resenha

Qual seu número? – Karyn Bosnak

3 jun 2012
Informações

qual seu número?

karyn bosnak

novo conceito

série ---

414 páginas | 2011

4.25

Design 4

História 4.5

Delilah Darling tem quase 30 anos e já se relacionou com 19 rapazes. Sua vida sentimental não tem sido exatamente brilhante, pois todo cara que conhece parece fugir do relacionamento. Quando lê uma matéria no jornal em que a média de homens para uma mulher de 30 anos é de 10,5, fica desesperada e assustada por estar muito acima dela. Além de tudo, o artigo no jornal terminava falando que, se a mulher tivesse o número acima dessa média, seria impossível a pessoa certa. Na tentativa de não aumentar seu número e perder de vez a chance de se casar, Delilah sai à procura de seus antigos namorados e tenta reconquistá-los. Será que um deles estará disposto a esquecer o passado e começar uma linda história de amor? Qual Seu Número? revela os segredos de cada mulher e prova que, quando se trata de assuntos do coração, números são apenas uma fração de tempo.

Design

Vou ser provavelmente repetitiva mas eu não gosto de capas que são os posteres dos filmes. Principalmente quando a descrição da personagem não tem nada a ver com a atriz escolhida para o papel no cinema (além do que Anna Faris fez a série “Todo mundo em pânico”… sem comentários ¬¬).

Apesar de ser grosso, 414 páginas, o livro me surpreendeu por ser relativamente leve, por isso meus braços agradeceram durante as viagens no transporte público.

O projeto gráfico como um todo é bonito. As aberturas de capítulo são diferentes entre si, principalmente quando Delilah começa a viajar pelos EUA, e mostram o mapa do país e a rota que a personagem está fazendo. Além disso, existe um trabalho com três fontes completamente diferentes durante toda a progressão do livro.

Infelizmente não dá para saber quais fontes foram usadas porque o livro não tem colofon, mas eu particularmente não gostei das escolhas. Em algumas páginas, quando as três fontes são utilizadas simultaneamente, chegou a gerar um certo desconforto com o tanto que ela brigam por atenção. Poderiam ter sido escolhidas fontes que se integrassem e conversassem melhor. Eu entendo como pode ser complicado misturar fontes serifadas, com não serifadas e cursivas ao mesmo tempo.

Uma outra coisa que foi um pouco problemática no miolo foi o kerning e o tracking das palavras. Eles deixaram o entre-letras e o entre-palavras muito aberto e espaçado criando frases com poucas palavras, parágrafos longos e uma mancha arejada demais. Apesar disso, a ocupação da página é ótima, com margens proporcionais e agradáveis.


História

Qual seu número?  foi o segundo booktour que participei. De certa forma foi bem recompensador porque pude ler um estilo que, ultimamente, não entra na minha lista de #mustHave. Faz muito tempo que não compro chicklit, meu foco de leitura tem sido completamente diferente. Participar me deu a oportunidade de quebrar o ritmo e o estilo que eu estava acompanhando.

Foi bastante divertida a leitura! O livro é despreocupado, leve e bem engraçado. Às vezes eu me pegava sorrindo sozinha dentro de um vagão cheio do metrô às 9h da manhã. Acompanhar as aventuras (e loucuras) de Delilah, a personagem principal, foi extremamente delicioso, principalmente porque eu nunca faria nada do gênero.

Delilah Darling vai fazer 30 anos (até aí tudo bem, eu já passei um de trinta XD). O problema de Delilah não é (só) sua idade, o problema é que ela leu uma matéria de um jornal afirmando que uma mulher de 30 anos deve ter se relacionado em média com 10,5 homens (este meio é o que? Um anão? O.o). Delilah  já esteve com 20! O artigo ainda dizia que se a mulher tiver mais amantes do que a média, a possibilidade de encontrar a pessoa certa é praticamente nula. Ela está perdida, sua irmã vai casar e só ficou com quatro caras, e para coroar tudo, Delilah foi demitida.

Para não aumentar ainda mais sua lista de homens, Delilah decide escrever o nome dos 20 com quem já namorou e correr o EUA atrás deles, afinal, algum podia ser seu príncipe encantado e ela o deixou escapar. Usando um carro alugado e o dinheiro da demissão Delilah tem um mês para reencontrar todos os homens e tentar voltar para casa feliz e realizada.

