resenha

Elantris – Brandon Sanderson

3 jun 2013
Informações

elantris

brandon sanderson

leya

série ---

576 páginas | 2012

1.75

Design 0

História 3.5

12

O príncipe Raoden, de Arelon, foi um dos tocados pela maldição que o levou a viver, ou a tentar sobreviver, em meio à loucura e maldições da cidade caída que, desde a maldição, tornara-se um cemitério para os que foram amaldiçoados. Prestes a se casar com Sarene, filha do rei de um país vizinho de Arelon – uma mulher que nem chegou a conhecer pessoalmente, mas que, mesmo com um casamento politicamente forçado, passou a conviver por meio de cartas – o príncipe é dado como morto, uma situação que parece ser irremediável, mas que precisa de explicações. E são esses mesmos esclarecimentos que Sarene procura ao chegar em Arelon e descobrir que tornara-se viúva antes mesmo de conhecer seu marido. E a partir daí começa a entender que terá que tomar conta de tudo sozinha, principalmente de um homem chamado Hrathen, um dos mais poderosos nobres, que está disposto a substituir o rei Iadon, pai de Raoden, para poder converter o país à religião Shu Dereth.

Design

É muito complicado fazer uma avaliação de um e-book. Não sei quantos de vocês já pegaram um e-reader na mão, mas a questão do livro digital é ser altamente customizável. Fontes, tamanhos da letra, espaçamento de parágrafo, formato de leitura (vertical/horizontal), você pode editar praticamente tudo! Ou seja, nada é de verdade o trabalho original do designer.

“Ah, você pode falar da capa”, dirá você, querido leitor. A capa no e-book é em preto e branco. Perde muito a qualidade de resolução das imagens da internet e provavelmente da capa original. Além disso, não tem como saber se houve algum tratamento ou acabamento no produto final.

“Ah, você podia ter ido até uma livraria e ver o livro lá”, sugerirá você novamente, querido leitor. Sim, eu poderia ter feito isso, mas o custo de deslocamento até uma livraria acaba sendo muito alto. Se eu só tenho o e-book, não posso falar nada da parte de design propriamente dito.

Estou saindo prejudicada nesta? Muito provavelmente. Ainda preciso analisar de verdade os prós e contras da leitura digital, e ver se realmente conta para linha do blog assumir efetivamente a leitura de e-books.

O que eu posso dizer de Elantris é que as aberturas das três partes do livro possuem uma ilustração que é importante para história. No final existe um glossário com o desenho dos aons que Raoden utiliza e seus significados. O e-book até tem um mapa no final da leitura, mas não acrescentou nenhum tipo de informação relevante. Não é como o mapa de Guerra dos Tronos ou de O Senhos do Anéis, que é extremamente detalhado. Ficaria mais agradecida se fosse um mapa da cidade de Elantris, e um mais geral sobre a geografia de Arelon e sua posição no continente.


História

Só para avisar, esta sinopse aí não fala quase nada do que é realmente importante para começar a entender ou se interessar por Elantris, inclusive tem uma informação errada sobre um dos personagens.

Eu estava com saudades de ler uma fantasia com (a promessa de) pirotecnias estroboscópicas. Quando no prólogo, o autor nos conta sobre Elantris, a cidade dos deuses, de pessoas que passaram pela transformação da Shaod e se tornaram seres magicamente evoluídos e que eram capazes de viver mais tempo que os humanos normais e de atingir poderes inimagináveis, fiquei na empolgação de “efeitos cósmicos fenomenais”! Mas, na verdade, nas suas 576 páginas, Elantris é mais um livro sobre política, disputas religiosas, homogenia e transformações. Até vão existir pirotecnias estroboscópicas, mas não na velocidade ou na hora em que eu esperaria.

Há 10 anos, alguma coisa aconteceu e a magia da Shaod, que transformava as pessoas em elantrinos, passou a ser uma maldição e ao invés de seres maravilhosos, de pele alva e brilhante e cabelos platinados, passou a transformar as pessoas em criaturas carecas, com a pele coberta de manchas escuras. A cidade de Elantris também perdeu sua vitalidade e se transformou no cemitérios para todos que fossem tocados pela Shaod, que passaram a ser enviados para lá.

