resenha

Quem é você, Alasca? – John Green

31 ago 2015
Informações

Quem é você, Alasca?

John Green

intrínseca

série ---

336 páginas | 2015

2.5

Design 5

História 0

16

Compre! Amazon

Miles Halter estava em busca de um Grande Talvez. Alasca Young queria descobrir como sair do labirinto. Suas vidas colidiram na Escola Culver Creek, e nada nunca mais foi o mesmo.

Miles Halter levava uma vidinha sem graça e sem muitas emoções (ou amizades) na Flórida. Ele tinha um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história. Uma dessas personalidades, François Rabelais, um poeta do século XV, disse no leito de morte que ia “em busca de um Grande Talvez”. Para não ter que esperar a morte para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir. Ele vai para a Escola Culver Creek, um internato no ensolarado Alabama.

Lá, ele conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca incessantemente uma resposta: “Como vou sair desse labirinto?” Inteligente, engraçada, louca e incrivelmente sexy, Alasca vai arrastar Miles para seu labirinto e catapultá-lo sem misericórdia na direção do Grande Talvez. Miles se apaixona por Alasca, mesmo sem entendê-la, mesmo tentando sem sucesso decifrar o enigma de seus olhos verde-esmeralda.

Design

Vamos conversar sobre mais um projeto gráfico rico e maravilhoso da Intrínseca? Eu posso não ter gostado da história, mas do livro é uma outra coisa. ^.~

Apesar de eu não entender qual é a da fumaça na capa (muito provavelmente porque não cheguei ao final da história) o projeto tem umas aplicações muito especiais. Ao longo da capa existe a aplicação de tinta prata na arte da fumaça, do texto da edição comemorativa e nas orelhas. De quebra tem também verniz localizado em quase todas as áreas prateadas, além de laminação brilhante nas orelhas.

Uma coisa que a Intrínseca costuma muito fazer em capas diferenciadas e a customização de sua marca, e em Alasca ela tem a aparência de que foi escrita a giz. Essa estética também é usada na fonte da capa que emula letras rabiscadas em um quadro negro. Ainda no tema “escolar”, a capa toda tem verniz texturizado imitando a textura de um quadro negro. Como diferenciais cromáticos, a capa tem o vermelho e o prata que criam áreas de certa atenção em uma arte primariamente escura. E uma surpresa se você se propõem a abrir as orelhas do livro: existe um labirinto impresso na face interna da capa, que tem tudo a ver com a Alasca.

Em termos de formato, as dimensões do livro seguem um padrão menor, no segundo tamanho (aparentemente) principal da editora.

Falando do miolo agora, a mancha gráfica é super equilibrada e elegante, com margens perfeitas, tamanho de fonte ótimo para leitura e com entrelinhas muito bem definidas. O cabeçalho vem completo com marcação de autor/título/páginas, dando um pouco mais de altura para a mancha principal. As aberturas de “capítulos/trechos” são com fonte sans-serif bold em cinza e possuem capitular na primeira linha do parágrafo. Os “capítulos/trechos” são contínuos, um seguido do outro, sem “abrir” um novo trecho em outra página. Além disso o livro tem uma divisão de partes, com uma arte diferenciada e extremamente simples de uma chapada de cinza na folha inteira e o texto na mesma fonte sans-serif bold em “branco”, para facilitar a leitura sobre a cor.

A parte final é repleta de conteúdo extra, mas o que mais me chamou a atenção foram as “entrevistas” com o John Green e sua editora. Existem também textos “deletados” da versão final, que podemos acompanhar como foi o processo de refinamento do texto do autor ao longo das revisões do livro. Todos os textos desses anexos são trabalhados na mesma mancha gráfica do miolo e as introduções do que vai ser apresentado no capítulo vem em páginas com chapadas de cinza para diferenciar o conteúdo. Vale uma atenção para o detalhe dos calendários que tentam definir o tempo real em que se passa o livro. Cinco estrelas. ^.^


História

Ah, Alasca, como você é insuportável… Não deu Pessoas, eu abandonei Miles, Alasca, Coronel, o Japa de quem não guardei o nome e não me importo. Eu abandonei John Green.

HIMYM - Neil Patrick

Vamos a algumas revelações. Por mais que eu tenha gostado de A Culpa é das Estrelas e achar que John Green é um cara muito legal que sabe atingir o público jovem, nenhum de seus outros livros me chamou a atenção ou me deu aquela sensação de “nossa, preciso ler tudo desse autor agora”.

Pode ser a diferença de idade entre o público mais jovem e os meus atuais 34 anos. Pode ser porque as angústias adolescentes hoje em dia para mim continuam sendo sofridas, mas muitas vezes não passam daquele momento em que temos certeza que somos o centro do universo e sabemos de tudo. Mas sei lá, às vezes é só angústia e mimimi.

E foi mais ou menos isso que eu senti ao longo das quase 170 páginas que aguentei ler de Quem é você, Alasca?. “Mas Samara, se você não tinha vontade de ler outros livros do JG, por que pegar Alasca?”. Porque era a edição comemorativa de 10 anos do lançamento do primeiro livro do autor e muitas pessoas falam bem da história. Mas olha… eu teria abandonado a leitura muito antes. Eu só cheguei até onde cheguei por mera curiosidade de saber o que era o “antes” que abrem todos os capítulos da primeira parte do livro.

