resenha

Alma? – Gail Carriger

13 jan 2015
Informações

alma?

gail carriger

valentina

série protetorado da sombrinha #1

308 páginas | 2013

4.25

Design 3.5

História 5

Alexia Tarabotti enfrenta uma série de atribulações sociais, quiproquós e saias justas (embora compridíssimas) em plena sociedade vitoriana. Em primeiro lugar, ela não tem alma. Em segundo, é solteirona e filha de italiano. Em terceiro, acaba sendo atacada sem a menor educação por um vampiro, o que foge a todas as regras de etiqueta.

E agora? Pelo visto, tudo vai de mal a pior, pois a srta. Tarabotti mata sem querer o vampiro ― ocasião em que a Rainha Vitória envia o assustador Lorde Maccon (temperamental, bagunceiro, lindo de morrer e lobisomem) para investigar o ocorrido.

Com vampiros inesperados aparecendo e os esperados desaparecendo, todos parecem achar que a srta. Tarabotti é a responsável. Será que ela conseguirá descobrir o que realmente está acontecendo na alta sociedade londrina? Será que seu dom de sem alma para anular poderes sobrenaturais acabará se revelando útil ou apenas constrangedor? No fim das contas, quem é o verdadeiro inimigo, e… será que vai ter torta de melado?

Uma das séries de Steampunk mais cultuada do mundo.

Design

Eu queria dar uma nota maior para o design de Alma?, principalmente porque o projeto é esforçado, mas ficou um pouco exagerado demais. Achei muito bom manter a capa original (por mais que eu ache a moça da capa não faça jus à Alexia. Com a descrição da autora, fiquei imaginando Kim Kardashian ao longo do livro #meJulguem), e ainda mais legal utilizar essa fonte macarrônica para o título. A mistura entre ela e uma fonte sans serif para todos os outros textos cria um conjunto elegante e harmônico, que não compete pela atenção do leitor. Tudo bem que eu sempre sempre seeempre reclamo de colocar um monte de texto na capa, e aqui acho que só o adendo de “um romance sobre…” era necessário. Se você pega o livro para ler e não conhece Alexia Tarabotti não faz a mínima diferença para o leitor, se ela ainda não é uma personagem conhecida..

O problema com a capa é que ela perdeu um pouco de contraste e definição, os pretos estão muito marcantes e ao mesmo tempo ela parece estar fora de foco. Se for para criar um clima londrino é até compreensível porque ela pode estar “coberta de névoa”, mas não achei que ficou muito perceptível para quem bate o olho na imagem. Achei muito bom que na lombada e na quarta capa venha marcado que o livro é o primeiro volume, minha estante agradece na hora de arrumar. Mas confesso que preferia uma pequena sinopse no verso do livro, ao invés de seis quotes de sites que não necessariamente vão me convencer de alguma coisa. Se eu não faço parte da comunidade literária não sei se eu me importaria com a opinião de pessoas que não faço ideia de quem são, principalmente sendo todas estrangeiras.

Agora, o que tirou mais pontos da nota final definitivamente foi o miolo, em que eu contei pelo menos quatro fontes aparentemente distintas. Não vou afirmar categoricamente que um projeto gráfico que já tem uma fonte “fantasia” no título não precisa de outras famílias ao longo do layout, mas aqui, acredito que não precisava. Temos uma fonte para o texto de capítulo, uma para o título do capítulo, uma para o capitular e outra para a massa do texto propriamente dita. Por mim, se o projeto tivesse seguido com a sans-serif e a fonte macarrônica da capa para criar a estrutura visual diferenciada do miolo, já estava de bom tamanho. Não havia necessidade de incluir ainda outras famílias e mudar o padrão que tinha sido iniciado na capa. u.u

A fonte do miolo é ótima. Já vi a Bembo ser utilizada em outros livros e ela é muito confortável e legível, ocupa bem a mancha gráfica, e foi utilizada com uma ótima entrelinha. Pena que a ocupação vertical da página ficou muito apertada com o cabeçalho. Uma vez que ele concentra todas as informações de título/autora/número de páginas, a mancha gráfica podia ter descido um pouco mais, para aumentar a margem entre a primeira linha do parágrafo e o cabeçalho. Assim teria uma margem de segurança mais confortável.

