resenha

Veneno – Sarah Pinborough

26 dez 2013
Informações

Veneno

Sarah Pinborough

única

série Encantadas #1

244 páginas | 2013

3.5

Design 4

História 3

16

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Sexy, sarcástico e de prender a respiração!

Para os fãs de Once Upon a Time e Grimm, Veneno é a prova de que contos de fadas são para adultos!
Não existe “Felizes para sempre”!

Você já pensou que uma rainha má tem seus motivos para agir como tal? E que princesas podem ser extremamente mimadas? E que príncipes não são encantados e reinos distantes também têm problemas reais? Então este livro é para você! Em Veneno, a autora Sarah Pinborough reconta a história de Branca de Neve de maneira sarcástica, madura e sem rodeios. Todos os personagens que nos cativaram por anos estão lá, mas seriam eles tão tolos quanto aparentam? Acompanhe a história de Branca de Neve e seu embate com a Rainha, sua madrasta. Você vai entender por que nem todos são só bons ou maus e que talvez o que seria “um final feliz” pode se tornar o pior dos pesadelos!

Veneno é o primeiro livro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitor será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia!

Design

O projeto de Veneno tinha tudo para ganhar uma pontuação máxima mas duas coisas me incomodaram bastante e acabei tirando um ponto da nota final. Com certeza, a capa entraria fácil no top5 de mais bonitas do ano, mas uma das minhas questões foi exatamente com ela. Durante a divulgação do livro a imagem que circulou nas interwebs prometia uma capa muito forte e com cores vibrantes, mesmo com um padrão cromático mais frio ao trabalhar o azul (do vestido de Branca de Neve) e o vinho da capa em que ela está deitada. Mas o resultado final na impressão acabou ficando muito lavado e perdeu grande parte do impacto que a imagem tinha. Continua sendo linda, mas podia chamar mais atenção se usassem verniz brilhante ao invés de fosco.

Outra questão ainda na capa foi a sombra preta e esfumaçada colocada atrás do título. Entendo que provavelmente ela foi utilizada para melhorar a leitura de uma fonte branca sobre um fundo de imagem. Só que acaba criando uma área de foco estranha e escurecida que afeta o resultado da capa. Fico me perguntando se a sombra seria mesmo necessária. A quarta-capa tem um trabalho de livro antigo e ficou muito interessante, mas a fonte escolhida para a sinopse cria uma massa de texto muito escura e compacta, ligeiramente cansativa para leitura. O mesmo acontece nos textos das orelhas.

Falando delas, a Única colocou um marcador de seu próximo livro da coleção, Feitiço, para ser destacado da segunda orelha. Óbvio que eu não tenho coragem de soltar o marcador, mas acho muito legal a editora fazer esse agrado com o leitor.

Quanto ao miolo, ele foi o segundo culpado pelo ponto perdido de design. A fonte escolhida é de boa legibilidade, apesar de grande. Todas as aberturas de capítulos tem um trabalho de molduras e padrões florais muito elegantes, mas que achei um pouco excessivo em sua variedade. O problema mesmo ficou por conta da mancha gráfica. Para um livro de 14×20,5 cm de tamanho, trabalhar um mancha com margem interna de 3cm e 2,5cm de topo é deixá-lo extremamente desbalanceado e demasiadamente arejado. Do jeito que foi diagramado cria a expectativa de um livro visualmente mais fino do que o que eu tive em mãos. O que seria um projeto gráfico de grande elegância, acaba parecendo erro de alinhamento e ocupação de espaço.


História

Quando vi a chamada de Veneno como “repense seus vilões” imaginei que o foco seria inteiramente na rainha má, mas no final não foi exatamente isso que o livro me proporcionou.

Sarah Pinborough pegou o conto de Branca de Neve e os Sete Anões e fez uma releitura, preenchendo algumas lacunas que provavelmente muitos de nós passamos a nos questionar ao ficarmos mais maduros e ler novamente a história. Do tipo quem seria o pai de Branca de Neve, qual o motivo de tanto ódio de sua madrasta… Ela pegou inclusive informações que eu conhecia, mas que não foram mostradas no desenho da Disney, de outras formas como a rainha tentou matar a princesa. Antes de “morrer” com uma maçã, Branca quase se asfixiou com um espartilho muito apertado e foi envenenada por um pente amaldiçoado. Eu conhecia essas versões de um livro infantil que li quando pequena, meus pais colecionaram os fascículos que saíram na banca de jornal, com vários contos de fadas mais “reais”.

Acontece que a releitura aqui é bem mais sombria e perturbadora do que a leve história da Disney. A autora fala de inveja e ciúmes, de guerra, de escravidão, de luxúria e de expectativas desfeitas, e se você espera por um príncipe encantado, saiba que nem ele escapa de um destino sórdido.

Sobre a questão de ser sexy, eu confesso que esperava mais. Depois de ler Susan Fox, imaginei que a história seria realmente quente, mas na verdade só na parte final temos realmente um encontro sexual mais descritivo, e ainda assim, é bem leve em comparação com a série das irmãs Fallon.

A escrita da autora é leve e ágil mas, apesar de interessante, não consegui criar empatia por nenhum de seus personagens, mesmo quando ela traz alguns convidados “especiais” de outras histórias como a bruxa de João e Maria ou Aladim.

Me diverti descobrindo o que Sarah Pinborough imaginou ser a real história de Branca de Neve, apesar de ela não ter dito qual é o verdadeiro nome da princesa e de apenas três dos sete anões terem um papel efetivo na narrativa. Um leitura rápida, de um dia, que vai te fazer repensar seus contos de fadas e mexer com você ao propor um final em que não existe felizes para sempre.


Até a próxima! o/

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2 Comentários

  • Responder novas aquisições do blog #36 | Parafraseando LivrosParafraseando Livros 30 dez 2013 at 10:55

    […] um livro da Única aqui em casa e já tem a resenha no ar para vocês. Fugindo um pouco das irmãs Fallon, que eu já estou morrendo de saudade, fui […]

  • Responder Lygia 27 dez 2013 at 15:01

    “A escrita da autora é leve e ágil mas, apesar de interessante, não consegui criar empatia por nenhum de seus personagens”

    VIU VIU VIU? Eu disse! XD
    Tbm achei que teria algo mais da madrasta hiper fodona, tipo de OAUT, aí decepcionou um pouco! rs

    Ainda nem recomprei Feitiço, espero que seja melhor! o/

    Beijo, beijo!

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