resenha

Uma Chama entre as Cinzas – Sabaa Tahir

30 dez 2015
Informações

uma chama entre as cinzas

sabaa tahir

verus

série uma chama entre as cinzas #1

432 páginas | 2015

3.75

Design 2.5

História 5

Laia é uma escrava. Elias é um soldado. Nenhum dos dois é livre. No Império Marcial, a resposta para o desacato é a morte. Aqueles que não dão o próprio sangue pelo imperador arriscam perder as pessoas que amam e tudo que lhes é mais caro. É neste mundo brutal que Laia vive com os avós e o irmão mais velho. Eles não desafiam o Império, pois já viram o que acontece com quem se atreve a isso. Mas, quando o irmão de Laia é preso acusado de traição, ela é forçada a tomar uma atitude. Em troca da ajuda de rebeldes que prometem resgatar seu irmão, ela vai arriscar a própria vida para agir como espiã dentro da academia militar do Império. Ali, Laia conhece Elias, o melhor soldado da academia — e, secretamente, o mais relutante. O que Elias mais quer é se libertar da tirania que vem sendo treinado para aplicar. Logo ele e Laia percebem que a vida de ambos está interligada — e que suas escolhas podem mudar para sempre o destino do próprio Império.

Design

Cara… essa capa, por mais que seja adaptada da original, não é muito maneira. Sabe o que parece? Um daqueles “posters” de lançamento da “NOVA NOVELA DAS 21H, NA RECORD, REI DAVI!”. Tem toda a estética que a Record (a TV, não a editora) costuma usar em suas novelas bíblicas.

Assim, não sei se gosto ou não da capa. Os brilhos dourados na fonte eu acho de certa forma datado, a ilustração do penhasco que cerca Blackcliff e as silhuetas de Laia e Elias estão meio perdidas, assim como a fortaleza lá no topo da imagem. Também não sei se o clima “bíblico” combina com a história do Império Marcial. Aí na quarta capa tem água, mas a história se passa em um deserto. ¯\_(ツ)_/¯

Pelo menos aqui eu posso dizer que gostei do padrão cromático e da combinação do branco da sinopse com o laranja de elementos específicos. Ficou bonito.

Agora, o miolo é aquela minha reclamação de sempre. Fonte, ocupação, entrelinha. Aqui eu até gostei das margens da mancha gráfica, mas ela dança demais verticalmente na página, como se o registro da máquina variasse muito. No meu exemplar eu até ganhei um cuspidão de tinta, como se tivesse entupido alguma das chapas de impressão. :P

E sim! Eu queria um mapa. Provavelmente Sabaa Tahir não fez um na versão original, mas faz muita falta localizar geograficamente os bairros, as prisões, locais da rebelião, e a escola Blackcliff. Sou uma pessoa visual, dizer para mim que é norte ou sul, é quase a mesma coisa de dizer que é “logo ali”.


História

Melhor.Livro.Do.Ano. Uhn, talvez esteja pau-a-pau com Mar da Tranquilidade, mas são de gêneros diferentes. Então, Melhor.Livro.Do.Ano.De.Fantasia. Eu gostei demais! Gostei do mundinho, gostei dos personagens, gostei da evolução da história.

Sim, poderia haver um maior desenvolvimento do background do universo de Uma Chama entre as Cinzas, mas acho que a autora preferiu embasar o mínimo possível para o leitor se contextualizar sobre a disputa entre os Eruditos e os Marciais, e focar na evolução dos personagens. Quase um livro character driven, sabe (falando merda aqui, com quase toda certeza)…

Eu sou naturalmente uma pessoa romântica. Então é relativamente normal para mim já começar um livro em que tem um casal de personagens como principais PoVs, torcendo para que eles fiquem juntos. Sim, sou dessas! Me julguem!

Judging you

Acontece que Sabaa Tahir conseguiu construir personagens de apoio que me deixaram balançada. Não sou muito fã de triângulos amorosos, mas não acho que é bem isso que acontece aqui. A partir do momento que Laia e Elias se encontram é previsível que, mesmo que a autora envolvesse os dois em outras situações de relacionamentos, invariavelmente eles devem ficar juntos (nesse livro, vai saber o que ela vai inventar para os próximos). E eu fiquei com penas das outras pontas dos triângulos de cada um. =/

Mas estou pulando muita coisa aqui. O livro é uma sequência de capítulos alternados entre Laia e Elias. A jovem Erudita vive com os avós e o irmão mais velho em um dos bairros dos Eruditos, que foram oprimidos e escravizados pelos Marciais. Elias é um dos caveiras de Blackcliff, uma instituição criada para treinar “assassinos” desde a infância, a poucos dias de se formar e se transformar em um Máscara, a guarda de elite do Império Marcial.

