resenha

Entrelinhas – Tammara Webber

9 jul 2015
Informações

entrelinhas

tammara webber

verus

série entrelinhas #1

350 páginas | 2015

2.75

Design 3.5

História 2

Reid Alexander, um dos jovens atores mais bem pagos da atualidade, está acostumado a conseguir o que quer – e o que ele quer agora é Emma Pierce, a atriz novata que vai fazer par romântico com ele no próximo filme. Os astros parecem estar se alinhando para realizar o seu desejo, até que ele se vê diante de dois obstáculos inesperados: uma ex-namorada ressentida e um rival que vai disputar o coração de Emma. Emma Pierce acaba de receber uma oportunidade de ouro após anos atuando em comerciais e filmes para TV. Fazer o papel principal em um filme de grande orçamento, contracenando com o lindo Reid Alexander, deveria ser a realização de um sonho. Mas o coração de Emma esconde uma fantasia secreta: ela quer ser uma garota normal. Entrelinhas é o primeiro volume da série homônima de Tammara Webber, autora que já conquistou os leitores brasileiros com livros como Easy e Breakable. Embarque em mais esta história arrebatadora, que vai deixar você querendo muito mais.

design

A capa de Entrelinhas é uma adaptação da original lá de fora, mas depois de ler o livro achei ela tão genérica e “é, tá…”. A foto do casal de mãos dadas serviria para qualquer livro, não consigo encontrar um sentido muito específico que justificasse essa imagem. Não consigo entender muito bem porque misturar uma fonte sans serif e condensada, que dá um ar bem moderno, com só a primeira letra do título em uma fonte completamente diferente, manuscrita e meio macarrônica. E ainda colocar uma slab serif no nome da autora em branco (que não combinou muito com as outras fontes), com quase (ou até) mais valor hierárquico do que o título.

O que eu gostei mesmo da capa foi a lombada e a quarta-capa, com a chapada de lavanda, aplicação de verniz localizado para marcar um floral (que não sei bem o que tem a ver com o projeto, mas ok, ficou bonito), e a fonte sans serif em um tom de roxo bonito.

O miolo é aquele que eu sempre reclamo dos livros do grupo Record. Fonte borrada, com excesso de tinta em todas as serifas do texto; desalinhamento vertical na página; falta de cabeçalho. Nas aberturas de capítulo e de “voz”, os nomes dos personagens são escritos da mesma forma que o título, com uma fonte manuscrita e a sans serif… E de diferente temos uma marcação para as trocas de mensagens de texto de celular foi feita com balões e uma fonte sans serif. Mas fora isso, não houve nenhuma novidade estética no projeto gráfico.


história

“Ai, cara…” Acho que essa é a melhor ou única maneira que consigo definir a experiência de ler Entrelinhas. Essa e talvez um gif de facepalm ou desgosto.

Come on!

Entrei no livro já preparada para um triângulo amoroso, afinal estava escrito lá na minha cara na sinopse (por mais que eu não goste muito de um plot com esse tipo de desenvolvimento, acho muito YA…). Só que o problema dos triângulos amorosos é que uma ponta tem sempre que ser a vilã, para ajudar a mocinha da vez a não ter muitas dificuldades para fazer sua escolha final. Previsível.

Só que às vezes eu fico com dó da ponta vilã, porque o personagem costuma ser distorcido ao longo da história para dar os subterfúgios para a mudança de opinião da mocinha. Surpreendentemente, não foi o que aconteceu com Entrelinhas. O livro começou e terminou e eu continuo odiando, e muito, Reid Alexander. Sendo bem sincera, acho que o que mais me irritou em toda a leitura foram os dois personagens que contam a história.

Acompanhamos a filmagem do filme Orgulho Estudantil pela ótica de Emma e Reid, os atores e personagens principais do livro e do filme. E achei os dois tão decepcionantes que quase abandonei o livro no primeiro terço.

Emma é atriz desde pequena mas este vai ser o primeiro trabalho de grande projeção que ela tem. Só que a jovem de 17 anos parece simplesmente uma boneca meio vazia e rasa. Ela gosta do que faz mas está perdida com o futuro e nunca se envolveu em uma produção tão grande, com tantos atores famosos. Ainda mais sendo uma das protagonistas. No começo do livro sua voz é tão ingênua e boba que você já espera que vai dar ruim em algum momento. Ela parece uma deslumbrada em um mundo que é vendido como cruel e altamente competitivo. “Oh, nossa, vou contracenar com Reid Alexander! Ele é um sonho!” Aff, maldita!

