resenha

A Menina Mais Fria De Coldtown – Holly Black

16 jan 2015
Informações

a menina mais fria de coldtown

holly black

novo conceito

série ---

384 páginas | 2014

4.25

Design 4.5

História 4

No mundo de Tana existem cidades rodeadas por muros são as Coldtowns. Nelas, monstros que vivem no isolamento e seres humanos ocupam o mesmo espaço, em um decadente e sangrento embate entre predadores e presas. Depois que você ultrapassa os portões de uma Coldtown, nunca mais consegue sair.

Em uma manhã, depois de uma festa banal, Tana acorda rodeada por cadáveres. Os outros sobreviventes do massacre são o seu insuportavelmente doce ex-namorado que foi infectado e que, portanto, representa uma ameaça e um rapaz misterioso que carrega um segredo terrível. Atormentada e determinada, Tana entra em uma corrida contra o relógio para salvar o seu pequeno grupo com o único recurso que ela conhece: atravessando o coração perverso e luxuoso da própria Coldtown.

A Menina Mais Fria de Coldtown, da aclamada Holly Black, é uma história única sobre fúria e vingança, culpa e horror, amor e ódio.

Design

A Novo Conceito fez bem em comprar e adaptar a capa original de A Menina Mais Fria de Coldtown. Essa fonte do título que entra na pele do pulso da personagem chega a dar nervoso! >.< A maior diferença é que a arte original é tem mais contraste, com áreas mais escuras e marcantes, enquanto que a nossa é mais “brilhante”. Mas a organização dos conteúdos é exatamente a mesma. A única coisa que me incomodou um pouco na capa foi o texto “premiado pela…” que pareceu ter sido jogado de última hora no canto direito superior do projeto, com uma fonte “qualquer” que deu a impressão que nem foi pensada para compor a arte da capa.

Em compensação, a quarta capa é muito bonita também! Usando a mesma fonte do nome da autora e deixando o “clima” gelado bem trabalhado com as fontes brancas sobre o padrão floral azul. Eu adorei o padrão, porque tem uma pegada de coisas antigas, tipo a estampa daquele sofá da sua avó, e isso tem tudo a ver com a questão da imortalidade dos vampiros. Seguindo com os selinhos de classificação indicativa, o livro tem “terror”, “aventura”, e “mistério”. Eu particularmente trocaria “aventura” por “ação”, por algum motivo “aventura” para mim parece coisas de livros infantis e da Sessão da Tarde.

Agora, o miolo de A Menina Mais Fria de Coldtown é digno de nota máxima e palmas! Sabem o que eu sempre digo que uma mancha gráfica não precisa de mais do que duas fontes para funcionar bem? Este miolo veio para provar que dá para fazer um projeto MARAVILHOSO exatamente como eu falei. A fonte mais caligráfica e “fantasia” vai para o número do capítulo em suas aberturas, e ela tem uma pegada meio “sangrenta” em suas curvas. De resto, todos os outros elementos da página parecem ser construídos com a mesma fonte do corpo do texto do miolo. Na capitular, no cabeçalho (completo aqui), nos quotes que aparecem em todas as aberturas de capítulo. A fonte é bem agradável e legível, cria uma sensação fluida de leitura e boa ocupação na página. A mancha é balanceada e tem boas margens.

Além disso, o projeto ainda conta com elementos gráficos em todas as páginas, simulando espirros de sangue. Nas aberturas de capítulo eles são maiores e quando a página par está vazia, ocupa praticamente toda a área. Ao longo do capítulo elas aparecem sempre na parte esquerda inferior das páginas pares e na parte direita superior das ímpares. Confesso que fiquei com um certo receio de que atrapalhasse a leitura, porque são manchas cinza no meio do texto. Mas ao longo do livro você acaba se envolvendo tanto com a história que acaba esquecendo que o grafismo está ali.


História

Apesar do frisson que o marketing de A Menina Mais Fria de Coldtown causou nas redes sociais quando o livro foi lançado, inclusive com pessoas reclamando de apologia a automutilação, o livro trás de volta os nosso e queridos e amados vampiros. Não os brilhantes, nem os monstros per si, mas aqueles seres lindos e extremamente atraentes à la Anne Rice, que são os assassinos perfeitos por serem tudo aquilo que queremos ser: lindos, etéreos e eternos (apesar de estarem mortos).

