resenha

As Feiticeiras de East End – Melissa de la Cruz

7 maio 2014
Informações

as feiticeiras de east end

melissa de la cruz

id

série as feiticeiras de east end #1

312 páginas | 2012

3.5

Design 3.5

História 3.5

As três mulheres da família Beauchamp escondem um segredo: são feiticeiras poderosas, há séculos proibidas de usar sua magia. Joanna consegue ressuscitar os mortos e curar feridas graves; Ingrid prevê o futuro e tece nós que podem resolvem qualquer problema; e Freya tem um encantamento que certamente consegue curar os piores desencantos amorosos. Ela vai se casar com o misterioso Bran Gardiner, e cada vez fica mais difícil esconder seu segredo. Ingrid e Joanna sentem o mesmo dilema, e as três percebem que não podem mais ignorar quem realmente são.

Desenterram varinhas e vassouras e começam a criar feitiços bem-intecionados para algumas pessoas. É então que ataques violentos começam a assolar a cidade. Quando uma jovem desaparece, elas percebem que está na hora de descobrir que forças obscuras operam contra elas.

Com um roteiro fascinante e algumas aparições surpreendentes de personagens da série Blue Bloods, esta é uma leitura divertida, repleta de casos amorosos, bruxaria e uma batalha entre o bem e o mal que o fará curtir cada página!

design

Diferente de Dearly, Departed e Os Videntes que eu li anteriormente, o tamanho de As Feiticeiras de East End é relativamente menor, o que dá um certo charme para o livro. Ao mesmo tempo faz com que você fique com uma certa estranheza na ocupação do espaço na estante. Eu ainda não sei qual as dimensões que eu acho mais agradável, mas acho as desta série fofa.

O que eu não tenho gostado muito ultimamente é o verniz brilhante que alguns livros utilizam. Pode ser bobeira minha mas acho que livros com laminação fosca são muito mais atraentes e elegantes como resultado final. De qualquer forma, a imagem da capa é bonita e marcante e o nome da autora e do título conseguem manter uma ocupação e peso equilibrados. Acho um pouco estranho a fonte do título não ter ligaduras entre as letras, uma vez que ela é cursiva e serifada; talvez se o espaço entre as letras não tivesse sido alterado (como parece que foi, está mais aberto) não teria chamado minha atenção.

Uma coisa que senti falta na capa é o número de marcação de volume. Como estamos falando de uma série, merecia que viesse na lombada para ajudar a identificar qual é a ordem de leitura quando o livro for para a estante.

O miolo segue a estrutura dos outros livros da iD: fonte pequena, entrelinha grande, #mimimi não curto muito. Mas aqui as aberturas de capítulo ficaram elegantes, apesar de que poderiam ter ganhado uma iconografia mais específica. Uma coisa que não entendi muito bem foi a “dança do número das páginas”., e eu não entendi porque o número das páginas vai para o rodapé, mudando o projeto gráfico. Nas internas a paginação foi colocada nas margens externas das páginas, o que achei uma escolha bem elegante, mas acho que toda a mancha gráfica poderia ter sido um pouco mais centralizada na página. Como a área do rodapé ficou vazia, o cabeçalho não precisava ficar espremido nas margens superiores.


história

Vale começar a resenha com um aviso: não se deixem enganar pela capa que pode sugerir que é um livro young adult. Não é. Muitas situações do livro são para um leitor um pouco mais… maduro, digamos assim. Cenas de uma das personagens são bastante quentes e um pouco gráficas. Então, se você estava pensando em comprar para sua sobrinha ou sua irmã mais nova de 12-14 anos, repense.

Recebi As Feiticeiras de East End da iD para me preparar para o evento de lançamento de O Beijo da Serpente, do qual fui uma das moderadoras (contei como foi aqui ó). Como já comentei em alguma resenha por aí, tenho evitado ler sinopses ou leio beeeem por alto, para não ser “contaminada” com o bichinho da expectativa. Então entrei no mundo das mulheres Beauchamp relativamente sem saber nada, por isso não estava preparada para a história que o livro me apresentou.

Não se preocupem, foi uma boa história. Mas deixou muitas pontas soltas pelo caminho, teve um desenvolvimento um pouco truncado e isso atrapalhou o meu envolvimento.

