resenha

Half Wild – Sally Green

20 out 2015
Informações

half wild

sally green

intrínseca

série half bad #2

332 páginas | 2015

4.5

Design 4.5

História 4.5

Na Inglaterra, onde duas facções rivais de bruxos dividem espaço com os humanos, Nathan é considerado uma abominação. Além de ser um mestiço — filho de uma bruxa da Luz com um bruxo das Sombras —, seu pai, Marcus, é o bruxo mais cruel e poderoso que já existiu. Nesse mundo dividido entre mocinhos e vilões, não ter um lado é pecado. E Nathan não pode confiar em ninguém. Em Half Wild, após descobrir seu dom mágico, mesmo sem ainda conseguir controlá-lo, Nathan se une aos rebeldes da Luz e das Sombras de toda a Europa para derrubar Soul, líder tirânico do Conselho, e os caçadores, cujo domínio se espalhou para além da Inglaterra. O Conselho de bruxos da Luz continua em sua cola e não vai parar até ele ser capturado e obrigado a matar o próprio pai, cumprindo a profecia. Nathan vai precisar encontrar um modo de conviver com seu lado selvagem, descobrir quem são seus verdadeiros aliados e — principalmente — quem é seu verdadeiro amor.

Design

Eu já falei do projeto gráfico de Half Bad e praticamente tudo se mantém aqui em Half Wild. A diferença está na ilustração da capa, que agora é um “lobo” verde, para representar o lado selvagem do dom de Nathan. De resto, mantenho minha opinião, é só ler lá na primeira resenha. ^.~

Half Wild - Sally Green - Black Side Half Wild - Sally Green - White Side


História

Sabem, a vida é cheia de primeiras vezes. Primeiro beijo, primeiro namorado, primeiro emprego, primeira decepção… Eu tive uma experiência de primeira vez em Half Wild. Foi a primeira vez na vida em que eu shippei e torci por um casal homossexual. Eu queria muito mais que acontecesse um relacionamento entre dois rapazes do que entre um rapaz e uma moça.

Ok, talvez exitam spoilers nesta resenha, então se você não quiser estragar a série, talvez seja melhor ler outra resenha do blog. ^.~

Voltando ao reconhecimento da minha primeira vez. Sim! Eu queria muito que Nathan ficasse com Gabriel. Como a história é contada pela voz de Nathan só temos sua visão romantizada sobre Annalise mas, assim, talvez porque Nathan passe muito tempo com Gabriel, talvez porque não consegui gostar muito de Annalise, torci para que tudo que o meio-código tinha fantasiado sobre a garota não passasse disso. Fantasia.

Como Nathan nunca teve um bom relacionamento com os outros bruxos da Luz e sua única fonte de carinho e amor era sua família, não me surpreende ele se apaixonar pela “primeira menina bonita” que lhe deu atenção. Mas para mim, nunca passou de uma paixonite. A menina que está chocando a família rígida e tentando quebrar as regras com o memino que todos temem e odeiam.

Mas nunca gostei, ou acho que Half Wild mudou minha visão, de Annalise. Enquanto que Gabriel conseguiu crescer no meu conceito e, ao meu ver, se tornar o companheiro certo para Nathan.

Todo posicionamento de Gabriel, suas declarações de confiança, de “doação”, de colocar Nathan acima de suas próprias necessidades, sua maneira de demonstrar seu amor sem cobrar o mesmo em retorno, e inclusive, se dispor a ajudar a salvar Annalise, porque isso faria o meio-código feliz… Isso, para mim, é uma verdadeira forma de amar. E eu realmente acho que é disso que Nathan precisa.

Talvez o que pudesse me surpreender é que, bem, Gabriel e Nathan são ambos meninos. Mas, vejam bem, isso meio que não importou muito para mim. Eu estava mais concentrada no sentimento do que no gênero dos personagens.

I <3 it

Fiquei feliz quando eles se beijaram, principalmente pela iniciativa ter partido de Nathan. Gostei da forma como a autora demonstrou a confusão que Nathan sente sobre seus sentimentos em relação a Gabriel e Annalise, e que Nathan não tem preconceitos ou “nojo” de se interessar por outro menino.

O livro não é LGBT nem tem a intenção de passar uma mensagem de conscientização sobre relacionamentos homossexuais. Mas gostei de ver uma certa representatividade durante a história. Ainda estou engatinhando nesse gênero da literatura, nessa abertura para livros LGBTs e de outras representatividades, mas Half Wild me mostrou que talvez eu seja mais receptiva do que imaginei e que ler sobre esses temas também pode ser legal.

Voltando à história. Se em Half Bad existia a criação do mundo e a ambientação do leitor nesse novo universo bruxo, sobre preconceitos entre Luz e Sombras, em Half Wild, além de salvar Annalise, a história mostra que existe um núcleo rebelde, e eles querem Nathan em sua linha de frente.

A Aliança é contra tudo o que o Conselho e os Caçadores pregam. Formada por representantes de todos os tipos de bruxos (Luz, Sombras, meio-sangue e meio-código), eles querem tirar o poder de Soul O’Brien, que está caçando os bruxos das Sombras e qualquer simpatizante, e assassinando todos eles.

