resenha

A Espada do Verão – Rick Riordan

19 nov 2015
Informações

a espada do verão

rick riordan

intrínseca

série magnus chase e os deuses de asgard

448 páginas | 2015

4.75

Design 5

História 4.5

Às vezes é necessário morrer para começar uma nova vida…

A vida de Magnus Chase nunca foi fácil. Desde a morte da mãe em um acidente misterioso, ele tem vivido nas ruas de Boston, lutando para sobreviver e ficar fora das vistas de policiais e assistentes sociais. Até que um dia ele reencontra tio Randolph – um homem que ele mal conhece e de quem a mãe o mandara manter distância. Randolph é perigoso, mas revela um segredo improvável: Magnus é filho de um deus nórdico.

As lendas vikings são reais. Os deuses de Asgard estão se preparando para a guerra. Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo Magnus deve ir em uma importante jornada até encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. A espada do verão é o primeiro livro de Magnus Chase e os deuses de Asgard, a nova trilogia de Rick Riordan, agora sobre mitologia nórdica.

Design

Se vocês gostavam do projeto dos livros da série Percy Jackson, Magnus Chase não fica atrás em qualidade gráfica. A ilustração da capa ainda está a cargo de John Rocco, e ele consegue misturar elementos importantes para a história e até me confundiu um pouco. Eu achei que o lobo era um companheiro de Magnus durante a história. :P

Além do personagem principal e a espada do verão, aparecem como elementos da construção da ideia da ilustração a árvore Yggdrasil, as runas e provavelmente a corda Gleipnir.

Engraçado que desde o relançamento da primeira série de Percy Jackson, a hierarquia de elementos textuais da capa mudou. O valor agora é para o nome do personagem e da série, enquanto que o título mesmo do livro ficou em MEGA segundo plano, no “rodapé” da capa praticamente. Entendo que a intenção é marcar e reforçar o nome do personagem e unificar todos os livros da série, só acho que o título poderia ter sido um pouco mais valorizado.

Vocês repararam nas cabeças de lobos que aparecem no M e no E do nome do Magnus?! Riqueza de detalhes maravilhosos para marcar a identidade, a gente vê por aqui.

Ainda na capa, temos dois acabamentos especiais. Hotstamping no nome de Magnus e da série, no título do livro (que também recebe na lombada) e no pingo do logo da Intrínseca. E verniz localizado no nome do autor e no número de volume! Que também aparece na lombada! Obrigada, minha estante agradece. A quarta-capa é até simples em comparação com o resto do projeto, com a sinopse e a profecia das Nornas, sobre um fundo texturizado escuro.

O miolo é o de alta qualidade da Intrínseca. Fonte adequada e legível em uma entrelinha balanceada. Ótima ocupação da página, com marcação de cabeçalho título do livro/autor e paginação no rodapé. Sumário para você se encontrar entre os 72 capítulos do livro. Abertura de capítulos com um grafismo de um lobo estilizado, o número e o título com uma fonte que parece ser a mesma do miolo.

E para os que gostam de maiores informações sobre mitologia, o glossário no final do livro lista o nome de todos os aspectos mitológicos citados ao longo da história e sua explicação, a ordem dos nove mundos e seus nomes, e o desenho e nomes das runas que são usadas em vários momentos.


História

Assim, sou uma fã de Rick Riordan e invariavelmente eu iria gostar de A Espada do Verão. Mas mesmo assim, isso não me impede de enxergar algumas coisas que podem ser prejudiciais na escrita do autor.

Já li algumas considerações de pessoas que leram Magnus Chase e vou ter que concordar com as críticas que foram feitas. Rick Riordan pega Percy Jackson e seu temperamento sarcástico e mordaz, dá uma repaginada em seu visual, muda sua ambientação de mitologia grega para nórdica e, tcharãaam, temos Magnus Chase.

É muito fácil de “ouvir” a voz de Percy ao longo da história de Magnus. As piadinhas, as tiradas sarcásticas, a zoação com o inimigo no meio de uma batalha. O fato de ele não ser filho de um dos deuses principais do panteão, mas ainda assim, ser o principal responsável por uma profecia e por todos os acontecimentos. De estar cercado de amigos que são os pilares para que consiga realizar a missão que foi colocada sob sua responsabilidade.