O livro conta a história das três mulheres da família Beauchamp, moradoras de North Hampton e parte importante da comunidade da ilha. Freya é bartender do North Inn, e responsável pelos melhores drinks da cidade. Ela vai se casar com Bran Gardiner mas está com o coração dividido entre ele e seu irmão. Ingrid é bibliotecária, extremamente inteligente mas “desperdiça” seus talentos em um trabalho simplório para suas habilidades, solteirona convicta e relativamente amargurada. Joanna, a mãe, é dona de casa e cuida das filhas, é tranquila mas vive triste porque seu único filho está preso em outra dimensão. Isso mesmo, outra dimensão. Isso porque as três mulheres são muito mais do que aparentam. Elas são feiticeiras, proibidas de utilizar suas magias, e presas pela eternidade aqui na terra.

witches

Cada uma delas tem uma especialidade e afinidade, os seus poderes não são pirotécnicos, mas sim mais ligados com o a terra. Freya consegue preparar poções que ajudam as pessoas a superar inibições ou até mesmo encontrar o amor. Ingrid é especialista em corrigir problemas e desatar dificuldades com seus nós, enquanto que Joanna consegue recuperar a vida das coisas, inclusive trazendo pessoas mortas que ainda não tenham passado pelo portal do mundo dos mortos.

A autora na verdade nos brinda com sua visão da mitologia nórdica e de alguns dos deuses. Ao longo do livro, que divide os capítulos pelos POV de cada uma das mulheres, elas vão nos contando um pouco mais de suas histórias e acrescentando peças ao quebra-cabeça que é sua maldição de não utilizar seus poderes. Cada uma também começa a perceber que seus poderes podem ajudar a melhorar a vida de toda a comunidade e resolvem ignorar as regras e passar a utilizá-los de qualquer forma. É também através das três que começamos a perceber que elas estão por aqui há muito mais tempo do que poderíamos imaginar. Muito antes dos julgamentos de Salem mencionados por Freya e Ingrid.

Além do desenvolvimento das próprias personagens, que se contextualizam a cada novo capítulo próprio, o livro gira em torno de alguns mistérios que começam a acontecer na ilha de North Hampton e em Fair Haven e que afetam diretamente as três mulheres. Envenenamento das águas, animais mortos e até assassinatos são sinais de que algo está muito errado na dimensão de Midgard.

Só que as peças da história são um pouco truncadas e não se encaixam muito bem. Por exemplo, não existe uma explicação objetiva do porquê da proibição da utilização da magia; nem desenvolvimento sobre os irmãos Gardiner (os interesses românticos de Freya). Eles seriam responsáveis pelo momento clímax final do livro, que explodiria nossas cabeças, mas que no fim das contas fica na base do “precisa entender não, aceita aí, vai?”.

Além disso, a história se arrasta muito em alguns momentos, criando brechas que não são explicadas ou fechadas ao longo da narrativa. Por isso o final acaba ficando muito corrido e coisas citadas que precisavam de um fechamento ficam sem explicação. O crossover com a outra série da Melissa de la Cruz, Blue Bloods, ficou parecendo gratuito e para encher páginas. De certa forma até tenta desviar a atenção do leitor durante um dos “mistérios” da história.

Na minha opinião o livro poderia ter se fechado neste único volume. Só existe a necessidade de uma continuação porque no epílogo a autora cria uma situação para justificar uma série… o que acabou ficando um pouco forçado.

Apesar de tudo, o livro é divertido e sensual, o estilo narrativo da autora é agradável, ela consegue criar bons ganchos entre os capítulos, apesar de muitas vezes não explicar as lacunas entre eles e deixar a história um pouco confusa. Vale para conhecer a autora, mas sugiro que você tenha a continuação O Beijo da Serpente do lado para já emendar a leitura. Confie em mim, a frustração de não ter o seguinte vai ser muito grande.


Até a próxima! o/

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1 comentário

  • Responder Ize Chi 7 maio 2014 at 18:34

    Hum… Agora fiquei na dúvida se leio ou não rsrs
    Tipo, não curto muito livros de bruxas ou com bruxas, pois muitas vezes sinto que querem envolver a mítica da religião Wicca no meio, ou partir para seu oposto: mágicas bobas de sacudir varinha. A única série com bruxos que me prendeu foi Harry Potter mesmo rsrs

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