resenha

A Ascensão da Sombra – Robert Jordan

26 nov 2015
Informações

a ascensão da sombra

robert jordan

intrínseca

série a roda do tempo #4

976 páginas | 2015

4.25

Design 4

História 4.5

Os lacres de Shayol Ghul enfraquecem, e o Tenebroso avança. A sombra se ergue para encobrir definitivamente a humanidade. Em Tar Valon, Min tem visões de um destino terrível. Será o fim da Torre Branca? Em Dois Rios, os Mantos-brancos caçam o homem de olhos dourados e o Dragão Renascido. Em Cantorin, junto ao povo do mar, A Grã-lady Suroth vislumbra o retorno dos exércitos Seanchan ao continente. Enquanto na Pedra de Tear, o Lorde Dragão planeja seu próximo passo e ninguém será capaz de prevê-lo. Nem a Ajah Negra, os nobres tairenos ou as Aes Sedai, nem mesmo Egwene, Elayne e Nynaeve. Declarado o escolhido da antiga profecia, Rand al’Thor, o Dragão Renascido, precisa seguir em frente e cumprir seu destino: proteger o mundo do retorno do Tenebroso.

Em A Ascensão da Sombra, Jordan imprime ainda mais suspense à série trazendo uma ameaça até então desconhecida à cidade de Tar Valon, lar das poderosas Aes Sedai. Mergulhados no perigo constante representado pelos Mantos-brancos, os Amigos das Trevas e os Trollocs, entre outros inimigos mortais, ninguém está seguro de qual rumo seguir. Movimentos profundos e inesperados que fazem de A Roda do Tempo uma das mais extraordinárias séries já escritas.

Design

Mantenho minha opinião sobre toda a estrutura do livro que eu já comentei na resenha do primeiro volume aqui, mas continuo mantendo a nota 4.5 pelos mesmos motivos dos últimos três livros. A revisão da série está sendo feita de forma muito desatenta.

Como não sou uma pessoa muito organizada para guardar exemplos, porque meu processo de leitura costuma ser “ih! olha! um erro de revisão!” e continuo do ponto onde parei, não tenho trechos para mostrar. Mas o que mais me marcou ao longo do livro foram várias repetições de verbos durante uma frase, como se o revisor não conseguisse decidir qual deles utilizar. “Ah, não sei. Deixa os dois!”. Imagina você no meio da leitura e vem uma frase assim: “então Rand e Egwene caminharam andaram todo o percurso até Rhuidean”. =/

E isso não foi somente uma vez, mas várias ao longo das 976 páginas. É um livro grosso? É. É um livro denso? É. Então talvez precise de mais de uma revisão ou de mais revisores analisando o livro. É um pouco frustrante ver esse tipo de falta de atenção com a única série de livros de fantasia da editora, enquanto que outros gêneros tem um carinho aparentemente maior. u.u Afinal não existe uma cobrança de que saia um livro por mês da série, ia ser lindo, mas acho que o bolso dos leitores talvez não gostasse. São dois livros por ano, dá tempo de um cuidado maior.

Continuo amando você, Intrínseca, mas vale uma dedicação um tico maior para a parte de revisão, né? ^.~


História

Momento papinho sobre high fantasy. Outro dia estava pensando sobre quantos/quais livros de high fantasy eu já li até hoje e acho que no fim das contas eu sou uma certa fraude… daquelas que meio que tira onda de “olha como eu sou nerd”. :P Tudo bem que os livros de fantasia só começaram a ter um maior reconhecimento e espaço aqui no Brasil de uns anos para cá, mas de certa forma isso não deixa de ser uma desculpinha. Se eu fosse realmente envolvida e interessada podia ter catado livros e séries em inglês, né?

Isso só para dizer que, levando em consideração o meu parco conhecimento real de high fantasy, eu venho dizer do alto da minha estupidez que eu considero A Roda do Tempo a melhor série de fantasia que eu já li na vida (pelo menos até o quarto volume… ainda temos 10 pela frente (ง’̀-‘́)ง ). Óbvio que existem coisas que me irritam, momentos de lentidão no desenvolvimento do plot, vide que o autor precisou de 976 páginas para contar essa parte da história de Rand e cia (e parece que os próximos livros só tendem a aumentar a quantidade de páginas). E mesmo com esse montão de folhas nem desenvolveu muito alguns dos personagens.

