resenha

O Sangue do Cordeiro – Sam Cabot

11 nov 2015
Informações

o sangue do cordeiro

sam cabot

arqueiro

série ---

368 páginas | 2015

2.75

Design 3

História 2.5

“Este documento, querida amiga, vai abalar a Igreja.”

Ao ler essas palavras em uma carta encontrada em um arquivo empoeirado, Thomas Kelly fica cético. O documento citado na correspondência está desaparecido, mas Thomas, padre da ordem dos jesuítas, duvida que exista algo com tal poder – até ser convocado ao Vaticano para iniciar uma busca desesperada por ele.

Enquanto isso, diante de um conselho formado por seus superiores, Livia Pietro recebe instruções claras: encontrar um padre jesuíta recém-chegado a Roma e juntar-se a ele na procura da Concordata, um tratado que contém um segredo tão chocante que poderá destruir para sempre todo o povo de Livia.

Enquanto pistas cifradas do passado lançam os dois em um universo traiçoeiro repleto de obras de arte, maquinações religiosas e conspirações, eles são caçados por pessoas capazes de tudo para achar o documento primeiro. Thomas e Livia, então, precisam correr para montar o quebra-cabeça capaz de redefinir os rumos da história e evitar o caos e a destruição que a revelação da Concordata poderá causar. Livia, porém, tem um segredo: ela e seu povo são vampiros.

Com uma narrativa que remete ao estilo de Dan Brown e ao terror sobrenatural de Anne Rice, O sangue do cordeiro é uma viagem inesquecível a um passado inimaginável.

Design

Ai, a capa de O Sangue do Cordeiro… Entra facilmente para o grupo das capas da Arqueiro que não deram certo. É uma mixórdia de temas todos sobrepostos, porque obviamente fazer uma capa simples não ia passar a força e a intensão da história.

Então junta um céu nublado e pinta de vermelho para parecer que é sangue! A história se passa em Roma?! Vamos tacar uns prédios “velhos” e históricos com um efeito lúgubre! Ah!, e tem um documento secular também! Arremata tudo com um pedaço de papiro rasgado que fica tudo bem. ¬¬

Desculpa, não ficou tudo bem. Ficou pesado e poluído, um conflito visual que não conta nada para o leitor. Da capa a única coisa que eu realmente gosto é a fonte do título e do nome do autor em caixa alta em uma família que lembra a Trajan. Porque qualquer coisa com Trajan fica bom.

Um diferencialzinho no miolo foi o mapa da cidade por onde os personagens correm de um lado para o outro, e que ajuda um pouco a acompanhar a movimentação da história. Fora isso, o miolo padrão e correto da Arqueiro ocupa todo o projeto gráfico do livro.


História

Ah, me decepcionei um pouco com O Sangue do Cordeiro… =/ Acho que eu esperava uma trama mais ágil e cinematográfica como os livros do Dan Brown, só que a narrativa de Sam Cabot tenta mas não alcança o que os livros do primeiro conseguiram.

Quando solicito um livro para leitura normalmente dou uma “vista d’olhos” na sinopse para ver se tanto a trama quanto os personagens me interessam. Nessa primeira passada eu vi “conspiração”, “igreja”, “mudar o mundo”, “vampiros”, e minha impressão foi “maneiro, quero ler”. Mas quando o livro chegou aqui e eu fui realmente ler a sinopse vi que o personagem principal era um padre, e assim, metade da minha empolgação com o livro praticamente evaporou.

E com certa razão. Em grande parte do início do livro, quando acompanhamos a apresentação de padre Thomas, existe uma certa exaltação da igreja Católica. Não quero entrar nessa ceara de discutir religião porque cada um tem a sua e nenhuma é melhor que a outra. Mas algumas coisas da crença e dos dogmas católicos sempre me incomodaram. Então não foi muito agradável de acompanhar.

Por outro lado a vampira Livia é um pouco mais interessante, mas não o suficiente para segurar a história que por bons 2/4 não desenvolve muita coisa sobre o que é o documento que vai abalar a Igreja.

Livia e Thomas vão precisar se unir para impedir que o tal documento, a Concordata que foi assinada pelo conclave vampírico e a Igreja, venha à público. Um ex-amante de Livia é o responsável por ameaçar o conclave dessa exposição e por isso (e também pelo fato de ser uma historiadora de arte) ela é enviada para encontrar o documento.

Quando Thomas entra na história e descobre que existem vampiros co-existindo com os humanos o livro se perde em uma série de preconceitos e racismos e “vocês são crias de satanás, são mochilas de criança, são ardósia fria” que quase me fez abandonar a leitura. Eu ficava me questionando como um padre da ordem dos jesuítas, que explica no livro é uma das mais dedicadas ao estudo e racionalismo, pode sair dizendo na cara das pessoas que elas são filhas do demonho?!

Demônio - Porta dos Fundos

Episódio Demônio do Porta dos Fundos

A história perdeu muito do clima e do ritmo por causa do personagem. Criar tanto “ódio no coração” do padre para depois colocá-lo em uma situação que o força a ter que trabalhar com os vampiros, e aí ele ter uma mudança de atitude, tudo isso em apenas um dia?! Náh… não me convenceu. “Ah, esses filhos dos demonhos não são tão ruins assim, eu tou até gostando dessa moça maneira.” ¬¬

thranduil rolling eyes

Além disso, aonde Dan Brown é didático e explica como Robert Langdon chegou ao entendimento das cifras e charadas ao longo da jornada, Sam Cabot é mais na linha do “aceita aí”. Livia e Thomas leem um poema e PÁ! Já sabem para onde tem que ir, assim sem mais nem menos. O máximo que você pode fazer é acompanhar no mapa de onde para onde eles estão correndo pela cidade, mas entender verdadeiramente como eles descobriram… méh. =/

O final é meio corrido, sem muitas explicações e o autor deixa uma SUPER REVELAÇÃO para o último capítulo que se não tivesse sido feita, ó, juro que não teria feito nenhuma diferença para minha experiência com a leitura.

Assim, se você quer uma coisa mais de “educativa” dessa parte de conspirações, de “djizus”, uma narrativa mais rápida, sugiro fortemente que leia Dan Brown. Aqui, nem a perspectiva do sobrenatural dos vampiros torna o livro realmente interessante.


Até a próxima! o/

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