Nathan se vê “forçado” a participar do grupo rebelde e a lutar por ideais que vão se transformando em seus. Com isso também tem a oportunidade de finalmente se aproximar de Marcus, seu pai e maior bruxo das Sombras da atualidade.

Gostei de muitas coisas no livro, mas algumas me incomodaram também.

Nathan romantiza todo seu relacionamento com Annalise. Sonha em viver com ela, em fazer sexo com ela, e espera que a garota também o ame. Depois de conseguir finalmente salvá-la, Annalise dá todos os indícios que também gosta de Nathan. Até aí tudo bem. O problema é que a autora foca na questão do sexo e cria uma tensão em Nathan, em como ele fantasia isso. E, de repente, durante a história você simplesmente percebe que desde que Annalise foi salva eles já transaram. Muitas vezes. Sem proteção. Tipo, oi?!

Assim, não queria um memorando em três vias, ou um capítulo descritivo sobre como foi a primeria vez dos dois; para isso eu leio livros hots ou new adults. Mas para um assunto que foi reforçado que era importante para Nathan, e assim passa a ser importante para o leitor, ser confirmado na forma de um diálogo com a frase “será que temos que usar proteção” é muito frustrante!

Ah, sobre isso! A autora dá a entender que eles não usaram e não querem usar proteção. Não façam isso, viu? Se protejam por causa das DSTs e para evitar gravidez não desejadas, ok?

Nathan possui o mesmo dom de seu pai, ele tem um lado selvagem, um lado animal do qual não tem muito controle durante boa parte do livro. Mas aí, ele passa uma semana com o pai e, tarã!, aparentemente ele ganha total controle e ainda parece ter acesso a qualquer animal que desejar se transformar, não só a “besta”. Só que, como leitora, eu não acompanhei essa evolução de Nathan, a descoberta do uso e controle do seu dom. E ainda acho que a autora fez mal ou nenhum uso dos poderes de Nathan ao longo do arco final da história. De que adiante você ser bruxo e partir “para mão”?

Por último, é de certa forma visível, ou pareceu para mim, que a autora tem uma preferência por Gabriel como provável relacionamento com Nathan. Então, para justificar a separação entre ele e Annalise, precisa criar uma tensão entre os dois porque, afinal, ela é “revoltada” mas ainda ama a família. A garota não consegue perdoar Nathan por matar um de seus irmãos em legítima defesa. Um dos irmãos sádicos que espancou e torturou Nathan quando ele tinha 14 anos e o encheu de cicatrizes para o resto da vida. “Você não me contou que matou meu irmão sádico, então estou de mal. Não durmo mais com você” (entenda como quiser o “dormir”). E para fechar, vilaniza a garota para terminar de transformar o “amor” em “ódio” entre Nathan e Annalise, equilibrando a conta de que cada um “roubou” do outro uma (ou mais) pessoa importante.

Acho que não gostei muito da forma como isso foi feito, mas como não queria que os dois ficassem juntos de qualquer forma, fiquei feliz com o resultado final.

A narrativa de Sally Green continua instigante e viciante, com bons ganchos e bons diálogos. Acho que ela consegui fugir da maldição do segundo livro, já que eu mais gostei do que reclamei. :P Pena que o próximo livro, Half Lost, só sai em 2016 e, provavelmente, mais para o segundo semestre por aqui. O que eu quero: ainda menos Annalise e mais desenvolvimento entre Gabriel e Nathan. Porque eu shippo! <3


Outras resenhas da série

Half Bad - Sally Green


Até a próxima! o/

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3 Comentários

  • Responder Godrick 2 ago 2016 at 21:55

    Meu Deus que livro!!!
    No primeiro fiquei chocado,confuso,eufórico,feliz,triste e entre outras mil reações,principalmente o lado mais sombrio do Nathan que é algo que procuro e raramente acho.
    Já Half Wild me deixou irritado a ponto de parar de ler, e ir extravasar um pouco,Annalise me deixou com raiva,nojo e vontade de esfaquear alguém.
    Nathan e Gabriel, porra espero que fiquem juntos, so fico pensando que Nathan tem que dar continuação a linhagem né!
    Não vou comentar o final se não o ódio guardado aqui irá voltar.
    Gostei do livro mas fiquei decepcionado com a pobreza de detalhes, enquanto não lança Half Lost vou roendo as unhas e criando possibilidades na minha cabeça.
    Ótima resenha!!

  • Responder Izandra Mascarenhas 20 out 2015 at 19:22

    Ok, realmente teve muito spoiler, e eu ainda não li xD
    Mas gostei do que você mostrou, e agora tô com vontade de ler… Mas já esperei horrores depois de Half Bad, e depois ter que esperar até o 3°… Tô quase fingindo que esse 2° não existe, até ter a série completa xD

    • Responder Samara Maima 21 out 2015 at 11:28

      Ah, acho melhor esperar pelo lançamento do último mesmo, Ize. O último capítulo é daqueles que você fica “preciso do próximo”, então deixa pra comprar os dois juntos no futuro. ^.~

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