Miles está em busca de seu Grande Talvez. Ele é o esquisito sem amigos do colégio que se amarra em ler biografias e sabe as últimas palavras de várias personalidades. Mas ele é infeliz porque é sozinho (momento forever aloooone). Não ter amigos é uma merda de vez em quando. Então ele decide ir para o colégio interno onde seu pai estudou e tentar começar de novo, quem sabe se reinventar. Um bom plano que tem tudo para dar errado.

Na escola nova ele se junta com os piores “tipos”, na minha opinião absurdamente de merda. O arruaceiro que nem quer saber o nome do garoto e já lhe dá um apelido. A maluca esquizofrênica que parece mais uma menina em busca de atenção do que qualquer coisa. E um rapaz que apareceu esporadicamente e não fez diferença nenhuma.

Meu maior problema não foi com Miles tentar se reinventar e começar de novo. Eu fiz isso quando repeti de ano no colégio (não funcionou lá muita coisa, mas né…). O que me incomodou foi ele ser tão sem personalidade que para se enturmar começa a se “permitir” vícios e más escolhas para ser aceito. Miles, que agora é Bujão, passa a fumar e beber, e se apaixona pela menina mais egocêntrica e egoísta que eu já vi em livros.

Mentira… talvez Alasca não seja tão odiável quanto a Nam da série Sem Limites da Abbi Glines (falo dela nesta resenha aqui), mas tá quase pau a pau no quesito “sai daqui”. Ela tem namorado mas parece dar em cima de todos os meninos com quem se relaciona. Ela cobra dedicação de Miles, mas não dá nada em troca. Ela menospreza os sentimentos e angústias do garoto, mas depois deita em seu colo e quer carinho e atenção. Por mais que aparentemente ela tenha essa fachada babaca por causa de um passado sofrido, eu simplesmente não me importei. Não gostei da personagem e foi o suficiente para não ter empatia com ela. Tomei raiva. Tomei nojinho.

Really?!

O pior de tudo é que todo esse comportamento errático e bizarro deixa Miles completamente deslumbrado. Alasca é tudo o que ele sempre quis e mesmo sabendo do namorado dela, Miles continua se envolvendo. Não, né? E ainda assim, o rapaz objetifica a Alasca a todo o momento, por mais que ela viva esbravejando sobre feminismo e igualdades.

Sei lá, tive a impressão que John Green pegou o que há de “pior” na adolescência, a inconsequência, a falta de valores e de respeito, o egocentrismo, a necessidade de autoafirmação, a agressividade… misturou e distribuiu entre seus personagens. Não consegui gostar nem ter empatia por NENHUM deles. Miles seria com quem eu mais me identificaria, mas sua fraqueza e falta de personalidade acabaram com qualquer chance do personagem.

Além disso, assim não sou nenhuma puritana que acha que as pessoas não deveriam falar palavrão, mas os diálogos cheios deles, assuntos meio pesados para serem lidos por adolescentes, não combinou com o que eu esperaria de um livro com o foco do John Green. Ficou gratuito, como se ele tivesse testando o quanto o leitor aguenta de um palavreado extremamente baixo e coloquial. Eu falava palavrão quando adolescente, mas fui criada de forma a entender que eu não precisava deles pra me expressar (na maioria das vezes).

Quanto ao “antes”… foi um WTF tão grande que só reforçou minha certeza que Quem é você, Alasca? não é um livro para mim. Porque o motivo foi um misto de “ah, fala sério” e “cara, ainda bem” que me deixou com um leve sentimento de culpa. Pode ser momento? Pode ser uma fase? Pode ser culpa da Vida? Pode um monte de coisa. Mas também pode ser que meu gosto literário não bata com o estilo de escrita e das histórias do John Green. Pode ser que A Culpa é das Estrelas tenha sido um ponto fora da curva, mas mesmo assim, foi um livro que me angustiou e me fez chorar, e são dois sentimentos que eu não curto enquanto leio, não são as primeiras coisas que busco em uma leitura.

Aparentemente são dois sentimentos que John Green gosta muito de trazer à tona em suas histórias. Então, acredito que eu provavelmente vou me manter longe de seus livros. Pelo menos por enquanto.


Até a próxima! o/

banner-resenha-intrinseca_2015

Onde comprar: Amazon (compras feitas através do link geram uma pequena comissão ao blog ^.~)

Você também vai gostar

2 Comentários

  • Responder Aline Lanis 29 jun 2016 at 15:57

    FINALMENTE! Hahahaha
    Eu nunca tinha achado alguém que compartilhava do mesmo sentimento que eu! Fui ler o livro pelos mesmos motivos praticamente, sempre ouvia as pessoas falando como era bom, eu tinha gostado muito de dois outros livros do John e também tem o fato de “Quem é Você, Alasca?” ser o primeiro livro dele. Isso é uma coisa grande. Mas fiquei completamente decepcionada com o livro. Concordo em tudo que você apontou aí. E não sei se a idade é o motivo… eu tenho 18 e tinha 16 quando li. Bom, essas coisas acontecem… nem todo livro sai bom. hahaha

    Adorei seu blog! Minha primeira vez aqui… mas vou voltar de novo com certeza.

    • Responder Samara Maima 29 jun 2016 at 21:05

      Oi Aline! Eu fiquei preocupada com a questão da grande diferença de idade entre os personagens e eu ter influenciado na minha resenha. Mas se você que está mais próximo da faixa etária, talvez o problema não tenha sido meu, né? Eu gosto muito do estilo do Green mas Alasca não desceu. Quem bom que você encontrou uma opinião parecida com a sua! XD E obrigada pela visita! ^.^ <3

    Deixe uma resposta