Os ex-namorados de Delilah são extremamente bizarros e eu acredito que nunca me teria me relacionado com nenhum dos 20 caras de sua lista, mas confesso que Colin, o vizinho gato que a ajuda na busca, seria um bom partido. ^_^

Na parte final da história Delilah quase conseguiu me irritar por decisões que toma, mas seu avô consegue ajudá-la a enxergar melhor e pensar de uma forma mais inteligente diferente.

Eu me diverti muito lendo o livro mas passava as páginas me perguntando “as mulheres são mesmo assim?”, porque eu não me identifico com muitas atitudes que a personagem tem, e talvez, por isso, tenha me afastado dos chicklits.

Normalmente eu não coloco quotes de livros, primeiro porque eu não costumo marcar nada e segundo porque acabo me esquecendo mesmo. Mas, surpreendentemente, eu fiquei bem impressionada por um diálogo entre Delilah e seu avô e resolvi colocá-lo aqui para vocês.

– (…)Você vai ficar bem – diz ele. – Você sabe disso, não é?

– Eu sei. Simplesmente estou arrependida de várias coisas que fiz, só isso. Cometi muitos erros.

– Ah… isso não existe! O que existe são as escolhas que fazemos e suas consequências. Só isso.

– Eu sei, mas não consigo parar de pensar que, se eu tivesse feito as coisas de maneira diferente, talvez as consequências não fossem as mesmas.

– É claro que não seriam, mas você também não seria a mesma. Tudo que você faz na vida, seja bom ou ruim, faz de você quem você é. Não fique remoendo suas decisões, dizendo “talvez”. Você não pode mudá-las.

– É mais fácil dizer do que fazer.

– Você tem razão – diz ele, acariciando meu ombro. – Mas se você vai pensar sobre o seu passado, em vez de pensar nas razões pelas quais não deveria ter feito o que fez…. é melhor pensar nas razões pelas quais fez aquilo que fez. (…)

– A vida está cheia de dor e beleza. É uma jornada, uma experiência de aprendizado. Você sempre foi uma garota que aprendeu fazendo, e não por meio de leitura ou escutando alguém falar. Não mude isso em você. Não mude agora. Você é jovem demais.

– Já tenho quase 30 anos, vovô. Meu aniversário é daqui a duas semanas.

– Não, você tem somente 30 anos. Bem, quase. Ouça o seu avô, que tem 75. Você ainda tem muito o que viver. (…)


Até a próxima! o/

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2 Comentários

  • Responder Ize Chi 25 jul 2013 at 13:26

    Eu li esse chick-lit após ver o filme. Não sou chegada a adaptações (especialmente a uma que modifica tanto a história original), mas evo confessar que o filme tem algumas cenas engraçadas que o livro não tem.

    Comprei o livro pelo preço irresistível na Saraiva (R$ 9,90!), e não me arrependo. Delilah é doida, mas engraçada e, bem, corajosa. Só com muita coragem para procurar seus ex-namorados!

    Não posso dizer que não tenho a curiosidade de descobrir como andam os meus. Quero dizer, quem não tem? Será que aquele cabeludo perdedor que você mal beijou no 1º ano do 2º grau é hoje um engenheiro famoso e com a vida bem sucedida? Ou o carinha fedorento de aparelho nos dentes que beijou em um jogo de “verdade e consequência” se tornou um dos desenvolvedores da Apple?

    Dá curiosidade, dá. E a Delilah só seguiu em frente um objetivo feminino que nenhuma mulher tem coragem de realizar =)

    P.S.: adorei o “captcha” do site; bem melhor do que escrever letras e palavras esquisitas xD

    • Responder Samara Maima 25 jul 2013 at 14:26

      Oi Ize!
      Não sei se eu teria curiosidade não, sabe aquela frase “quem vive de passado é museu”? XD Mas não dá para negar que a personagem foi realmente muito corajosa ao tomar essa decisão.

      Quanto ao captcha, eu sempre fico tensa com aquelas letras sobrepostas e com texturas ilegíveis… >.< Então, quando encontrei o sweetcaptcha achei que ia ajudar tanto para mim, quanto para os leitores que quisessem comentar. Que bom que realmente faz a diferença! ^.^ Abraços! o/

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