resenha

O Império Final – Brandon Sanderson

28 dez 2015
Informações

o império final

brandon sanderson

leya

série mistborn: nascidos da bruma #1

608 páginas | 2014

4

Design 4

História 4

14

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O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn! Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou. Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente. Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa – classe social inferior –, Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma – uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.

Design

Quero começar a resenha com uma imagem. Olha com muito carinho.

Mistborn - Marc SimonettiMarc Simonetti Deviantart

Essa é mais uma desbundante arte do Marc Simonetti feita com exclusividade para a LeYa e a trilogia Mistborn brasileira! Não é muito amor?! Não é muito spoiler?! Não é tudo aquilo que você espera de um livro de fantasia?! Por favor, responda SIM às três perguntas para eu continuar gostando de você! ^.^

A capa de O Império Final é a arte do lado esquerdo do panorama, mostrando o Kelsier lutando contra os Inquisidores. Detalhe para as moedas que estão sendo lançadas pelo Nascido da Bruma e um de seus principais meios de locomoção e ataque! É assim que eu gosto das capas de livros de fantasia, e é assim que eu desejaria que todos os que fossem lançados aqui, independente de editora, tivessem esse tipo de tratamento.

Apesar de ter amado a ilustração, eu tenho um pouquinho de problema com o volume de informação textual na capa. Nós temos: Mistborn e Nascidos da Bruma e O Império Final e Brandon Sanderson… Não sei muito bem porque traduzir o nome da série, ou porque manter o nome original. Eu preferiria que fosse uma coisa ou outra, mas gosto do lettering diferenciado do nome da série. Acho um pouco confuso de ler, porque mistura uma pegada de runas com caligrafia, mas é bonito.

Mapas! Nós temos mapas! O mais importante mesmo é o das localizações das coisas em Luthadel, porque não consegui encontrar muita utilidade para o mapa do continente. Pelo menos não nesse livro, talvez ainda faça sentido no resto da série.

Quanto ao miolo, ele é denso. Em se tratando de um livro de 608 páginas, a fonte tem que ser um pouco menor e a entrelinha levemente apertada para abarcar esse volume de texto. Cada abertura de capítulo sempre tem um trecho retirado do que parece ser o diário de algum aventureiro do passado, e de certa forma tem a ver com o que é tratado ao longo daquele momento, por isso tem um tratamento diferenciado. Gostei do projeto gráfico, é elegante e equilibrado. Espero que mantenham assim nos próximos livros.


História

Então a pessoa lê um livro de fantasia que é uma pataca de respeito e deixa passar “mais de mês” para escrever suas impressões sobre a história. Por favor, aplausos!

Ai, Pessoas…. às vezes a vida acontece, a preguiça aparece e eu faço umas besteiras assim, de não escrever resenhas quando termino um dos livros que leio. O ruim é a tensão de não saber se vou realmente me lembrar do que eu experimentei, mas ao mesmo tempo, é uma boa forma de testar o que eu realmente guardei de informações da história. Vamos tentar…

Este não é o primeiro livro de Brandon Sanderson que leio. Há dois anos eu conheci o autor com Elantris e eu gostei muito daquele universo mágico que ele criou. Só que Elantris sofria de um sério problema de ritmo, que foi o mesmo que encontrei em O Império Final.

Ao longo das 608 páginas, a história passa em muitos momentos bem lenta e contemplativa, montando um enredo político, construindo o universo/mundinho mágico e desenvolvendo o grupo de personagens. Poucos momentos são de ação extremamente alucinante e com descrições cinematrográficas. É possível imaginar todas as sequências de movimentos dos personagens durante as lutas, inclusive enquanto usam alomancia.

No universo dO Império Final alomancia é uma magia baseada no consumo de elementos metálicos, que algumas pessoas especiais podem “queimar” e transformar em melhorias físicas e mentais, dependendo dos poderes e do metal que ela utiliza. Somente alguns nobres (e seus bastardos) conseguem acessar esse tipo de poder. Acima de todos os brumosos, que são as pessoas que possuem um poder específico de alomancia, estão os Nascidos da Bruma.

