resenha

Sangue Mágico – Ilona Andrews

29 abr 2015
Informações

sangue mágico

ilona andrews

saída de emergência

série kate daniels #1

256 páginas | 2015

3.75

Design 3.5

História 4

Se não fosse pela magia, Atlanta seria uma boa cidade para viver. No momento em que a magia domina, os carros param e as armas falham.

Quando a tecnologia assume, os feitiços de proteção já não protegem sua casa dos monstros. Aqui, os arranha-céus são derrubados pelo ataque da magia; homens-lobo e homens-hiena rondam as ruas arruinadas; e os Mestres dos Mortos, necromantes impulsionados pela fome de poder, comandam vampiros com suas mentes.

Neste mundo, vive Kate Daniels. Kate gosta um um pouco demais de usar a sua espada e tem dificuldade de ficar calada. A magia em seu sangue a torna um alvo, e ela passa a maior parte da vida se escondendo no meio da multidão.

Mas quando o guardião de Kate é assassinado, ela deve optar entre não fazer nada e manter-se segura… ou perseguir o assassino sobrenatural. Esconder-se é fácil, mas a escolha certa nunca o é…

Design

Eu gostei da capa de Sangue Mágico, é legal ver uma mulher ser representada como badass, ao invés de sofrida e de boca aberta ou olhando para o horizonte distante e sem esperanças. Mas me permitam um momento mega bbk aqui, por favor? :P

A modelo está segurando uma espada, o que tem completamente a ver com a história. A espada de Kate é uma de suas principais armas de ataque/defesa e ela comenta e faz uso dela em várias passagens. Mas a espada de Kate é um sabre e a que está representada na capa, uma katana.

espada_katana

Katanaespada_sabre

 

Sabre

Tudo bem, talvez eu esteja sendo muito exigente querendo que exista uma preocupação com a coerência do que é contado na história e a aparência da espada que vão usar na capa. Mas, né… um tantinho de cuidado ao montar a foto, ao invés de jogar a primeira espada que se encontra no brechó na mão da modelo… Estou só de #mimimi aqui. O fato é que, fora a incoerência com a espada, eu gostei da capa.

Gostei da pirotecnia, gostei da modelo com cara de poucos amigos. Achei boa a escolha da fonte sans-serif condensed para o título, mas achei que o nome da autora ficou um pouco perdido sozinho lá no topo da arte.

O miolo do livro segue o padrão da Saída de Emergência, bem correto, mas com fonte grande demais, arejado para poder compensar o tamanho da letra do texto. Mas gostei que as folhas de rosto de Sangue Mágico vem com uma ilustração urbana no fundo preto. Se for para criar uma identidade para todos os livros do gênero, foi uma escolha bem interessante!


História

Se você desconsiderar todos os YA sobrenaturais (que tem fantasmas, vampiros, lobisomens e coisas afim) das minhas leituras, acho que dá para contar nos dedos os autores/séries de fantasia urbana (urban fantasy) adulta que já peguei.

O Código Élfico, as séries Sookie Stackhouse (mais conhecida como True Blood) e Harper Connely, e acho que só. Estou desconsiderando os livros que tem primariamente o relacionamento sexual dos personagens principais também, então as séries da Sylvia Day também não contam.

Então posso dizer que fantasia urbana não costuma estar muito presente na minha estante. E ao terminar de ler Sangue Mágico acabei percebendo que isso é uma grande falha minha. Eu gosto de fantasia urbana! Muito provavelmente porque ela está mais próxima do contemporâneo, envolvida com essas questões sobrenaturais e fantásticas. Os personagens são bastante atuais e a identificação fica relativamente mais fácil. Por mais que eu consiga me enxergar em Arya Stark, é mais fácil encontrar ressonância em Kate Daniels.

Gostei muito de Sangue Mágico. Tem alguns defeitinhos, mas para um livro de entrada e apresentação de mundinho ele é muito envolvente e com um ritmo bastante rápido. Tudo bem que no começo, quando você é jogado de cabeça no universo mágico/tecnológico de Kate, as coisa são relativamente lentas e um pouco confusas. Só digo para você não desistir e ficar com a personagem até o 3º- 4º capítulo. Vai melhorar, acredite em mim.

