não entendo por que os autores muitas vezes não conseguem fugir dos lugares comuns de Tolkien e criar um universo similar, mas melhorando todas as falhas que o pai da fantasia moderna deixou em suas obras.

Desisti de A Espada, mas provavelmente vou dar uma chance para As Pedras Élficas. Serão outros personagens, e se for como foi mostrado no seriado da MTV, aparentemente a história é mais representativa e interessante do que esse primeiro volume.


Até a próxima! o/

banner-resenha-arqueiro_2016

Você também vai gostar

Nenhum comentário

Deixe uma resposta