Praticamente todas as classes sociais são tratadas como suas “funções”. Eruditos, Marciais, Mercadores, Tribais… Todos tem sua posição institucionalizada dentro da hierarquia criada pelo Império Marcial, que derrotou o antigo Império Erudito, e transformou todos os sobreviventes em possíveis escravos.

Cada um está preso às convenções da sociedade de classes, mas enquanto Elias não quer se tornar mais um opressor do Império e o que mais deseja é sua liberdade, Laia só quer o que restou de sua família de volta. Entre os dois, Laia é uma heroína extremamente relutante e achei que sua evolução foi um pouco mais lenta com um salto muito grande no clímax final.

Elias passa muito tempo confuso sobre seu futuro, porque deseja fugir de todo o horror que sabe que pode causar ao se tornar um Máscara, mas o Adivinhos (os sacerdotes imortais que preveem o futuro) o avisam que a única forma de ter a real liberdade é seguindo o seu destino.

Em muitos momentos eu achei Laia inocente e ingênua demais quando ela negociava com a Resistência uma forma de salvar seu irmão mais velho. E em outros eu achava que toda sua lealdade com a família se tornava quase chata. Já no núcleo de Elias eu achei seu moralismo em relação a Helene muito arrastado, a necessidade de esconder da menina suas reais intenções ficou mais parecendo medo de ser dedurado (já que ela é extremamente certinha) do que perder a amizade/amor/troço estranho que eles tinham.

O legal de Uma Chama entre as Cinzas são os personagens de apoios que complementam os núcleos de Laia e Elias. Achei que o pessoal da Resistência aparece pouco, e talvez por isso não tenha criado um vínculo tão interessante com Keenan. O rapaz tem uma alteração muito rápida de comportamento em relação a Laia, levando em consideração que eles só se encontravam raramente para as reuniões da Resistência. Agora, Izzi e a Cozinheira, as outras escravas da Comandante, eram personagens mais ativos e interessantes no convívio de Laia. Na real, Laia era uma espiã muito ruim! :P Praticamente todo mundo de Blackcliff devia saber que ela era da Resistência…

Do lado de Elias temos sua amiga de infância Helene, única mulher Máscara da sua geração. Fria, objetiva e leal à sociedade Marcial, ela tem tudo para ficar igual à comandante, se passar por mais decepções e traições ao longo da história. Já estou até vendo. Fiquei até com pena da moça que deixa sua paixão por Elias dominar e confundir os sentimentos dos dois. A Comandante é muito assustadora! O.O Uma mulher cruel e sádica que planeja a morte do próprio filho diversas vezes ao longo da história. E os Adivinhos também são seres “místicos” e imortais que ainda precisam de muita explicação para contextualizar seus poderes e sua função na sociedade, mas aparentemente eles tem ainda mais poder e importância do que o próprio Imperador.

Gostei da introdução de uma questão mágica/sobrenatural na história, com a aparição de djinns, efrits e ghuls. Em como a sociedade Erudita está intimamente ligada com o desaparecimento e ressurgimento desses seres. Mas espero que eles tenham uma aparição e participação maior em um próximo livro. Se Elias é o braço marcial e lutador da dupla, Laia poderia de alguma forma desenvolver um lado mágico/espiritual de contato com esses seres, para balancear os dois.

E assim, fiquei falando do “lalalá, romance” no começo, e ele é sim um dos pilares do desenvolvimento da história, mas não acho que ele é o mais importante. Lealdade, confiança e traição parecem ser ainda ou mais importantes. Mas confesso que fiquei feliz que tem beijo! <3 Me deixem! :P

Lovey Dovey

A bosta é que agora só em agosto de 2016 para sair a continuação lá fora. Sabe-se lá quando a Verus vai trazer pra gente, né? T^T

Vale abrir um parenteses final aqui. Todos os nomes dos personagens do Império Marcial tem uma sonoridade romana/latina. Aquilla, Marcus, Demetrius, Aelia. Só que eu não conseguia DE JEITO NENHUM ler o sobrenome de Elias corretamente. O personagem é Elias Veturius, e eu só lia VENturius. Depois de um tempo, desisti de tentar ler do jeito certo e abracei o Venturius até o fim o do livro. :P


Até a próxima! o/

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3 Comentários

  • Responder Camila 30 dez 2015 at 23:07

    No livro original existe um mapa!!!!!

    • Responder Samara Maima 30 dez 2015 at 23:37

      Juraaaaa?! O.O Por que será que a Verus não colocou na versão brasileira?! Poxa! #chatiada =/

      • Responder Camila 31 dez 2015 at 00:04

        Sim!!! Também achei estranho não terem publicado….
        Tem um mapa do império e outro da escola (com a localização de cada ambiente)… Espero que no próximo livro coloquem!

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