Um outro probleminha é o polvinho que ilustra o cabeçalho e o número de página que fica dentro de sua cabeça. É a mesma ilustração de polvo que está aparentemente vetorizada na quarta capa do livro, mas dentro do miolo ela perde definição e é possvel perceber que ficou até mesmo pixelada. Além disso, o número de página é extremamente minúsculo, e quando chega às de centenas fica muito apertado dentro da arte do polvo. O melhor teria sido colocá-lo no centro do corpo, onde a área horizontal era maior do que na cabeça.

O projeto merecia uma nota melhor, e eu queria ter relevado. Só que não deu… =/


História

Quando terminei Alma? fiquei me perguntando porquê demorei tanto tempo para pegar o livro para ler. Principalmente porque três pessoas com opiniões que eu respeito (Lygia Neto, Frini Georgakopoulos, e Ize Mascarenhas) já tinham dito o quanto a história é boa.

Alexia Tarabotti foi uma das melhores personagens femininas de 2014. Forte, direta, muito interessante e inteligente, a solteirona de 26 anos, com sangue italiano, pele “escura” e um cérebro e opiniões muito peculiares (para uma mulher do século XIX), é alem disso tudo, uma preternatural. Ela não possui alma, e por isso, consegue cancelar os poderes sobrenaturais de outros seres, como vampiros e lobisomens,

Apresentados à sociedade e aceitos por ela, os seres sobrenaturais vivem junto com os humanos de uma Londres vitoriana e ligeiramente steampunk. Respeitam as leis de sua Majestade mas possuem um conselho de indivídos que tem contato direto com a rainha, assim como uma polícia especializada. Só que pessoas como Alexia, sem alma, são muito mais raras de serem encontradas.

De qualquer forma, todos os seres sobrenaturais conhecem o protocolo para lidar uns com os outros, até que Alexia é atacada por um vampiro, e acaba matando-o. Entra em cena o super-gostoso-“tudibom” Lorde Conall Maccon, alfa dos lobisomens, chefe do DAS (Departamento de Arquivos Sobrenaturais) e pessoa que a preternatural adora irritar e confrontar.

ÓBVIO que rola aquela tensão sexual entre os dois, e a autora constrói muito bem o interesse dos personagens e a evolução de seu relacionamento. Alexia tem tão baixa autoestima que para ela é difícil entender o interesse do alfa como sendo além de um passatempo. Afinal ela é cheia de curvas, meio-italiana, e a moda dita que as mulheres devem ter uma brancura como a dos vampiros.

Os diálogos dos dois são muito engraçados, sexys, e espirituosos. Eles se alfinetam e se excitam o tempo todo de forma que o leitor fica tenso e ansioso pela resolução do romance de Alexia e Lorde Maccon.

A história que é a base do romance, o suspense que Alexia precisa ajudar a desvendar é muito interessante e coloca personagens distintos e profundos para completar a história. O vampiro Lorde Akeldama (que é uma FI-GU-RA) e o beta de Lorde Maccon, Prof. Lyall, assim como a família amalucada e pretensiosa da Srta. Tarabotti, todos são figuras singulares e necessárias para manter o fluxo e o ritmo da história.

Que é contada de forma estupenda por Gail Carriger! O estilo literário da autora é bem mais rebuscado do que estou acostumada, mas ao mesmo tempo é tão necessário para aproximar o leitor de um século tão longínquo, tanto em seu formato verborrágico quanto no que tange a cultura e a posição masculina e feminina na sociedade.

Só confesso que gostaria que a tão bem falada sombrinha de Alexia tivesse sido mais usada e eficientemente brandida como a real arma que parece ser. O livro em si, não precisaria de continuação, a autora consegue criar um final redondo e satisfatório para todos os personagens. Mas fico grata de poder reencontrar os personagens em outros livros da série.

Parasol Atack

O pior de tudo? Não ter Metamorfose? para ler em sequência. Colocando na lista da Bienal… ^.^


Até a próxima! o/

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1 comentário

  • Responder May 13 jan 2015 at 18:27

    Eu estou doida pra ler esse livro. Sou dona de uma livraria no interior do Rio Grande do Sul e fechei a pouco parceria com a Valentina, estou aguardando a entrega dos livros pois é claro que não resisti e comprei um exemplar pra mim do Alma?. Beijos

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