Magnus tem a mesma personalidade que conquista qualquer um, porque ele não é o popular, mas também não é o “esquisito”. Ele é aquele cara legal que você ia querer ser amigo no colégio, assim como Percy.

Outra coisa que se repete um pouco no “modelo” de escrita de Rick é a forma de construção da narrativa. Obviamente que Magnus precisa evoluir e desenvolver não só seus poderes, mas sua ligação com os personagens que o acompanham em sua jornada. Para isso, além do prazo curto para cumprir sua missão, Magnus precisa resolver várias “sidequests” para conseguir todos os item que vão resolver o problema final. Então a história é um emaranhado de pequenas missões e evoluções, para preparar os personagens para uma resolução final relativamente corrida, mas que finaliza os problemas de forma aceitável.

Acho que, apesar de ter gostado muito da história e dos personagens, não aproveitei tanto A Espada do Verão quanto todos os livros da primeira série de Percy Jackson. Acredito que tem a ver com o fato de meu conhecimento sobre mitologia nórdica ser bem limitado, então durante a leitura fiquei com a sensação que aproveitaria muito mais se eu conhecesse os personagens mitológicos. Talvez conseguisse identificar coerências com os deuses da história de Magnus, como fiz nas de Percy. Óbvio que meu interesse em procurar mais informações sobre mitologia asgardiana foi bastante instigado, mas a sensação de perda ao longo da história me incomodou um pouco.

A participação dos deuses ao longo da história segue o mesmo estilo de dicas que “não fazem sentido”, missões em troca de informação ou ajuda, momentos de vergonha ou de tensão, invasões de sonhos e apoios inesperados. E obviamente, cada um deles tem um objetivo próprio na forma de usar as “ferramentas” que são Magnus e seus amigos.

Engraçado que do grupo de Magnus eu gostei de todos os personagens, o anão Blitzen, o elfo Hearthstone, a valquíria Samirah (quase xará ^.^) e a própria Espada do Verão, dona de uma personalidade e de um humor envolvente. Já no universo do Percy eu não gostava muito das participações de Grover, então no quesito sidekicks a série de Magnus conseguiu inovar em alguma coisa em relação ao seu primo mais velho.

Falando em primos, a participação de Annabeth ao longo da história, que foi alardeada no pré-lançamento, é bem superficial e eu fiquei me questionando porque Magnus e a prima não poderiam se falar abertamente sobre suas condições míticas.

Quanto a história em si, Magnus já começa um pouco mais velho do que Percy em seu primeiro livro. Ele mora nas ruas de Boston há dois anos, desde que sua mãe foi assassinada por lobos que invadiram seu apartamento. Durante esse tempo, ele tem se virado como pode com a ajuda de outros dois mendigos, Blitz e Hearth, que se alternam para cuidar de Magnus. Até o dia que seu tio surge de novo em sua vida, faz com que ele resgate uma espada perdida, e proporciona uma morte não tão honrada para Magnus enquanto enfrenta um gigante de fogo em uma ponte.

Só que a morte não é tão definitiva assim, quando Samirah, uma valquíria, resgata a alma de Magnus e o transforma em um einherjar, um dos guerreiros sagrados de Valhala (momento lembrança da minha infância e do jogo Valkyrie Profile: “to my side my noble einherjar!” ^.^). A partir daí, ele vai ter que se encaixar em sua nova condição de einherji, recuperar a espada (que se perdeu de novo), e de quebra impedir o Ragnarök. Facim!

Em tese, o final de A Espada do Verão seria adequado para fechar realmente o livro e eu até ficaria satisfeita com isso. O que realmente transforma em uma série são as três páginas de epílogo, onde todo o gancho que deve segurar o interesse pelos próximos livros é apresentado.

Funcionou para mim. De qualquer forma, qualquer livro que o Riordan lançar é muito provável que eu vá correr atrás. :P


Até a próxima! o/

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