Keep going

No mundo de Kate depois de um apocalipse mágico, magia e tecnologia passam a coexistir, de certa forma cada um tentando consolidar seu lugar. Seres sobrenaturais também dividem espaço com os humanos que passam a ser “modificados” pela magia que ressurgiu. Ela não convive muito bem com a tecnologia e vem em ondas, como a maré, em alguns momentos alta e forte, interferindo em todos os aparelhos tecnológicos, e em outros tão fraca que chega a ser perigoso tentar utilizá-la.

A premissa de Sangue Mágico é que uma pessoa muito importante para Kate foi assassinada. Greg era um cavaleiro-místico, um tipo de guerreiro extremamente forte e versado em magia. Ele ser morto é um baque para Kate, algo quase impossível de conceber e acreditar. No mundo de Kate existem três instituições de aplicação da lei, sancionadas pelo governo, e Greg fazia parte da Ordem da Ajuda Misericordiosa. A jovem já havia sido convidada a fazer parte da instituição, mas por ser naturalmente arredia e não lidar bem com autoridades, Kate prefere fazer parte da Associação e ser uma mercenária.

Em busca de vingança e de descobrir o responsável pelo assassinato de Greg, Kate aceita ter uma participação na investigação do caso, e tem acesso às informações que o cavaleiro-místico já havia coletado antes de morrer. Alguma conspiração envolvendo duas grandes potências sobrenaturais, a Nação e a Matilha, está em curso, e Kate acaba se tornando parte de todos os acontecimentos, enquanto levanta informações de todos os suspeitos do assassinato.

Sangue Místico tem um pouco de muitas coisas: romance, construção de mundo, aventura e ação, lutas e um certo desenvolvimento de personagens. Mas eu senti falta de um pouco de background para Kate. Existe muito mistério em torno da personagem, e os autores não fazem nenhuma questão em explicar porque ela tem um sangue especial e diferente de outros usuários de magia. Senti falta também de momentos pirotécnicos. Sou dessas que acha que magia envolve show de fogos e muita partículas visuais. Então eu curto quando os autores conseguem encaixar esse tipo de descrição e lutas em suas histórias, mas foram poucos para Kate. As maiores descrições aparecem quando ela utiliza seu sabre ou no terço final da história.

Algumas descrições de monstros e personagens são um pouco confusas, mas gostei bastante de que todas as peças do quebra cabeça são resolvidos juntos entre leitor e personagem. Não existe informação que nós saibamos de antemão, uma vez que ouvimos a história pela voz de Kate, então tudo que ela descobre passa a ser nossa descoberta também, então é um desenvolvimento interessante. Gostei das cenas românticas e do fato de que elas não são o mote da história.

Kate é praticamente uma tomboy. Seu corpo é uma ferramenta e apesar de ser feminina e consciente de sua beleza (ela faz questão de dizer que abriu mão de algumas coisas, mas nunca de seu cabelo comprido), ela não se baseia só nisso. Suas habilidades e força são mais importantes. Sua língua ferina e sarcástica é um dos pontos engraçados e que deixam a história mais “leve”. Ela está sempre conversando consigo mesma, se criticando ou motivando, dependendo da situação.

A série é bem longa, com previsão até o momento de dez livros fora os spin-offs, então espero que em algum momento o passado de Kate seja abordado de uma forma mais satisfatória, e que ela tenha direito a umas bitocas e uns amassos ao longo do caminho.

Eu acho que em alguns momentos a adaptação da tradução para pt-br deixa a desejar, e os diálogos e a narrativa fica um pouco truncada. Não sei se isso é culpa da revisão final ou não. Mas é uma coisa que a editora tem que ficar um pouco mais atenta com seus livros.

Eu quero ver como a Saída de Emergência vai lidar com o nome dos livros daqui para frente. Todos eles são Magic <insira um verbo aqui>, e não sei como eles pretendem adaptar os próximos. Como será para o segundo volume, Magic Burns? Mágica Queima? Queimadura Mágica? Fogo Mágico? Esse foi um problema para os livros da série da Sookie Stackhouse quando foram traduzido. Lá fora é tudo Dead <insira alguma coisa aqui> (DEAD Until Dark = Morto até o Amanhecer; Living DEAD in Dallas = Vampiros em Dallas…) e quando começou a ser traduzido perdeu o vínculo e charme da série. :P

Aguardando ansiosamente pelo segundo, a ponto de eu não ler o trecho “grátis” que vem no final do livro, para não me deixar maluca.


Até a próxima! o/

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