Para mim Lan e Moraine ficaram completamente em terceiro plano durante o livro, o que me entristece um pouco porque gosto muito do Guardião e das intrigas que a Aes Sedais gera entre os personagens. Ok, as intrigas cansam de vez em quando porque o leitor fica a ver navios junto com os personagens envolvidos… mas de certa forma elas fazem a história caminhar.

Mas existem algumas coisas que já estão começando a dar no saco na história de Robert Jordan, ainda mais se você levar em consideração o volume de páginas desse livro:

Moraine e seus segredos
É eu sei. Acabei de dizer que curto o envolvimento da Azul na história… mas não saber o que ela e o Trono de Amyrlin estão tramando, ou o que elas já sabem sobre a trama da Roda é muito frustrante. Tipo, eu sou o leitor, Jordan, conta para mim alguma coisa! Prometo que não vou falar nada para os personagens. ^.~

Lan e sua honra e indecisão
Até agora não houve explicação de como funciona a conexão Aes Sedai/Guardião, só é dito que é algo para a vida toda, ou até a mulher liberar o seu gaidin. Mas eu quero saber sobre o passado de Lan e Moraine, porque eles tem esse vínculo tão forte de compromisso. Deixa o Lan ser feliz, Moraine!

Nynaeve e seu mau humor e autoritarismo
Cara… Nynaeve não é mais a Sabedoria de Dois Rios desde o primeiro livro, mas ela continua tratando todos ao seu redor como crianças insubordinadas e mal-criadas. Amiga, você é maneira, adoro seu relacionamento com Lan, mas já deu todo esse seu ódio (besta) contra as Aes Sedai e mania de colocar a ordem na casa. Provavelmente a jovem não consegue desenvolver plenamente sua conexão com Saidar por conta de tanta pentelhação.

Egwene e sua necessidade de se provar o tempo todo pra Nynaeve
A personagem mais jovem do grupinho de Rand e está se tornando uma das mais chatinhas também. Tudo bem, Egwene sofreu bastante na mão dos Seanchan, mas ela anda tão reativa com qualquer crítica ou comentário… parece uma adolescente tardia. Sem paciência para aprender, dando respostinha… Querendo ser tão autoritária e mandona quanto Nynaeve. Espero que a personagem cresça mais ao longo da série. Pelo menos o relacionamento com Rand ficou resolvido.

Rand, sua insegurança e mania de ficar protelando em estudar seus poderes ou aceitar ajuda
Ai ai, Rand… Estamos no quarto livro e ele ainda tem um cheiro de herói relutante. Ok ok que a fonte de poder masculina está maculada e ele pode enlouquecer de tanto acessá-la, mas ele precisa aprender a usar e não só contar com as lembranças de outra vida que surgem quando querem. Tá bem que não existem outros homens canalizadores, as Aes Sedais da Ajah Vermelha fizeram questão de caçar e estancar todos, mas tem que ter um jeito, né? Outro problema aqui é Rand começar a ter seus próprios planos para influenciar a Profecia do Dragão e não confiar em ninguém “porque as Aes Sedai são manipuladoras”… Ai caramba… ninguém consegue ter uma conversa honesta nessa história?

Então Rand vai passar todos os seus capítulos do livro preocupado com seu plano mirabolante, se ele vai dar certo, se ele não está colocando a vida de seus amigos em perigo, se não está enlouquecendo… #quaseChato

Perrin não tentar entender as mudanças que aconteceram com ele e porque consegue se comunicar com lobos
Perrin é o meu personagem favorito da série (até o momento). Fora a questão de ele não tentar entender o que ele está se tornando, ele é o mais estável e sólido dos três rapazes. Ele sofre um pouquinho da síndrome do impostor (quem não sofre?!), e tem problemas de auto-confiança, mas Faile está sempre perto dele para dar uns choques de realidade. Perrin é o personagem que mais sofre neste volume mas também é o que mais cresce. A história do seu núcleo era a que eu mais queria acompanhar, e sempre me chateava quando o autor mudava o foco para um dos outros grupos.

Mat e seu jeito paspalho e bonachão que sempre quer fugir da a responsabilidade e não melhora sua atitude com as Aes Aedai
Mat é uma incógnita para mim dentro da história. Ele não tem muito protagonismo, só aparece para fazer piada, reclamar da sorte e de ser ta’veren. Não curtia muito suas aparições nos livros anteriores, principalmente quando a maldição praticamente acabou com ele. Agora ele continua surpreendendo com suas capacidades de luta, que para mim saíram um pouco da cartola do mágico, e aparentemente ele deve ganhar maior valor nos próximos livros. Não sei bem o que esperar dele, porque seu relacionamento com Moraine e com as outras meninas, que agora também estudam para ser Aes Sedai, é muito arredio. Ele não tem conversado com Rand ou Perrin para desenvolver nenhum tipo de interação entre os jovens, então não consigo entender o papel de Mat na história.