O bom de Emma é que, diferente de muitas personagens em outros livros que li, ela não faz slut shame com a melhor amiga que não é famosa ou atriz. Elas realmente se amam e se apoiam ao longo do livro, e é um companheirismo que eu gostei muito de acompanhar, entre as bostas que Emma faz com Reid. Foi um relacionamento bonito, bem construído e crível.

Reid consegue ser um personagem muito pior do que Emma. Fútil, orgulhoso, egoísta, misógino. Ele enxerga todas as mulheres como conquistas de uma noite, que ele vai “comer, trepar, transar” e jogar fora. Ele não gosta das que são grudentas e das que passam a noite. Ele não acredita no amor e não tem interesse por relacionamentos. NO-JEN-TO. Não sei bem porque, mas minha imagem mental do personagem foi Justin Bieber, acredito (por puro preconceito e por acreditar nessa mídia mentirosa) que ele era uma boa referência para o Reid.

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O mais bizarro de tudo é que a sinopse em nenhum momento vende que o personagem pode ser tão insuportavelmente bbk e nojento! Tomei ódio logo no começo e foi muito difícil de largar. Talvez eu não esteja conseguindo passar o nível de Ó-DE-O que fiquei do personagem, e dei graças que a autora, apesar de ter dado voz para Reid no livro, tenha tomado decisões mais sensatas ao longo da história.

Emma e Reid entram em uma dança de flerte meio doente. Reid dá em cima da garota ao mesmo tempo que dança com fãs, outros membros da equipe e interessadas em um bar. Flerta com ela durante as gravações mas leva uma mulher diferente para cama a cada dia. E nos seus capítulos ainda tem a pachorra de dizer que está atraído pela Emma e que é a primeira vez que consegue se segurar e não forçar a garota a transar com ele no mesmo dia. É tanto galantismo do rapaz que eu estou me segurando para não chorar… de desgosto!

Detalhe importante aqui, Emma é virgem, e Reid está sendo SUPER respeitador dando tempo e espaço para ela tomar a grande decisão. Só que, assim, você dar tempo e dizer que “você tem que entender, eu sou um cara!”… nossa, nem sei como começar a dizer o quanto isso está TÃO ERRADO! O pior de tudo?! A Emma fica realmente balançada por essas desculpas e cantadas e considera perder a virgindade com ele. Tipo,” não confio no cara mas, opa!, ele é o Reid!”. NÃO, AMIGA, NÃO!

Em dado momento da história acho que a autora percebe que seus personagens principais são vazios e tão profundos quanto uma poça de água. Então ela começa a querer colocar alguma profundidade e background para suas vidas sem sentido. Uma mãe morta pelo câncer, uma madrasta fútil, uma mãe alcóolatra, um pai ausente. Mas, sério, desculpa, os personagens já eram consolidados e pobres demais para você vir tentar dar um significado para suas personalidades. Não adianta agora, com mais de meio livro já passado, tentar mostrar que os personagens tem muitas camadas.

Pelo menos temos a outra ponta do triângulo para contrabalançar! Graham é MUITO mais interessante e melhor personagem que Emma e Reid juntos, e por algum motivo bizarro, também está de olho na garota. O “problema” aqui é que só temos a participação dele pela ótica lerda da Emma ou do macho-alfa-homem-das-cavernas do Reid. O que é uma pena. Eu torcia pelas aparições do personagem, porque nos outros momentos, em que eram só as considerações inocentes da Emma e muito erradas do Reid, eu era só “rolling eyes”. Foi Graham que me segurou pelo resto do livro, seu misterioso interesse por Emma e seu relacionamento com Brooke (uma atriz, ex- de Reid).

E também a curiosidade mórbida de saber se a Emma ia ser burra ao ponto de transar ou não com Reid. =/

A história conseguiu ter um ou outra surpresa mais para o final, todas relacionadas com o Graham, mas aturar a voz do Reid foi quase insuportável para mim. E muita coisa fica em suspenso, em um cliffhanger bem forçadinho para justificar um próximo livro.

Vocês sabem o que é mais delicinha? A série já possuiu cinco volumes lá fora e a sinopse do segundo já me deixou tão frustrada e com o pé atrás que eu estou considerando fortemente não continuar acompanhando. Não sei se Graham é um personagem forte o suficiente para me arrastar por mais outros quatro livros.

Talvez eu devesse ter conhecido a autora lendo a primeira série que a Verus lançou por aqui, Easy. Ainda dá tempo de melhorar essa primeira impressão meio méh. Eu espero… :P


Até a próxima! o/

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