Existe também uma forte conotação religiosa quando duas linhas diferentes que se originaram de um mesmo deus, “competem” pela homogenia entre seus fiéis. Esta é uma parte um pouco complicada e confusa já que o Shu-Korath segue Domi e preceitos de harmonia, enquanto o Shu-Dereth segue Jadeth e preceitos mais militares e de submissão. Até você se acostumar com as duas linhas, mais a religião pagã dos Mistérios, e mais a crença que originou os dois Shus, vai ter um certo nó na sua cabeça.

Obviamente, os monges e sacerdotes do Shu-Dereth acreditam que todas as pessoas devem seguir seu deus Jadeth e se submeter às ordens de seu único representante Wyrn, que é o monarca da cidade de Fjorden. Ele quer dominar todas as nações, independente da maneira que elas deverão ceder. Enquanto Elantris existia, o Shu-Dereth não tinha tanto poder sobre os outros países, mas com a queda da cidade, Fjorden passa a, lentamente, invadir cada uma das nações com que faz fronteira.

A história do livro alterna entre os três principais personagens: Raoden, filho do rei (mercador) de Arelon, cidade vizinha de Elantris, amando por seu povo; Sarene, filha do rei de Teod, solteirona por seu temperamento; e Hrathen, gyorn (que eu acho que deve ser o equivalente a um cardeal e não um nobre como está na sinopse) do Shu-Dereth, enviado por Wyrn para submeter Arelon à Jadeth.

Raoden é tocado pela Shaod e enviado para Elantris enquanto Sarene chega a Arelon para seu casamento com o príncipe e se descobre “viúva” e com um sogro imbecil. Hrathen chega no mesmo período que Sarene e quer a todo custo evitar um banho de sangue durante a conversão da cidade. Então, quando “ouvimos” Raoden, sabemos o que acontece dentro dos muros de Elantris, como as pessoas que estão lá dentro, que são praticamente zumbis, sobrevivem entre uma disputa territorial e de alimentos, e o que o príncipe começa a querer mudar dentro da cidade, além de seus estudos sobre o AonDor, que é o “alfabeto” mágico dos elantrinos e a forma como atingiam seus poderes.

Quando Sarene e Hrathen “falam”, é sobre a disputa política e religiosa que acontece na corte de Arelon. Como cada um quer destronar Iadon, pai de Raoden, para seus propósitos, e como eles vão sempre bater de frente um com o outro tentando conquistar a atenção do povo e dos nobres.

Os dois terços iniciais do livro são muito lentos, muitos personagens, muita intriga política e religiosa. Sarene passa a impressão de ser uma mulher forte e decidida que traça seu próprio caminho e não precisa ser salva no final. Raoden é o homem perfeito que quer o bem de todos e só pensa em trazer a harmonia para os que estão à sua volta. Hrathen convive com um passado doloroso e quer evitar que alguns erros que cometeu se repitam agora que tem outra missão de seu deus. Apesar de interessante, e de dar para perceber como cada ação dos personagens acabam interferindo na dos outros dois, as coisas demoram para acontecer. E quando finalmente acontecem, você já está terminando o livro, e vem em uma velocidade vertiginosa, joga na sua cara todas as soluções de uma vez só, e PÁ, acaba.

Só resta a você respirar fundo, depois da maratona do terço final, pensar um pouco para que as informações sejam absorvidas, e ter aquela sensação de dever cumprido, pois afinal foram 576 páginas! Aí você agradece a pirotecnia estroboscópica e se decepciona um pouco com Sarene, porque era tudo fachada.

Se você quiser saber o que acontece depois do livro, o autor disponibilizou um conto chamado Hope of Elantris em sua página. É preciso saber ler em inglês para curtir o conto adequadamente.


Até a próxima! o/

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