resenha

O Enigma da Borboleta – Kate Ellison

1 abr 2013
Informações

o enigma da borboleta

kate ellison

leya

série ---

312 páginas | 2013

4

Design 4.5

História 3.5

Um suspense eletrizante onde qualquer movimento em falso pode ser fatal. Penélope Marin, ou simplesmente Lo, é uma adolescente um tanto incomum – ela sofre de transtorno obsessivo compulsivo, que ficou mais intenso depois da morte de seu irmão Oren. Além disso, Lo adora colecionar bibelôs, mesmo que tenha que roubá-los (Ela também tem traços de cleptomania). Num desses “resgates” – como ela mesma diz – Lo encontra uma bela borboleta, que pode ter colocado sua vida em perigo. Essa figura está ligada a um assassinato e Lo pode ser a única testemunha desse crime.

Design

Precisei tirar meio ponto do design do livro por culpa da capa. Da primeira vez que vi a ilustração e a sinopse tive a impressão que o livro seria muito mais violento e assustador do que realmente é. De certa forma, a capa me fez ter a expectativa de uma história um pouco diferente, e todo o preparo psicológico pré-leitura foi relativamente desnecessário. De qualquer forma, é uma belíssima capa, impactante e chamativa.

A beleza do miolo começa na folha de rosto com uma enorme borboleta negra “pousada” na dupla de páginas. Continua na mancha gráfica de leitura extremamente agradável, equilibrada no centro da página, e com atenção a pequenos detalhes. Nas aberturas de capítulo uma ilustração de uma borboleta monarca passeia pelas áreas das páginas, e fica em pontos diferentes conforme o livro prossegue. Uma atenção também para um pequeno detalhe de colocar dois “dingbats” (aqueles caracteres que são ornamentos, sabem?) de vasos de flores ladeando os números de páginas.

Com um time de quatro revisores para o livro não consegui perceber nenhum erro nos textos ou na tradução.


História

Para falar sobre O Enigma da Borboleta, preciso que vocês saibam o que é TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Já ouviram falar? Muitas vezes a gente brinca com os amigos que tem manias dizendo que “Isso é TOC”. Mas o transtorno obsessivo-compulsivo é uma doença muito mais importante e gera bastante sofrimento para o portador e sua família.

A pessoa portadora de TOC tem um nível altíssimo de ansiedade e costuma ser acometida por obsessões com pensamentos, ideias ou imagens, sem o seu controle. Para se livrar da crise, as pessoas desenvolvem rituais com regras estabelecidas “pela compulsão”, e só assim conseguem aliviar a tensão e ansiedade. O problema fica mais sério quando esses rituais passam a interferir na vida pessoal e rotina da pessoa. Os rituais costumam ser relacionados com limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo. No caso de Penélope, a personagem de O Enigma da Borboleta, são praticamente todos ao mesmo tempo.

Agora talvez vocês entendam porque disse no twitter que o livro gerava uma grande ansiedade durante a leitura. Você passa as 312 páginas ouvindo as compulsões de Penélope, e acompanhando seus rituais, seus taptaptaps, sua percepção de contagem e de números bons e ruins que interferem em seu humor. Você acaba se envolvendo de tal forma, que quando dá aquela pausa para respirar, seu cérebro desacelera da velocidade vertiginosa que é a narração de uma pessoa com TOC.

A princípio fica difícil entender porque a personagem cria essa obsessão com o assassinato de uma stripper.  Uma menina normal de 16 anos, por mais curiosa que fosse, não se envolveria tanto assim. Aí é que tá, Penélope não é normal, ela tenta se misturar com os alunos na esc0la, mas ela sabe que é diferente, por suas contagens, repetições e batidinhas.

Além de tudo, ela ainda tem uma leve cleptomania. Ela sente a compulsão de roubar as coisas, como se elas estivessem chamando por ela, quisessem ser dela. E em seu quarto, todas as coisas são colecionadas e organizadas de acordo com uma lógica que só ela entende. Várias vezes durante a narrativa, em momentos de ansiedade, a lógica muda, e Penélope precisa reorganizar todos os seus objetos, para que atendam a nova forma que sua mente pede.

Não bastasse isso tudo, sua família está desestruturada depois de um acontecimento, explicado mais para frente na história. Penélope se culpa, com isso aumenta ainda mais sua ansiedade. Seu pai é ausente, e nas vezes que aparece não respeita ou aceita as crises da garota, e sua mãe vive dopada de remédios para depressão. Então ela passa a maior parte do tempo sozinha, cumprindo as compulsões de roubar as coisas e indo à escola.

A história em si, gira em torno do assassinato de Sapphire, uma stripper e dançarina de uma boate em Neverland, uma área pobre de Cleveland. De certa forma Penélope presencia o crime quando tenta roubar um item da casa da stripper. A partir deste momento, ela passa a querer saber tudo sobre a vítima, e sente que precisa descobrir o motivo de seu assassinato. Seu relacionamento com Flynt, um artista que anda pela área onde Sapphire morava, é muito fofo, e o personagem, com seus segredos e manias, faz um bom contraponto às “esquisitices” de Penélope.

Existem momentos que a história parece ser contada por uma pessoa mais velha. Confesso que às vezes eu não conseguia imaginar Penélope com apenas 16 anos, e fiquei pensando que se a história se passasse com ela já na faculdade teria me comprado mais fácil.

Eu descobri o assassino antes do final, mas isso não fez o livro ser menos interessante. Se você sobreviver às crises e taptaptaps de Penélope vai encontrar um livro intrigante, com altas doses de ansiedade, e levemente improvável. Mas mesmo assim, vale bastante a leitura.


Até a próxima! o/

ps: minha fonte para as informações sobre o TOC vieram do site do Dr. Dráuzio Varella, se vocês quiserem saber mais sobre o assunto, é só ir no site dele aqui ó.

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1 comentário

  • Responder novas aquisições do blog #24 | Parafraseando Livros 8 abr 2013 at 10:30

    […] O Enigma da Borboleta [skoob] – Kate Ellison (leia a resenha)  […]

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