Vampire Diaries Damon Salvatore

O livro se passa em uma realidade em que os vampiros existem e fazem parte da sociedade apesar de serem considerados uma epidemia mundial. O vampirismo é visto e tratado como uma doença transmissível. Quando um humano é mordido por um vampiro ele fica Resfriado e começa a mudar. Para completar a transformação ele precisa morder um outro humano e drenar seu sangue. Uma pessoa mordida por alguém Resfriado não corre o risco de pegar a doença, mas corre o risco de ser drenado até a morte. Tana sabe bem o que é conviver com alguém Resfriado e quase morrer por conta disso.

Para controlar a proliferação dos vampiros são criadas as Coldtowns, cidades cercadas e muradas, onde os vampiros são mantidos e onde qualquer um pode entrar, mas só saem os que possuem um sinalizador.

Acho que uma das coisas que me conquistaram em AMMFDC (mal aí, o nome é muito grande) foi essa volta do vampiro estilo Lestat. E ao mesmo tempo essa busca dos seres humanos tanto pela eternidade quanto pelo reconhecimento. Apesar de Tana não se encaixar em nenhuma dessas vertentes, as pessoas com quem ela cruza ao longo de sua “aventura” são assim.

Tana nada mais é do que uma heroína absurdamente sortuda, em que todas as coisas ruins e erradas que acontecem acabam dando certo no final. Só que ela conduz tudo com certa apatia e um lado meio depressivo que é, de certa forma, cativante ao mesmo tempo que improvável, uma vez que fica quase difícil de acreditar que ela faria tudo o que fez ao longo da história. Eu estava esperando pelo momento em que ela iria surtar e se despedaçar.

Ela está cercada por um ex-namorado muito babaca e, na minha opinião, muito inseguro. Pela descrição, fora uma troca ou outra de beijos no passado, Aidan nunca foi um namorado de verdade. Ele está Resfriado e por mais que Tana queira “curá-lo”, ela sabe que não conseguirá controlá-lo para chegar até a Coldtown.

Dois gêmeos que pegam carona para ir até a cidade dos vampiros, em busca de se tornarem um eles mesmos, Midnight e Winter são famosos nas redes sociais e pretendem contar toda a jornada até sua transformação.

E por último temos Gavriel, um vampiro que estava na mesma festa de onde Tana e Aidan escapam, e que é completamente (ou quase) louco. A dinâmica dele com Tana vale boa parte do livro uma vez que ela se sente atraída pelo vampiro mas não quer se tornar igual a ele. Diferente de Bella, que para ficar com Edward fazia questão de ser transformada.

Aliás, Tana acha que está infectada e acaba aceitando que não resta outro lugar para ela ficar além de Coldtown!

A história em si é relativamente rápida desde a fuga da festa até o fim, mas a forma como Holly Black escolheu contá-la, alternando entre os dias (ou noites) atuais em um capítulo, e mostrando a ligação do background dos personagens em outro, cria uma dinâmica de avanço e retrocesso interessantes para o livro. Pode às vezes parecer um corte de desenvolvimento, mas quando você recebe informações que explicam certas ações dos personagens, é perdoável. Principalmente pela a autora conseguir criar ótimos ganchos entre os capítulos, deixando uma boa tensão de expectativa.

A história tem bastante ação, é quase impossível respirar aliviado com os personagens, porque um outro problema já apareceu para prender sua atenção. E não tem muito jeito, Tana é quase uma super-heroína. Sofrendo e salvando quase na mesma medida, como se simplesmente não tivesse mais nada a perder ou não tivesse medo de morrer. É um pouco bizarro.

I'm Invincible

A única coisa que não gostei foi o final em aberto. Atravessar quase 390 páginas e não encontrar uma conclusão fechada é quase frustrante demais, principalmente por eu ser esse ser extremamente romântico.

Gostei muito do estilo narrativo de Holly Black mas dou graças por este ser um livro fechado e não mais uma série infinita na minha lista de séries infindáveis.


Até a próxima! o/

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1 comentário

  • Responder Helena 17 jan 2015 at 05:41

    Tbm adoro livros de vampiros!! Taí uma oportunidade para voltar a encontrá-los.
    Bjos, Helena

    http://doslivrosumpouco.wordpress.com

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