Acho que o meu maior problema com a história como um todo, não só com A Ascensão da Sombra, é que as Aes Sedai ainda são vistas como manipuladoras e cheias de segredos,  mas eu não consigo entender porquê. A falta de contextualização do passado, da Era das Lendas, e do papel dos Aes Sedai (homens e mulheres) na ruptura do mundo pode ser um complicador. O papel dos Abandonados na história também precisa ser explicado melhor para o leitor, ou então eu já esqueci de alguma coisa depois dessas trocentas páginas que já li.

Me incomoda também Rand, Mat e Perrin insistirem em continuar se aventurando sozinhos, sem terem um plano conjunto ou se apoiarem de qualquer forma que seja. Eles podem estar fazendo seu próprio clube do bolinha de ta’veren mas não conversam entre si e fica cada um com seus próprios segredos e mistérios, quando podiam estar ajudando um ao outro a descobrir suas funções no Padrão.

Em A Ascensão da Sombra Jordan decide dividir seu grupão de personagens em três núcleos (mais a parte de Min que quase é um bônus) para conduzir a história, de forma a cobrir uma grande parte do continente e não ficar com pessoas ociosas ao longo da história. Então Nynaeve e Elayne (a princesa herdeira) vão para o oeste tentar descobrir as intenções da Ajah Negra e de que tipo de objeto mágico elas estão atrás que pode colocar Rand em perigo. Definitivamente o núcleo mais chato e arrastado do livro porque Nynaeve está beirando ao insuportável com seu comportamento mandão.

Perrin, Faile e Loial voltam para Dois Rios para tentar libertar a cidade natal de praticamente todos os personagens da história do jugo dos Mantos Brancos, que seriam o grupo religioso radical do continente. Perrin é considerado um Amigo das Trevas por um dos comandantes dos Mantos Brancos e eles vão atrás da família do jovem para exercer aquela pressãozinha básica. Além deles, Dois Rios também está sendo invadido pelos Trollocs (os “orcs” de A Roda do Tempo) e muitos cidadãos estão morrendo. Como eu falei, era o núcleo que eu mais gostei de acompanhar, por causa da interação de Perrin e Faile e da presença do ingênuo e fofo Loial.

Por último, Rand, Egwene, Mat, Moraine e Lan vão para além da Espinha do Mundo, em direção a Rhuidean, um lugar sagrado para os Aiel, o povo de origem do Dragão Renascido. Aqui temos o treinamento de Egwene para se tornar uma “sonhadora” com as Sábias Aiel, e uma participação muito fraca de Moraine e Lan. Rand e Mat enfrentam uma provação juntos mas não estão colaborando um com o outro, o que é irritante. E Robert Jordan tenta criar um elemento surpresa quanto aos Abandonados neste núcleo mas achei que foi bastante previsível.

Além deles temos o PoV de Min em Tar Valon para acompanharmos os acontecimentos do Trono de Amyrlin e as Aes Sedai dissidentes. A jovem que prevê o futuro é peça chave para a sobrevivência de alguns personagens desse núcleo, mas sua participação na história é bastante limitada.

Para fechar, adorei que agora Jordan está oficialmente colocando elementos de romance na história. Nada meloso ou romântico, mas agora tem beijo! \o/ TEM BEIJOOOO! Vocês vão ter que ler para saber quem beija quem, mas vou dizer que é mais de um casal e que vale a pena! ^.^

Acho que falei bastante sem contar muito e sem dar spoilers, né?! Acredito que deve ficar cada vez mais difícil continuar acompanhando a série e fazer resenhas sem escorregar em uma ou outra surpresa ao longo do caminho, mas juro que estou tentando ao máximo!

Melhor série EVER, espero de verdade que a Intrínseca publique todos os 14 livros. Ainda temos chão pela frente! E muita fantasia. <3

Um bônus para aqueles que se interessam em entender as diferentes Ajahs das Aes Sedai. A Tor Books, editora original dos livros do Jordan, fez um post sobre cada uma para que você pudesse se identificar com as características principais. De qual Ajah você seria?


Até a próxima! o/

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