resenha

Lúcifer: O Primeiro Anjo – Marcelo Hipólito

14 jun 2012
Informações

lúcifer: o primeiro anjo

marcelo hipólito

marco zero

série ---

176 páginas | 2006

4.5

Design 4.5

História 4.5

10

Para a criação do épico Lúcifer – O Primeiro Anjo , o escritor Marcelo Hipólito realizou uma extensa e detalhada pesquisa baseada em descobertas arqueológicas e nos ensinamentos do Taoísmo, Budismo, Judaico-cristianismo, Islamismo, Bramanismo, entre outras crenças e filosofias milenares. Do surgimento de Deus à ruína de toda a existência, Lúcifer – O Primeiro Anjo revela a verdadeira natureza do Bem e do Mal, o sentido da Vida, e da Morte, e que mesmo no Inferno é possível encontrar honra e sacrifício. Hipólito preenche as lacunas das narrativas milenares que envolvem Deus e Lúcifer, combinando imaginação e realismo, no esforço de reunir todas as inúmeras – e por vezes conflitantes – versões dessas lendas em um único livro.

Design

Eu não conhecia a Editora Marco Zero e fiquei bem surpresa com a qualidade do livro. Fugindo um pouco do padrão que tenho lido, as folhas de Lúcifer são brancas (off-set), mas, apesar do papel ser um pouco mais reflexivo que o amarelo, eu particularmente não acho um problema e não me incomodo muito.

A capa foi bem construída hierarquicamente, o título usa uma fonte que parece misturar as minúsculas e maiúsculas e dá até para viajar que esta pode ter sido a intenção do designer. Afinal, Lúcifer sempre será um anjo (maiúsculas) e demônio (minúsculas), mas aí sou só eu especulando. XD O problema, na minha opinião, é que não achei em lugar nenhum o nome da pintura  utilizada para ilustrar a capa, uma pena.

Quanto ao miolo, achei a mancha muito bonita com uma boa margem que deixou o conteúdo elegante e arejado. O livro é divido em partes e estas em capítulos que começam sempre nas páginas ímpares. Apesar de suas 176 páginas, não é um livro rápido de ler por causa do tamanho da fonte que permite boa quantidade de conteúdo em cada página.

Minha única ressalva vai para a falta de um mapa. Em muitos momentos o autor descreve cenas e ações em locais do céu, terra e inferno que ficam difíceis de localizar p0r não existir uma informação gráfica do lugar. Se em uma nova edição o mapa for acrescentado vai auxiliar muito a leitura e torná-la ainda mais envolvente.


História

Um dos meus maiores prazeres na leitura é conhecer a interpretação, romantizada ou não, de grandes mitos e símbolos da humanidade. Sou uma apaixonada por mitologia, principalmente a grega, e ler histórias sobre mitos bíblicos sempre me interessou.

Talvez por causa de Evangelion (aquele anime de 1995, conhecem?), ou por algum outro motivo obscurecido pelo tempo, a história dos anjos, a cabalah, a hierarquia angélica, são assuntos que eu sempre achei interessantes mas não tão acessíveis.

Marcelo Hipólito, após profunda pesquisa, construiu sua história sobre um dos personagens mais controversos dos escritos bíblicos: Lúcifer, o primeiro anjo, a estrela da manhã, o diabo, todos estes nomes representando o mesmo personagem.

A forma como o autor escreve transformou uma história que poderia ter conotações doutrinárias ou de teor religioso em simplesmente uma história. Você consegue, independente de suas crenças, encarar Samael/Lúcifer como um personagem crível, com dúvidas, anseios, vitórias e derrotas como qualquer outro.

Existiram momentos em que simpatizei com Samael, o primeiro anjo; que entendi sua solidão, seu anseio por atenção. E existiram momentos que eu o via como uma criança mimada e egoísta, que sempre colocava seus interesses acima do que seria ideal para o “social” angélico.

A história toda segue, na maior parte do tempo, acontecimentos do que seria o antigo testamento da bíblia. Onde Deus (aqui com maiúscula, seguindo a utilização do próprio autor) tem facetas, que, ao meu ver, são quase cruéis, que até justificariam (ou não), o comportamento que fez com que Samael, primeiro anjo e filho criado à imagem de Deus, virasse Lúcifer.

Através da narração acompanhamos o gênese, a criação dos anjos e dos quatro céus, a revolta liderada por Lúcifer e sua queda. A origem da hierarquia demoníaca, a criação do jardim do éden e do homem. O corrompimento do que seria a linhagem pura de Adão, o nascimento dos gigantes (que eu acho que seriam os nefilins de outras histórias), a purificação da terra e o apocalipse. Ufa!

O legal da história de Marcelo Hipólito é perceber que todos os seres da criação, sejam eles humanos, gigantes, anjos ou demônios, têm a possibilidade para o bem e para o mal e que devemos sempre nos esforçar para expulsar a nossa tendência para o mal e “prendê-lo na nossa mão esquerda”. Assim, tudo terá mais pureza e seremos mais abertos às coisas certas e a fazer o bem para todos.

Recomendo para todos os curiosos por essa história que acompanha nossa sociedade desde o começo dos tempos.


Até a próxima! o/

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6 Comentários

  • Responder Daniele 29 mar 2013 at 17:02

    Gostei muito de sua resenha, bem detalhada, me deixou com muita vontade de ler o livro, pois sou muito interessada nesse tipo de história.

  • Responder Reno 31 jan 2013 at 09:36

    Já li o livro. É excelente.

    A pintura da capa é “A Queda dos Anjos Rebeldes”, de Pieter Bruegel, o Velho (1562).

    • Responder Samara Maima 1 fev 2013 at 15:04

      Oi Reno! Obrigada pelo nome da pintura. Ainda acho que poderia vir descrito nas informações da capa. Quem sabe em uma próxima edição, né?

  • Responder raul lima 19 jan 2013 at 18:04

    bom ja que vc colocou essa resenha maravilhosa gostaria de indicar um livro excelente que li há algum tempo adoraria ler o comentário sobre ele o nome é

    ETHERNYT
    A Guerra dos Anjos

    2009
    GIZ Editorial

    por: Márson Alquati

  • Responder Elaine Velasco 9 dez 2012 at 11:11

    Não conhecia esse livro, mas a resenha aguçou minha curiosidade, principalmente porque meu livro também discorre esse assunto, onde falo sobre a lenda do anjo Samael, mas de uma forma mais romanceada.
    Adicionado à lista de desejados!

    elainevelasco.blogspot.com.br

  • Responder resenha: Osíris: Deus do Egito – Marcelo Hipólito | Parafraseando Livros 9 jul 2012 at 15:30

    […] Hipólito, mas preciso confessar que gostei mais do projeto gráfico de seu lançamento anterior, Lúcifer: o primeiro anjo. Achei que a capa ficou com muitos elementos (o fundo com textura de papiro, a parede com […]

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