Os Nascidos são aqueles que conseguem acessar todos os poderes gerados pelos metais ao mesmo tempo. Isso faz com que sejam extremamente habilidosos e cobiçados pelas famílias nobres. Eles também são mais raros, e por isso costumam não alardear que possuem esse poder.

Há mil anos o reino dO Império Final é dominado pela tirania do Senhor Soberano, o mais poderoso Nascidos da Brumas que existe. Abaixo dele estão os nobres divididos em várias famílias/casas e na base da pirâmide social estão os skaas. A grande maioria dos skaas é de escravos nas fazendas, minas e comércio dos nobres por todo o império, mas um deles organizou uma revolta contra o Senhor Soberano e falhou. Ele foi enviado para as minas Hathsin onde os condenados devem recolher o atium (um metal raro e caro) e são deixados para morrer. Mas ele sobreviveu, e se tornou um fantasma e uma lenda. Na mina Kelsier despertou seus poderes de Nascido das Brumas.

É pela ótica de Kelsier e pela de Vin, uma jovem ladra, arisca e introspectiva, que conhecemos a história de O Império Final, que é muito complexa, cheia de meandros políticos, camadas de conspirações, corrupção e busca de poder que é capaz de deixar confuso um leitor menos atento. Cada capítulo começa com uma citação de um diário de um personagem que não aparece na história, mas seus relatos são importantes ao longo do livro para ajudar a fazer sentido muitas revelações.

Gostei muito de Kelsier, Vin e Elend (um nobre com participação importante na história). Os outros personagens coadjuvantes do grupo de Kelsier também conseguem ter personalidade e envolver o interesse do leitor. Mas é muito informação a todo o momento. Kelsier passa a maior parte do livro tramando e planejando mais uma vez como derrotar o Senhor Soberano e livrar os skaas de sua tirania, mas seus métodos demoram a fazer sentido, tanto para os personagens quanto para o leitor.

A participação de Vin como protagonista também cresce ao longo da história, inclusive ela começa a ter mais presença e poder de liderança como uma Nascida de Bruma em desenvolvimento. É ela a responsável pelo leve romance que permeia a história, mas que é completamente deixado para último plano com a complexidade da trama. Além disso, Vin é a única representante feminina atuante em todo o livro. O que é uma pena, porque eu gostaria de ver outras mulheres brumosas, nobres ou skaas com um papel mais ativo da revolução de Kelsier.

Acho que o que mais me fascinou e que manteve meu interesse foram as cenas de luta e o uso da magia ao longo da história. O treinamento de Vin no uso dos metais, que é a forma como o leitor entende para quê e como eles funcionam, também é muito interessante, mas até eu me acostumar com o que “puxava” e o que “empurrava” demorou um pouco. Fiz algumas visitas ao glossário, que é um pouco incompleto, talvez para não dar spoilers sobre os metais “raros/especiais” que aparecem ao longo da história.

Escrevi um monte e nem arranhei a superfície da história. Não comentei sobre os Inquisidores, que são brumosos evoluídos pela Inquisição para manter a ordem. Eles são capazes de identificar as pessoas que possuem e utilizam a alomancia e são imunes a seus efeitos. E são assustadores! A descrição é que tem pregos espetados nos olhos que saem na parte de trás de suas cabeças, além de outros ao longo do corpo. Na capa do livro tem ótimas representações desses “monstros”.

Acho que fora o ritmo lento, o que me incomodou um pouco foi a resolução final em si. Acho que o final acabou sendo muito corrido e cheio de explicações e soluções para questões desenvolvidas ao longo da história, um tanto quanto que jogadas na cara do leitor. Se você não estiver concentrado e atento pode acabar deixando passar alguma coisa.

Já terminei a continuação, lida toda em casa, porque não dava para levar 720 páginas para passear no metrô. Meu pequenos bíceps não aguentariam o tranco. :P


Até a próxima! o/

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